O Departamento norte-americano de Justiça prepara-se para pedir o arquivamento de um processo de fraude e suborno contra o multimilionário indiano Gautam Adani, avança esta sexta-feira o The Washington Post, citando três pessoas “familiarizadas com o assunto”, em condição de anonimato.
Adani, próximo do primeiro-ministro indiano, Narenda Modi, foi indiciado em outubro de 2024 por um juiz federal, e depois acusado pela administração Biden, por “prometer mais de 250 milhões de dólares [de 214,9 milhões de euros] em subornos a funcionários do governo indiano para garantir contratos de fornecimento de energia solar que, segundo projeções, renderiam à empresa dois mil milhões de dólares [de 1,7 mil milhões de euros] em lucros ao longo de um período de duas décadas”, segundo o jornal. O alegado plano de suborno estaria a ser feito enquanto “tentavam angariar fundos junto de investidores norte-americanos”, segundo a Bloomberg.
O multimilionário negou as acusações “infundadas” e nunca compareceu em tribunal, bloqueando o julgamento do caso, que também envolve o seu sobrinho, por viverem fora dos Estados Unidos.
Apesar de a proposta ainda não ter sido apresentada formalmente e da decisão ainda poder ser alterada, os advogados da Comissão norte-americana de Valores Mobiliários — em relação a um outro caso que também envolve Adani — pediram na quinta-feira a um juiz de Brooklyn a aprovação de um acordo de 18 milhões de dólares (15,4 milhões de euros) para encerrar o processo, de acordo com o The Washington Post.
Além disso, o Grupo Adani ainda deverá ter de pagar multas ao Departamento norte-americano do Tesouro de até 275 milhões de dólares (236 milhões de euros), num outro caso, que envolve a suspeita de violação das sanções norte-americanas contra o Irão ao exportar gás para o país, segundo o The Washington Post, que cita duas fontes próximas do assunto.
O jornal norte-americano explica que Donald Trump tem pressionado o Departamento de Justiça para “restringir os processos envolvendo alegações de suborno do exterior”, desde que tomou posse, em 2025, por considerar que tais casos “prejudicam a capacidade das empresas norte-americanas de competir em mercados estrangeiros onde essas transações são comuns”.
Esta posição terá sido usada pelos advogados de Adani – um deles RobertJ. Giuffra Jr., advogado pessoal de Trump – que argumentaram em abril junto do Departamento de Justiça que a acusação “não teria sucesso em tribunal e que seria um forte candidato ao arquivamento”, para além de lembrarem uma promessa feita pelo multimilionário após a vitória de Trump em investir 10 mil milhões de dólares na economia norte-americana, segundo a Bloomberg.
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