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O Presidente dos EUA, Donald Trump, concluiu nesta sexta-feira a visita oficial à China insistindo que as relações entre as duas maiores potências mundiais “são boas e estão a melhorar”, apesar de continuar a haver divergências profundas entre os dois. Os dois principais discursos feitos pelos dois líderes, Trump e Xi, foram marcados por vários elogios de parte a parte – mas, também, avisos de que a relação entre as duas potências não se deve “estragar”.
O carro que transportou o Presidente dos EUA até ao aeroporto, para que subisse a bordo do Air Force One, parou junto ao tapete vermelho colocado em frente às escadas do avião pelas 7h20 (14h20 hora local). Trump foi, mais uma vez, aplaudido por uma plateia de jovens chineses estrategicamente colocados perto das escadas de embarque, ladeados por dezenas de soldados em formação, para que se garantisse uma despedida calorosa.
Antes de subir a bordo do Air Force One para regressar aos EUA, Trump iniciou o último dia em Pequim com uma mensagem nas redes sociais, afirmando que o líder chinês, Xi Jinping, o “felicitou por tantos sucessos extraordinários” e que, quando se referiu aos EUA como “uma nação em declínio”, estava a falar apenas do mandato do seu antecessor, Joe Biden.
https://twitter.com/China_Amb_India/status/2054823191890276444?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E2054823191890276444%7Ctwgr%5Eacd4502ee95e67d684f04d853e69a0037a22dae7%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fobservador.pt%2Fliveblogs%2Fxi-defende-que-estados-unidos-e-china-devem-ser-parceiros-nao-rivais-mas-adverte-trump-sobre-possivel-conflito-por-causa-de-taiwan%2F
Xi recebeu Trump na residência oficial de Zhongnanhai, onde ambos passearam pelos jardins com árvores centenárias e rosas chinesas, antes de se reunirem num pavilhão ornamentado para conversas acompanhadas de chá. Depois, houve um almoço de trabalho antes da partida de Trump para Washington.
Foram realmente dias excelentes”, disse Trump aos jornalistas, sentado ao lado de Xi.
Apesar do tom otimista, os encontros revelaram tensões persistentes. Pequim mostrou pouco interesse público em envolver-se mais na resolução do conflito com o Irão, embora Trump tenha garantido que Xi se ofereceu para ajudar. Taiwan foi o tema mais sensível da visita, com Xi a reafirmar que a ilha está no “núcleo dos interesses da China”.
Mais tarde, já a bordo do Air Force One, Donald Trump falou com os jornalistas sobre esse mesmo tema. O Presidente dos EUA confirmou que discutiu com o homólogo chinês, Xi Jinping, a venda de armas norte-americanas a Taiwan, sublinhando que deverá em breve tomar uma decisão sobre o assunto.
Trump sublinhou que falou “muito sobre Taiwan” com Xi Jinping e garantiu que não fez qualquer compromisso. O Presidente dos EUA disse que o líder chinês lhe perguntou diretamente se os EUA defenderiam Taiwan se a China atacasse a ilha — e que recusou responder.
“Só há uma pessoa que sabe isso e sou eu. Sou a única pessoa”, disse Trump. “Essa pergunta foi-me feita hoje pelo Presidente Xi. Eu disse que não queria falar sobre isso.”
Trump convidou Xi Jinping a visitar Washington. Xi não quer relação "estragada"
Donald Trump, na sua intervenção no Grande Salão do Povo, em Pequim, reiterou os pontos mencionados pelo líder chinês e mantém que a relação sino-norte-americana é “uma das mais consequentes da história humana”.
“Muitos chineses agora adoram o basquetebol e calças de ganga”, mencionou Trump, com o objetivo de sublinhar o impacto que a cultura norte-americana teve na China, sem deixar de referir que “o número de restaurantes de comida chinesa nos EUA supera as cinco maiores cadeias de fast food no país”, cita a Sky News.
O Presidente dos Estados Unidos da América também destacou o encontro de duas horas que precedeu o banquete, referindo conversas “extremamente positivas e produtivas”, agradecendo a hospitalidade do seu homólogo chinês nesta receção.
Trump terminou a sua intervenção com um brinde, retribuindo o que foi feito por Xi Jinping nas suas declarações ao salão, e com um convite para o Presidente e a primeira-dama chinesa visitarem Washington no dia 24 de setembro. “Estamos ansiosos. Proponho um brinde aos laços fortes e duradouros entre os norte-americanos e chineses”.
Já Xi Jinping afirmou que “os nossos países deviam ser aliados, não rivais”, referindo que a relação sino-norte-americana é a “mais importante do mundo” e que “nunca a podem estragar”.
Anteriormente, quando ainda estava em Pequim, o Presidente dos EUA, Donald Trump, garantiu que “não será paciente por muito mais tempo” com o Irão. Essa foi uma declaração feita numa entrevista a um programa da Fox News onde repetiu que “o Irão deve aceitar um acordo”.
Na conferência de imprensa que deu em Pequim, Trump confirmou que os Presidentes dos EUA e China debateram o Irão e ambos “concordaram sobre a forma como [o conflito] deve terminar”. “Não queremos que eles tenham uma arma nuclear” e “queremos o estreito [de Ormuz] aberto”, afirmou Donald Trump.
A China apelou a um cessar-fogo total no Médio Oriente e à reabertura do estreito de Ormuz “o mais rapidamente possível”, à margem da cimeira entre os presidentes dos dois países. Trump disse que Xi se “ofereceu” para ajudar os EUA a chegar a um acordo com o Irão: “Se houver qualquer coisa em que eu possa ajudar, eu quero ajudar”, terá dito o Presidente da China.
China vai comprar aviões, petróleo e soja aos EUA, adianta Trump
O Presidente norte-americano afirmou que a China aceitou comprar petróleo, aviões da Boeing e soja aos EUA, após o encontro com o homólogo chinês, Xi Jinping, em Pequim, na quinta-feira.
“Uma coisa em que penso que vamos chegar a acordo é que concordaram em comprar petróleo aos EUA”, declarou o republicano, em entrevista à emissora norte-americana Fox News.
Vão para o Texas. Vamos começar a enviar navios chineses para o Texas, Louisiana e Alasca… isso é muito importante”, acrescentou Trump durante a entrevista, na qual não forneceu detalhes específicos sobre os compromissos discutidos com Xi.
O Presidente norte-americano afirmou ainda que a China vai “investir muito na soja” e que as compras chinesas deste grão, essencial para os agricultores do centro-oeste dos Estados Unidos, serão “maiores do que antes”.
Trump revelou também que a China vai anunciar a compra de 200 aviões comerciais da Boeing, cujo líder, Kelly Ortberg, fazia parte da delegação empresarial norte-americana à China. “Xi concordou em comprar 200 aviões. Isto é grande; são 200 aviões grandes. Isto vai criar muitos empregos, e a Boeing queria 150, e foram 200”, disse Trump, apesar das expectativas de Ortberg e dos analistas de mercado apontarem para 500 aviões.
Delegação da Casa Branca teve de deitar no lixo todos os objetos chineses
Nenhum objeto chinês pode entrar no Air Force One, relatou uma repórter do New York Post a bordo do avião presidencial dos EUA. Na sua conta na rede social X, a repórter Emily Goodin escreveu que todos os membros da delegação norte-americana deitaram num caixote do lixo todos os objetos que lhe tinham sido entregues por chineses.
Todos os crachás e pins que foram dados a membros da delegação norte-americana, para que se identificassem durante a cimeira, foram descartados num caixote do lixo que foi posto no fundo das escadas de acesso ao avião. Também os telemóveis utilizados pelo staff da Casa Branca foram aparelhos para utilização apenas durante aquele evento e foram deitados fora.
Praticamente ao mesmo tempo que o Air Force One levantava voo, de regresso aos EUA, foi noticiado que também o Presidente russo, Vladimir Putin, irá visitar Pequim. De acordo com o jornal South China Morning Post, citado pela Bloomberg, a visita ocorrerá na quarta-feira da próxima semana, dia 20 de maio.
Será uma visita de apenas um dia que, de acordo com a mesma publicação, se enquadra na relação normal entre os líderes dos dois países. Não está previsto que o acontecimento inclua algum tipo de evento extraordinário como desfiles militares, por exemplo.