Os jovens diplomados obtêm quase 14 euros em ganhos salariais por cada euro investido no ensino superior, segundo um estudo que confirma que concluir uma licenciatura tem vantagens no início da carreira e ao longo da vida profissional.
Divulgado esta quinta-feira, o estudo “Ensino superior e emprego jovem em Portugal” da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) analisou os ganhos económicos associados ao prosseguimento dos estudos no ensino superior.
Além das vantagens associadas ao ensino superior nas taxas de emprego e salários, amplamente estudadas, a equipa coordenada pelo investigador Luís Catela Nunes foi mais longe e calculou o retorno financeiro líquido do investimento no ensino superior.
Este indicador resulta da diferença entre os ganhos salariais ao longo da vida e os custos diretos de frequentar o ensino superior e rendimentos de trabalho sacrificados por prosseguir os estudos ao invés de entrar no mercado de trabalho logo após o ensino secundário (custos indiretos).
Com os custos individuais mais baixos (valores absolutos) na União Europeia, em particular os custos indiretos devido aos baixos salários para diplomados do ensino secundário, Portugal destaca-se no contexto europeu pela relação benefício-custo “muito elevada”. Segundo as contas dos autores, por cada euro investido no ensino superior, os jovens obtêm, em média, 13,7 euros em ganhos salariais.
“Numa perspetiva financeira individual, quem investe no ensino superior em Portugal obtém, em média, retornos elevados, sobretudo tendo em conta os custos absolutos comparativamente baixos e os ganhos salariais razoáveis a longo prazo”, refere o estudo.
No policy paper divulgado esta quinta — o quinto produzido pela Fundação e o segundo dedicado à Educação — os autores analisaram também, em detalhe, as taxas de empregabilidade e os salários obtidos pelos diplomados do ensino superior, em comparação com os jovens que apenas concluíram o ensino secundário.
Desde logo, arranjar emprego depois de terminar os estudos parece ser uma tarefa mais fácil para quem sai das universidades.
Um ano após concluírem o curso, 75% dos licenciados já está a trabalhar e entre os mestrados as taxas de emprego chegam aos 88%, em ambos os casos acima dos diplomados de cursos profissionais (72%) e científico-humanísticos (56%) do ensino secundário.
As vantagens são ainda mais expressivas em termos salários e chegar ao mercado de trabalho com um diploma do ensino superior traduz-se, em geral, em rendimentos significativamente mais altos (mais 28% para licenciados e mais 49% para jovens com mestrado).
Essa vantagem salarial é suficiente para superar os anos de experiência perdidos face a quem começou a trabalhar mais cedo. Com três anos de experiência, um trabalhador que concluiu apenas no ensino secundário ganha, ainda assim, menos do que um licenciado em início de carreira, da mesma forma que um licenciado com dois anos de experiência ganha menos do que um jovem com mestrado no primeiro ano de trabalho.
Ao longo da carreira, o fosso entre diplomados do ensino superior e do secundário torna-se ainda maior, uma vez que os primeiros podem antecipar uma progressão salarial mais rápida.
Há, no entanto, áreas com melhores salários do que outras — em particular, as áreas das Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática — e realidades muito díspares dentro da mesma área, dependendo das funções, mas também de fatores como a perceção dos empregadores quanto à qualidade da educação e reputação das instituições frequentadas, ou características individuais.
Por isso, os autores recomendam o reforço da orientação profissional mesmo antes do ensino secundário, mas também mais informação sobre os resultados alcançados pelos diplomados do ensino superior, para que os estudantes possam fazer escolhas informadas quanto ao seu percurso formativo.
[Renato Seabra matou Carlos Castro, isso ninguém contesta. A pergunta a que os jurados têm de responder é outra: o jovem modelo português pode ou não ser responsabilizado pelo crime? Sentiu raiva ou estava mentalmente perturbado? Ouça o sexto e último episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o Podcast Plus do Observador narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro episódio, aqui o quarto episódio e aqui o quinto episódio]
