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Portugal desmente Marco Rubio e garante que pedido para uso da Base das Lajes só veio depois do ataque ao Irão

Secretário de Estado dos EUA destacou Lisboa como aliado exemplar da NATO nas operações contra o Irão. MNE respondeu que a cronologia não corresponde à verdade e que houve condições impostas.

Mariana Furtado
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Portugal foi o único aliado da NATO a merecer um elogio direto do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, pela prontidão no apoio às operações militares contra o Irão. No entanto, a afirmação do secretário de Estado norte-americano levou a diplomacia portuguesa a desmentir a Casa Branca.

“Para ser justo, há países da NATO que foram muito úteis para nós. Vou só dizer um: Portugal. Eles disseram que sim, antes de nós perguntarmos o que quer que fosse“, declarou Rubio em entrevista à Fox News na quarta-feira, a partir do minuto 9.

A resposta do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) surgiu em comunicado, desmentindo a cronologia apresentada e clarificando que o pedido para a utilização da Base das Lajes “só foi feito já depois do ataque ao Irão, sendo que o Governo português só autorizou mediante condições que foram logo tornadas públicas e que são conhecidas”.

“A declaração do secretário de Estado Marco Rubio não se aplica, pois, de todo a Portugal e não sabemos se se aplica a algum dos outros países a que se referiu”, lê-se no comunicado do ministério de Paulo Rangel, que lembrou ainda que os detalhes desta cooperação já tinham sido explicados à Comissão de Negócios Estrangeiros, a 7 de abril.

Na mesma entrevista, Marco Rubio revelou que a diplomacia americana pretende persuadir a China a assumir um papel mais “ativo” na resolução do conflito com o Irão. A bordo do Air Force One, durante a viagem rumo à China, Rubio explicou que os Estados Unidos já apresentaram a Pequim os seus argumentos sobre a importância de um envolvimento direto na contenção das tensões latentes com o regime iraniano. “É do interesse deles resolver isto”, afirmou, acrescentando: “Esperamos convencê-los a desempenhar um papel mais ativo para que o Irão abandone o que está a fazer e tentar fazer agora no Golfo Pérsico”.

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O secretário de Estado norte-americano defendeu a necessidade de encontrar um equilíbrio na política externa face a Pequim, observando que, embora Washington procure conter a China enquanto rival geopolítico, é imperativo manter um relacionamento saudável para garantir a estabilidade mundial. “[A China] é o nosso maior desafio político em termos geopolíticos e também a relação mais importante que temos de gerir”, referiu.

A entrevista cobriu ainda outros temas da agenda internacional, incluindo o curso da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o encontro com o Papa Leão XIV, a situação em Cuba e as críticas dirigidas aos aliados da NATO no contexto do conflito com o Irão (a que Portugal escapou).

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