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(A) :: Jonas venceu a primeira batalha diante de um Afonso que sofreu para manter a honra: Vingegaard vence no dia em que Eulálio segurou a rosa

Jonas venceu a primeira batalha diante de um Afonso que sofreu para manter a honra: Vingegaard vence no dia em que Eulálio segurou a rosa

O Blockhaus ditou mesmo as primeiras diferenças entre os favoritos, com Vingegaard a confirmar a pole position com um solo de mais de cinco quilómetros. Eulálio minimizou danos e continua de rosa.

Tiago Gama Alexandre
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O primeiro dia de rosa foi tudo menos tranquilo. Depois de ter brilhado na quarta-feira, Afonso Eulálio (Bahrain-Victorious) partiu para a sexta etapa com a camisola rosa na sua posse e teve o primeiro teste à sua liderança, ainda que tímido, dado que se esperava mais um final ao sprint. Ainda assim, a chegada a Nápoles voltou a ser marcada por uma queda no fim, provocada por uma viragem de 180º nos últimos 300 metros, com a condicionante de ser em piso paralelo e numa altura em que estava a chover. Apesar de não ter sido afetado, o português ficou cortado e viu o compatriota António Morgado (UAE Team Emirates-XRG) cair quando procurava lutar pela vitória. Quem aproveitou essa situação foi Davide Ballerini (XDS Astana), que bateu Jasper Stuyven (Soudal Quick-Step) na meta, depois de uma grande recuperação de Paul Magnier (Soudal), que ainda conseguiu ser terceiro.

https://observador.pt/2026/05/14/davide-apareceu-no-dia-em-que-afonso-continua-a-ter-um-lugar-na-fila-de-frente-ballerini-vence-em-mais-um-final-marcado-pelas-quedas/

“Foi melhor do que ontem [quarta-feira]. Ontem foi muito duro, com a chuva, com a fuga, mas tivemos um dia mais tranquilo. Salvámos o dia, sempre a rodar um pouco as pernas e, o mais importante, salvámos o dia e recuperámos um pouco. Ontem pensei que estava perfeito, mas quando acordei senti algumas dores, mas nada demais. Amanhã [sexta-feira] vai ser um dia muito longo, muito longo, vai ser a primeira chegada em alto e, certamente, será disputada. Todos os corredores da classificação geral vão lutar e eu vou tentar sofrer o máximo que puder para tentar manter esta vantagem, que é muito boa. Alta montanha? Veremos amanhã, na verdade não me conheço muito bem. Será uma surpresa para vocês e para mim. Vantagem de seis minutos? Pode ser muito fácil [recuperar] ou pode ser muito difícil. Vamos ver como será o dia de amanhã”, explicou o português nascido da Figueira da Foz no final da etapa de Nápoles, prevendo perder “entre dois e três minutos” no Blockhaus.

“Espero que seja um dia muito longo e difícil. O tempo vai dizer [o que posso fazer]. Espero ter boas pernas no final e que possamos tentar algo. Eulálio? Na minha opinião, qualquer dia que possas passar com a camisola de líder é uma honra. Gostava de ficar com ela, mas seis minutos é muito e acho que não sou capaz de lá chegar, pelo menos hoje. O que esperar? Acho que tens de ver qual vai ser o nosso plano. Não vou contar aqui o nosso plano”, deixou no ar Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) antes da primeira etapa de alta montanha.

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Para esta sexta-feira estava reservada a etapa mais longa (244 quilómetros) e a segunda mais dura desta edição (4.600 metros de ganho de altitude), entre Formia e o temível Blockhaus, na Pescara, ainda na região dos Abruzos. Apesar de ser uma etapa bastante dura, as dificuldades surgia para lá dos 140 quilómetros, com as subidas a concentrarem-se na segunda metade da tirada. A primeira contagem de montanha era o Roccaraso, com 6,9 quilómetros a 6,4% de inclinação média. Depois uma longa descida até ao sopé, o Blockhaus surgia no fim com 13,6 quilómetros a 8,4%, com as rampas a chegarem aos 14% de inclinação. Era aí que se ia decidir a etapa e estava marcada a primeira batalha entre os favoritos à vitória.

A etapa começou com Jonathan Milan (Lidl-Trek) a tentar integrar a fuga do dia em busca dos pontos no sprint intermédio. O italiano foi bem sucedido e ficou na frente com Jardi Christiaan van der Lee (EF Education-EasyPost), Nickolas Zukowsky (Pinarello Q36.5), Tim Naberman (Picnic PostNL) e Diego Pablo Sevilla (Polti VisitMalta). Depois de ter passado em primeiro na meta instalada em Venafro, Milan descaiu para o pelotão, resguardando-se até ao fim. Com Bahrain e Visma a liderarem o pelotão, onde Enric Mas (Movistar) dava vislumbres de não estar na melhor forma, a vantagem dos fugitivos manteve-se acima dos cinco minutos à entrada para os últimos 50 quilómetros, mas manteve a toada decrescente. No início do Blockhaus, o ritmo da Visma começou a reduzir o pelotão, deixando para trás Igor Arrieta e Jan Christen (Emirates), Egan Bernal (Netcompany Ineos) e Enric Mas.

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Van der Lee e Zukowsky foram os últimos resistentes da fuga, que terminou a 6,5 quilómetros do alto. A resistência de Afonso Eulálio durou mais 800 metros, com o português a descolar instantes antes de Vingegaard atacar com Giulio Pellizzari (Red Bull-Bora-hansgrohe) e Felix Gall (Decathlon CMA CGM) na sua roda. Contudo, o austríaco quebrou logo a seguir, com o italiano a mostrar-se ao nível da estrela dinamarquesa, que lá conseguiu isolar-se a 4,4 quilómetros do fim. A quebra do Red Bull acabou por ser grande, já que Gall ultrapassou-o logo a seguir. No final, o austríaco ainda se aproximou de Vingegaard, mas a sétima vitória da época do canibal estava assegurada, 16 segundos à frente de Gall. Este triunfo permite a Jonas completar a trilogia de vitórias nas Grandes Voltas, tornando-se no 115.º ciclista a fazê-lo. Jai Hindley (Red Bull) completou o pódio, cinco segundo à frente do companheiro e de Ben O’Connor (Jayco AlUla). Eulálio conseguiu minimizar perdas num final em que mostrou ambição para segurar a rosa, chegando a 2.55 minutos do vencedor.

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A classificação geral continua a ser liderada pelo figueirense, que vai chegar à penúltima etapa da primeira semana com 3.17 minutos de vantagem para Jonas Vingegaard, que subiu ao segundo lugar. Seguem-se Felix Gall, a 3.34, Jai Hindley, a 4.25, e Giulio Pellizzari, a 4.28.