Com os lucros a caírem quase para metade no último ano, a Mercedes-Benz procura novos fôlegos financeiros. Num mundo “mais imprevisível”, a fabricante de Estugarda olha agora para o horizonte militar como uma oportunidade de revitalização. Ola Källenius, diretor executivo da companhia, confirmou que a empresa está disposta a reforçar a sua presença na defesa, desde que a estratégia faça “sentido comercial”.
“O mundo tornou-se um lugar mais imprevisível, e acho que está absolutamente claro que a Europa precisa de aumentar o seu perfil de defesa”, declarou Ola Källenius ao The Wall Street Journal (WSJ) na sexta-feira. “Se pudermos desempenhar um papel positivo nisso, estaremos dispostos a fazê-lo”, acrescentou o sueco que assumiu a direção executiva da Mercedes em 2019.
Källenius prevê que, embora esta operação venha a ser apenas “uma parcela pequena” do negócio total, ela representa um “nicho crescente que também pode contribuir para os nossos resultados comerciais”, concluindo: “Então, veremos”.
Embora o foco principal continue a ser o automóvel, o executivo vê no rigor da engenharia automóvel uma vantagem competitiva para o armamento: “O que as empresas automóveis fazem extraordinariamente bem — e nós também somos bons nisso — é fabricar máquinas de precisão de alta qualidade em grandes quantidades”, referiu.
Esta incursão no universo militar não é, contudo, uma novidade para a Mercedes. Atualmente, a marca ainda é a maior acionista da sua antiga divisão de camiões (separada em 2021), que produz veículos pesados para exércitos, e mantém no catálogo as variantes militares do Classe G.
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Este movimento faz parte de uma tentativa mais ampla da indústria automóvel alemã — estagnada há anos — de se reinventar como um pilar do arsenal do Ocidente, de acordo com o WSJ. A Mercedes não está sozinha nesta estratégia, aliás, a Volkswagen está a negociar com empresas israelitas para fabricar componentes de sistemas antimíssil até 2027, uma manobra estratégica para ocupar a sua capacidade produtiva.
E a tendência atravessa o oceano. Nos Estados Unidos, a administração Trump tem mantido conversas com a General Motors e a Ford, explorando a possibilidade de converter linhas de montagem e mão de obra automóvel para a produção em massa de munições, como noticiado pelo mesmo jornal.