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Merz afirma ter mantido uma boa conversa com Trump após recentes tensões

"Tive uma boa conversa telefónica com Donald Trump após regressar da China", afirma o chanceler alemão, após recentes tensões com o presidente dos EUA, relativamente à guerra no Irão.

Madalena Moreira
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Agência Lusa
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O chanceler alemão afirmou esta sexta-feira ter mantido “uma boa conversa telefónica” com o Presidente norte-americano, após as recentes tensões que levaram Donald Trump a anunciar a retirada de 5.000 soldados norte-americanos da Alemanha. Ainda assim, em declarações no mesmo dia, Friedrich Merz revelou um passo atrás na sua postura atlanticista, ao criticar “o clima social que subitamente se desenvolveu” nos EUA.

“Tive uma boa conversa telefónica com Donald Trump após o seu regresso da China”, escreveu Friedrich Merz na rede social X, acrescentando que “os Estados Unidos e a Alemanha são parceiros sólidos no seio de uma NATO forte”.

https://twitter.com/bundeskanzler/status/2055253533394415925?s=20

No início de maio, o líder republicano anunciou a retirada de cerca de 5.000 militares norte-americanos da Alemanha no prazo de um ano, ou seja, cerca de 15% do efetivo presente nesse país, uma medida tomada depois de Donald Trump ter manifestado o seu descontentamento com o chanceler alemão relativamente à guerra no Irão.

https://observador.pt/liveblogs/ministro-da-defesa-italiano-reage-a-ameacas-de-trump-sobre-retirada-de-tropas-de-italia-nao-entendo-os-motivos/

O anúncio de Trump surgiu após Merz ter afirmado, a 27 de abril, que “os americanos não tinham visivelmente qualquer estratégia” no Irão e que Teerão “estava a humilhar” Washington.

Na mensagem publicada esta sexta-feira por Merz, o chanceler insiste nos pontos de acordo com Washington no conflito entre os Estados Unidos e Israel com o Irão.

“Estamos de acordo: o Irão tem agora de sentar-se à mesa das negociações. Tem de abrir o estreito de Ormuz. Teerão não deve possuir armas nucleares“, escreveu Merz.

“Também discutimos uma solução pacífica para a Ucrânia e coordenámos as nossas posições com vista à cimeira da NATO em Ancara”, nos próximos dias 7 e 8 de julho, acrescentou.

Sob a liderança de Friedrich Merz, a Alemanha, primeira economia da UE e principal apoio militar da Ucrânia, lançou-se num importante reforço das suas forças armadas, a fim de fazer face a uma Rússia hostil e reduzir a dependência da defesa europeia em relação aos Estados Unidos.

“Não recomendaria aos meus filhos que fossem aos EUA”, diz Merz

Apesar da relação aparentemente cordial com Donald Trump, Merz admitiu também esta sexta-feira que a sua admiração pelos Estados Unidos já conheceu melhores dias. “Sou um grande admirador da América. Mas a minha admiração não está a crescer neste momento“, declarou o chanceler durante um evento de jovens católicos na cidade de Wuerzburg, arrancando risos à multidão.

“Eu não recomendaria aos meus filhos que fossem aos EUA hoje, que estudassem ou trabalhassem lá, simplesmente por causa do clima social que subitamente se desenvolveu”, elaborou. “Hoje, as pessoas mais educadas da América tem muita dificuldade em encontrar um emprego”, declarou.

As críticas foram deixadas em contraponto com o que diz ser o estado da Alemanha, instando os jovens a ter uma visão otimista sobre o seu próprio país. “Acredito firmemente que há poucos países no mundo que têm tantas boas oportunidades, especialmente para os jovens, como a Alemanha”, afirmou Merz.