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(A) :: Mulheres violadas por médico enquanto trabalhavam no BCP exigem indemnização do banco

Mulheres violadas por médico enquanto trabalhavam no BCP exigem indemnização do banco

Violador foi condenado, mas vítimas exigem indemnização ao BCP por não ter agido depois das primeiras denúncias e pela falta de apoio ao longo de todo o processo. Caso também está no tribunal europeu.

Madalena Moreira
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Passaram nove anos desde que Cláudia Loureiro e Helena Carvalho foram violadas por um médico nas instalações do BCP, onde trabalhavam há época. O médico foi acusado, julgado e condenado e está a cumprir pena, mas a luta das duas mulheres na justiça não acabou. Para além de uma queixa contra o Estado português no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, Cláudia e Helena procuram também responsabilizar o BCP pelos acontecimentos, noticiou esta sexta-feira o programa Prova dos Factos, da RTP.

Em causa está o facto de, à data dos acontecimentos, o BCP já ter recebido outras denúncias relativas ao mesmo médico, Fernando Reis, pelo menos cinco anos antes, a reação do próprio banco à denúncia das duas mulheres e o facto de o local de trabalho ter garantido a prestação de apoio e cuidados psicológicos enquanto fosse necessário, promessas que as duas vítimas afirmam que não foram cumpridas.

Depois de uma consulta com Fernando Reis — um médico que colaborava na prestação de serviços clínicos no BCP mas não era funcionário do banco — em que Helena foi violada, a mulher dirigiu-se à direção dos Recursos Humanos, para informar que iria seguir com uma queixa na justiça e à procura de apoio. A reação à denúncia foi feita com “leveza”, critica.

“A Helena é uma mulher bonita num banco de homens”, diz ter ouvido dos recursos humanos da empresa, cuja direção terá mencionado também as consequências que uma denúncia podia ter na carreira da funcionária. Nove dias depois de Helena ter apresentado queixa junto do banco, Cláudia foi a uma consulta com o mesmo médico, tendo também sido violada.

Se o BCP tivesse agido depois da primeira denúncia, o caso de Cláudia nunca teria acontecido, denunciam as duas mulheres. “A inação destruiu a minha vida”, afirmou Cláudia Loureiro à RTP. Depois de Cláudia ter feito uma denúncia por escrito — já tinha falado com Helena através de uma amiga em comum e disse não querer ser sujeita à mesma experiência —, o médico ainda deu múltiplas consultas durante mais um dia.

Um tribunal deu os factos como provados e Fernando Reis foi preso, encontrando-se a cumprir uma pena de cinco anos na prisão da Carregueira. Contudo, as duas mulheres processaram o Estado português pela redução da indemnização no recurso no Supremo Tribunal de Justiça e também o antigo empregador. Cláudia exige uma indemnização de 130 mil euros, que inclui reparação de danos pelo crime, mas também de questões laborais, enquanto Helena diz não aceitar menos de um milhão de euros. À RTP, a vítima justifica a exigência com uma posição moral e não com a necessidade de reparações. “Eu quero que reconheçam [que erraram], porque quando erro, eu também reconheço”, elaborou.