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Brasil (grupo C). A chegada de Don Carlo para dar ordem a todos aqueles que não tiveram progresso

Após esgotar lote de todos os principais técnicos locais, Brasil mudou de paradigma e apostou num estrangeiro para voltar ao sucesso. Ancelotti assumiu regresso de Neymar mas deixou aviso à navegação.

Bruno Roseiro
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Quando o Brasil caiu no Monumental de Buenos Aires por 4-1 frente à Argentina, num jogo em que começou por sofrer logo dois golos a abrir e em que se temeu uma goleada ainda pior, caiu mais do que um resultado. Caiu um projeto, qualquer que fosse. Caiu uma ideia, se ainda existisse alguma. Caiu tudo. Apesar de estar integrado numa fase de qualificação sul-americano onde o complicado é mesmo não assegurar o apuramento para a fase final do Campeonato do Mundo tendo em conta as seis vagas disponíveis e o momento de crise que seleções como o Peru ou o Chile atravessam, a canarinha ainda teve penar para carimbar o óbvio numa fase em que teve dois interinos (Ramon Meneses e Fernando Diniz) até chegar Dorival Júnior. Foram três tentativas em apenas dois anos no período pós-Tite. Todas as experiências estavam “esgotadas”.

De forma natural, aquilo que há muito parecia uma inevitabilidade aconteceu: a solução tinha de chegar de fora. Nomes não faltaram, dos portugueses Jorge Jesus e José Mourinho ao sonho Pep Guardiola. Imperou o óbvio – que estaria livre, com o mindset para assumir uma seleção e que tinha um currículo que colocava a um canto todos aqueles que afiavam as facas ainda antes de tudo começar. Na verdade, e olhando para toda a história da formação brasileiro, Carlo Ancelotti não foi o primeiro treinador não local a orientar a equipa. Há um século, o uruguaio Ramón Platero fez quatro jogos em 19 dias. Nos anos 40, o desconhecido português Joreca esteve quatro dias no cargo. Na década de 60, o argentino Filpo Nuñez fez um encontro particular. No entanto, agora tudo era diferente. Com tanto de investimento como de esperança num futuro melhor.

Acabado de sair do Real Madrid, onde tivera a temporada menos conseguida, Carlo Ancelotti preocupou-se em estabilizar apenas a equipa. Conseguiu: sete pontos em três jogos colocaram a equipa a salvo de qualquer imprevisto em termos de qualificação, a derrota na Bolívia já não contou para as contas. A partir daí, tinha início uma nova fase do trabalho do transalpino, com a digressão pela Ásia a mostrar melhorarias e mais dois jogos particulares com conjuntos africanos a servirem para testar outras alternativas. Já este ano, até mesmo perdendo com a França nos EUA (antes de vencer a Croácia por 3-1), o Brasil mostrou outra face: mais organizado, com uma ideia mais clara, mais intenso, com maior agressividade. A base da qual Ancelotti nunca abdicou em qualquer projeto começava a ficar formada, a ligação próximo com as principais figuras da equipa também estava em fase de consolidação, estava a chegar agora o mais difícil deste novo desafio.

A convocatória para o Mundial mostrou a parte mais política que qualquer “animal” do futebol deve mostrar, com a chamada de Neymar a acalmar muitos espíritos mais preocupados que temiam que a grande figura dos últimos anos, que há muito não ia à seleção, pudesse falhar a competição. No entanto, Ancelotti deixou logo um aviso: o agora avançado do Santos foi convocado pelo talento mas terá de mostrar nos treinos que pode (e quer jogar). Aí, o italiano deixava um aviso à navegação: com uma base marcada pela experiência do meio-campo para trás, com nomes como Marquinhos, Gabriel, Casemiro ou Bruno Guimarães a serem o garante de estabilidade, Ancelotti não se importou de assumir as ausências de João Pedro ou Richarlison para deixar nas mãos de figuras como Neymar, Vinícius, Raphinha e Matheus Cunha essa responsabilidade de colocarem a equipa acima do individual. Com um grupo que tem um semifinalista de 2022 (Marrocos) e uma Escócia sempre competitiva, é dessa resposta que pode sair ou não o sonho de voltar aos títulos.

BI

  • Ranking FIFA atual: 6.º (a 1 de abril de 2026)
  • Melhor ranking FIFA: 1.º (setembro a novembro de 1993, abril a junho de 1994, julho de 1994 a maio de 2001, julho de 2002 a fevereiro de 2007, julho a setembro de 2007, julho a novembro de 2009, abril a julho de 2010, abril a julho de 2017, agosto a setembro de 2017 e março de 2022 a abril de 2023)
  • Patrocinador: Nike (desde 1997)
  • Alcunha: Canarinha
  • Presenças em fases finais: 23
  • Última participação: 2022 (quartos, Croácia)
  • Melhor resultado: campeão em 1958 (Suécia), 1962 (Checoslováquia), 1970 (Itália), 1994 (Itália) e 2002 (Alemanha)
  • Qualificação: 5.º lugar do grupo da CONMEBOL (28 pontos em 18 jogos, com oito vitórias, quatro empates e seis derrotas)
  • O que seria um bom resultado? Voltar a uma final (e ser campeão)

Jogos desde junho de 2025

  • Jogo particular, 5/6: Egito (neutro)
  • Jogo particular, 31/5: Panamá (casa)
  • Jogo particular, 1/4: Croácia (neutro), 3-1 (V)
  • Jogo particular, 26/3: França (neutro), 1-2 (D)
  • Jogo particular, 18/11: Túnísia (neutro), 1-1 (E)
  • Jogo particular, 15/11: Senegal (neutro), 2-0 (V)
  • Jogo particular, 14/10: Japão (fora), 2-3 (D)
  • Jogo particular, 10/10: Coreia do Sul (fora), 5-0 (V)
  • Qualificação CONMEBOL, 10/9: Bolívia (fora), 0-1 (D)
  • Qualificação CONMEBOL, 5/9: Chile (casa), 3-0 (V)
  • Qualificação CONMEBOL, 11/6: Paraguai (casa), 1-0 (V)
  • Qualificação CONMEBOL, 6/6: Equador (fora), 0-0 (E)

O onze

  • 4x2x3x1: Alisson; Wesley, Gabriel Magalhães, Marquinhos, Alex Sandro; Bruno Guimarães, Casemiro; Vinícius Jr., Matheus Cunha, Raphinha e Neymar

O treinador

  • Carlo Ancelotti (italiano, 66 anos, desde maio de 2025)
  • Outros clubes: Itália (adjunto), Reggiana, Parma, Juventus, AC Milan, Chelsea, PSG, Real Madrid, Bayern, Nápoles, Everton e Real Madrid
  • Títulos (30): 5 Liga dos Campeões, 5 Supertaças Europeias, 3 Mundiais de Clubes, 1 Taça Intercontinental, 1 Serie A, 1 Taça de Itália, 1 Supertaça de Itália, 1 Premier League, 1 Taça de Inglaterra, 1 Supertaça de Inglaterra, 1 Ligue 1, 2 Ligas espanholas, 2 Taças de Espanha, 2 Supertaças de Espanha, 1 Bundesliga e 2 Supertaças da Alemanha

O craque

  • Raphinha (29 anos, avançado dos espanhóis do Barcelona)
  • Outros clubes: Avaí (formação), V. Guimarães, Sporting, Rennes, Leeds e Barcelona

A revelação

  • Rayan (19 anos, extremo dos ingleses do Bournemouth)
  • Outros clubes: Vasco da Gama (formação) e Vasco da Gama

O mais internacional e o maior goleador

  • Cafu (142 internacionalizações) e Neymar (79 golos)

Os 26 convocados

  • Guarda-redes (3): Alisson Becker (Liverpool), Ederson (Fenerbahçe) e Weverton (Grémio)
  • Defesas (9): Alex Sandro (Flamengo), Bremer (Juventus), Danilo (Flamengo), Douglas Santos (Zenit), Gabriel Magalhães (Arsenal), Ibañez (Al Ahli), Léo Pereira (Flamengo), Marquinhos (PSG) e Wesley (Roma)
  • Médios (5): Bruno Guimarães (Newcastle), Casemiro (Manchester United), Danilo (Botafogo), Fabinho (Al-Ittihad) e Lucas Paquetá (Flamengo)
  • Avançados (9): Endrick (Lyon), Gabriel Martinelli (Arsenal), Igor Thiago (Brentford), Luiz Henrique (Zenit), Matheus Cunha (Manchester United), Neymar (Santos), Raphinha (Barcelona), Rayan (Bournemouth) e Vinícius Júnior (Real Madrid)

O local do estágio

  • The Ridge, Basking Ridge, em Nova Jérsia (treinos: Columbia Park, em Morristown)

A antevisão

"Trabalho há 40 anos e digo que temos capacidade para disputar os jogos com as grandes seleções do mundo. Sim, podemos chegar à final e ganhar."
Carlo Ancelotti, selecionador do Brasil

A ligação a Portugal

  • No caso do Brasil, o complicado mesmo é não encontrar ligações a Portugal, tendo em conta o elevado número de convocados que fazem parte das opções de Carlo Ancelotti. Aliás, atravessa literalmente a equipa inteira, do guarda-redes Ederson (Benfica, agora no Fenerbahçe) ao avançado Raphinha (que esteve no V. Guimarães e Sporting antes de chegar ao Barcelona), passando pela dupla Danilo e Alex Sandro (antigos laterais do FC Porto que estão agora no Flamengo) e por Casemiro, ex-médio dos azuis e brancos por empréstimo do Real Madrid que está de saída do Manchester United. Havia ainda uma outra possibilidade não confirmada de Thiago Silva, que reforçou o FC Porto no mercado de inverno após terminar a temporada no Brasil pelo Fluminense e que acabou por ficar de fora dos eleitos.