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(A) :: Nobel da Paz Narges Mohammadi precisa de meses de cuidados médicos após colapso na prisão

Nobel da Paz Narges Mohammadi precisa de meses de cuidados médicos após colapso na prisão

Exames revelam agravamento da doença vascular da Nobel, com obstrução em duas artérias principais. Médicos pedem cuidados permanentes durante 8 meses. Fundação pede libertação incondicional.

Agência Lusa
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Os médicos, que examinaram a Nobel da Paz 2023 Narges Mohammadi, mais de uma semana após ficar inconsciente numa prisão iraniana, disseram que a ativista vai precisar de meses de tratamento, indicou esta quarta-feira a sua fundação.

Uma angiografia mostrou que duas das suas principais artérias apresentam uma obstrução significativa e que a doença vascular se agravou consideravelmente desde o último procedimento a que foi submetida, em 2024, disse a fundação num comunicado.

Mohammadi, de 54 anos, foi transferida de urgência da prisão para um hospital no noroeste do Irão a 01 de maio, depois de ter perdido a consciência.

Foi libertada sob fiança quase 10 dias depois e transferida para um hospital em Teerão, onde foi examinada por especialistas.

O médico responsável disse que a tensão arterial continua a oscilar, em parte devido a danos numa parte do cérebro responsável por essa regulação.

Os médicos recomendaram um tratamento de oito meses num ambiente “livre de fatores stressantes externos, onde possa receber cuidados permanentes e tratamento a longo prazo”.

A fundação Narges Mohammadi e dezenas de laureados com o Prémio Nobel apelaram para a libertação incondicional de Mohammadi, uma acérrima defensora dos direitos humanos e dos direitos das mulheres.

Foi distinguida com o prémio Nobel da Paz em 2023 enquanto estava na prisão e foi presa repetidamente ao longo da sua carreira.

A detenção mais recente ocorreu em dezembro de 2025, na cidade de Mashhad, no nordeste do Irão, enquanto assistia às cerimónias fúnebres de outro ativista.

A família afirmou que o seu estado de saúde se vinha deteriorando na prisão, em parte porque foi brutalmente espancada durante a detenção.

Em março, sofreu um ataque cardíaco e tinha já, antes da detenção, um coágulo sanguíneo no pulmão, que requer a toma de anticoagulantes e monitorização para ser controlado.