Que obstáculos continuam a travar o crescimento das empresas em Portugal? E que tendências vão marcar os próximos anos? Porque é que as empresas maiores estão mais aptas a competir, a pagar melhores salários e a resistir melhor às crises? Estas são algumas das questões que vão estar em debate na primeira Cimeira da Indústria, que decorre no dia 26 de maio, no Theatro Circo, em Braga.
Num território frequentemente apontado como o principal motor exportador do país, a discussão — uma iniciativa do Observador em parceria com a AEMinho e com o apoio institucional da Câmara Municipal de Braga — acontece numa altura em que a região Norte continua a demonstrar capacidade de adaptação e resiliência, apesar de alguns sinais de desaceleração na indústria e no comércio internacional. De acordo com o relatório trimestral “Norte Conjuntura“, produzido pela CCDR-NORTE, o emprego total na região cresceu 1,4% no quarto trimestre de 2025, o equivalente a mais 25,8 mil postos de trabalho. O salário líquido mensal dos trabalhadores por conta de outrem aumentou 5,4% em termos reais, acima da média nacional, enquanto os novos empréstimos às empresas registaram uma subida homóloga de 12,6%.
É neste contexto de transformação económica e industrial que arranca o primeiro painel da cimeira, dedicado ao tema da escala e da competitividade. A discussão parte da ideia de que a dimensão das empresas continua a ser determinante para a capacidade de internacionalização, investimento e resistência em períodos de instabilidade económica. O painel acolhe representantes do meio académico, da indústria e da banca para discutir as condições necessárias ao crescimento empresarial.
Segue-se o debate dedicado às tendências que deverão marcar os próximos anos, desde a inteligência artificial à geopolítica, passando pela escassez de mão de obra, pelos custos energéticos e pelas alterações nas cadeias globais de produção.
A tarde será dedicada aos denominados custos de contexto, frequentemente apontados pelas empresas como um dos principais entraves ao investimento e ao crescimento. A centralização do país, a burocracia e a complexidade regulatória estarão no centro da discussão, num painel que junta responsáveis empresariais e institucionais.

Os temas ganham ainda mais relevância se tivermos em conta que nesta região o tecido empresarial continua fortemente ligado à indústria exportadora. O relatório “Norte Conjuntura” sublinha que o Norte concentra 87,4% do emprego nacional nos setores têxtil, vestuário e couro e calçado, áreas historicamente associadas à capacidade industrial e exportadora da região.
A Cimeira da Indústria termina com um bloco centrado na forma como empresas e gestores podem ultrapassar contextos mais desfavoráveis. Num cenário marcado por incerteza económica, pressão regulatória e mudanças rápidas nos mercados, o debate deverá incidir sobre estratégias de adaptação, gestão e tomada de decisão.
Entre os oradores confirmados estão o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o ministro-adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, o embaixador de Portugal na OCDE, Rui Moreira, e o presidente da Business Roundtable Portugal, Carlos Moreira da Silva, entre outros representantes do meio empresarial e institucional, como o presidente do Banco Português de Investimento, João Pedro Oliveira e Costa, o CEO do Banco Português de Fomento, Gonçalo Regalado, ou o Presidente da DST, José Teixeira.
Ao longo do dia, o Theatro Circo será palco de uma reflexão alargada sobre as condições necessárias para que as empresas portuguesas — em particular as de média dimensão — consigam crescer, competir e adaptar-se a um contexto económico em mudança.
A Rádio Observador também se associa à iniciativa com uma emissão especial em direto a partir do local, entre as 10h00 e as 17h00, com convidados ligados ao tecido económico da região.
O evento é aberto ao público mediante registo e poderá também ser acompanhado em direto através das plataformas digitais do Observador. O programa completo está disponível aqui.