Um tribunal de Nova Iorque anulou esta sexta-feira o julgamento do antigo produtor de cinema Harvey Weinstein, acusado de ter violado a atriz Jessica Mann num quarto de hotel em Manhattan em 2013, noticiou a imprensa norte-americana. É a terceira vez que o caso chega a tribunal, mas o júri não chegou a um veredito, levando o juiz Curtis Farber a anular, novamente, o julgamento.
Sexta-feira foi o terceiro dia de deliberações e começou com os jurados a indicar que “tinham concluído que não podem chegar” a um veredito unânime. Numa primeira reação, o juiz indicou que o grupo devia continuar a deliberar, mas acabou por anular o julgamento, admitindo que “era claro” que júri estava “num impasse irremediável”. O Ministério Público deve agora decidir até ao final de junho se quer levar o caso a tribunal pela quarta vez, detalha a NPR.
A acusação de Mann — uma no meio de quase uma centena de denúncias feitas contra o produtor, que impulsionaram a explosão do movimento #MeToo — chegou a tribunal em 2020, ao lado das acusações de violação de uma assistente de produção e de uma modelo. A atriz e cabeleireira acusou Weinstein, 30 anos mais velho e, à data, casado, de a ter violado num quarto de hotel, enquanto repetia a palavra “não”, depois de terem mantido uma relação casual.
O julgamento de 2020 terminou com a condenação de Weinstein a 23 anos de cadeia. Posteriormente, o produtor foi também condenado a 16 anos de prisão num outro caso, julgado em Los Angeles. Em 2024, um tribunal de segunda instância anulou o julgamento de Nova Iorque, argumentando que as alegadas vítimas tinham feito acusações que iam além das que estavam a ser julgadas.
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No ano passado, Harvey Weinstein foi, portanto, novamente acusado, julgado e condenado por agressão sexual e violação. Contudo, o júri não chegou a um veredito relativamente à acusação de violação a Jessica Mann e o juiz Curtis Farber ordenou que esta acusação particular voltasse a ser julgada. Um ano depois do segundo julgamento, a terceira ida a tribunal de Weinstein terminou da mesma forma.
Preso desde 2018, o produtor de cinema, agora com 73 anos, deu este ano a primeira entrevista a partir da prisão, à Hollywood Reporter, em que recusou pedir desculpa por agressões a mulheres, uma vez que continua a negar todas as acusações de violência.
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[Renato Seabra matou Carlos Castro, isso ninguém contesta. A pergunta a que os jurados têm de responder é outra: o jovem modelo português pode ou não ser responsabilizado pelo crime? Sentiu raiva ou estava mentalmente perturbado? Ouça o sexto e último episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o Podcast Plus do Observador narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro episódio, aqui o quarto episódio e aqui o quinto episódio]
