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Chefe da diplomacia russa manifesta disponibilidade para dialogar com Europa sobre a Ucrânia

Lavrov afirmou que Moscovo está disposto a dialogar, mas que não irá implorar, acusando a Europa de ter falhado na oportunidade de contribuir para a resolução do conflito. "Não cumpriram o seu papel".

Agência Lusa
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O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, afirmou esta sexta-feira que a Rússia está pronta para dialogar com a Europa sobre a Ucrânia, embora tenha deixado a responsabilidade para os países europeus e questionado as suas capacidades negociais.

“Não pedimos à Europa que participe no processo de negociação”, disse durante uma conferência de imprensa na capital indiana, Nova Deli, após uma reunião ministerial dos BRICS, o bloco de economias emergentes que inclui o Brasil, a Rússia, a Índia, a China, a África do Sul e outros membros mais recentes.

Lavrov ressalvou que Moscovo irá implorar ou pressionar ninguém, mas que a Rússia está aberta a dialogar. “Os europeus têm um mau historial em relação à sua capacidade de chegar a acordos”, argumentou, acrescentando que a Europa “já teve a oportunidade” de contribuir para a resolução do conflito na Ucrânia, sem sucesso.

A este propósito, recordou que o lado europeu atuou como mediador para conter a violência após a deposição do Presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, em fevereiro de 2014 — acontecimento que antecedeu a subsequente anexação da Crimeia pela Rússia e o início do conflito armado na região do Donbas — e na assinatura dos Acordos de Minsk, que visavam pôr fim às hostilidades.

“Nas duas ocasiões, os europeus deveriam ter atuado como garantes, mas não cumpriram o seu papel de garantes ou mediadores imparciais”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros russo.

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As suas declarações surgem depois de o presidente do Conselho Europeu, António Costa, ter dado crédito à iniciativa liderada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para trazer a paz à Ucrânia, em detrimento de qualquer roteiro que possa ser proposto pelos países europeus.

No entanto, Costa reiterou que a UE terá de se sentar e conversar com a Rússia “no momento apropriado” para abordar as questões de segurança europeias, uma vez alcançada a paz na Ucrânia.

O Presidente russo, Vladimir Putin, manifestou o seu apoio à possibilidade de este processo ser liderado pelo antigo chanceler alemão Gerhard Schröder, um político próximo de Putin.