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Maioria que apoia Netanyahu apresenta projeto de lei para eleições antecipadas

Projeto de lei poderá ser votado a 20 de maio e abrir caminho a eleições antecipadas em agosto. Oposição já tinha anunciado planos semelhantes, mas Netanyahu assume controlo do calendário eleitoral.

Agência Lusa
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A maioria que apoia o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apresentou um projeto de lei para dissolver o Knesset (Parlamento), abrindo caminho a eleições antecipadas, anunciou esta quarta-feira o partido de direita Likud.

“O 25.º Knesset será dissolvido antes do fim do seu mandato. As eleições [para formar a próxima legislatura] serão realizadas numa data definida pelo comité do Knesset, que não poderá ser inferior a 90 dias após a aprovação desta lei”, pode ler-se no texto do projeto de lei divulgado pelo Likud, partido de Netanyahu.

Segundo os meios de comunicação israelitas, o projeto de lei de dissolução poderá ser votado em 20 de maio.

Uma vez definida a data da sessão plenária, a dissolução do Knesset necessita de ser aprovado numa leitura preliminar e em três legislativas, após as quais se inicia um período de 90 dias para a realização de eleições gerais.

Caso todos estes pressupostos se alinhem, as eleições realizar-se-iam em agosto, dois meses antes do previsto.

O anúncio da dissolução, uma iniciativa do partido de Netanyahu, surge numa altura em que a sua maioria estava ameaçada nas últimas 24 horas devido ao descontentamento dos partidos ultraortodoxos.

Estes partidos criticaram-no por não ter aprovado, como prometido, uma lei que isentasse do serviço militar os jovens que estudam em yeshivas (escolas talmúdicas).

Aproveitando esta turbulência, alguns partidos da oposição anunciaram na terça-feira a sua intenção de apresentar um projeto de lei para dissolver o Knesset, mas o anúncio do Likud parece ter frustrado os seus planos, permitindo a Netanyahu assumir o controlo do calendário eleitoral.

O partido ultraortodoxo Judaísmo Unido da Torá tinha manifestado na terça-feira apoio à antecipação das eleições parlamentares.

Os partidos da oposição Yesh Atid, liderado por Yair Lapid, e Democratas, liderado por Yair Golan, apresentaram projetos de lei separados para antecipar as eleições legislativas.

As iniciativas aconteceram depois de o rabino Dov Lando, líder da fação Degel HaTorah, ter manifestado apoio à dissolução do Knesset.

“Já não confiamos em Netanyahu. A partir de agora, faremos apenas o que for melhor para o judaísmo Haredi e para o mundo das yeshivas. Devemos dissolver o Knesset o mais rapidamente possível. Para nós, o conceito de bloco já não existe”, sublinhou Lando.

Da mesma forma, a fação Agudat Yisrael, pertencente ao Judaísmo Unido da Torá e composta por três membros do parlamento, apoiou esta iniciativa depois de Netanyahu ter confirmado aos deputados ultraortodoxos, na semana passada, que não tem os votos necessários para aprovar a controversa legislação.

O chefe do Estado-Maior do Exército israelita, Eyal Zamir, alertou recentemente a Comissão de Negócios Estrangeiros e Defesa do Knesset que, sem o recrutamento de judeus ultraortodoxos, a autoridade militar poderia entrar em colapso devido à falta de recursos disponíveis em função das múltiplas frentes de batalha que Israel enfrenta na região.

Além dos processos que enfrentam por corrupção e abuso de poder na justiça, Netanyahu, mais a sua coligação do Likud com a extrema-direita, enfrenta uma concorrência fortalecida pela aliança eleitoral, anunciada no final de abril, pelo líder de oposição, Yair Lapid, e pelo ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, um dos favoritos nas sondagens.

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