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(A) :: Ex-número dois do FBI revela condicionamentos para aceitar cargo e como lhe pediram lista de 6.000 agentes que investigaram Trump

Ex-número dois do FBI revela condicionamentos para aceitar cargo e como lhe pediram lista de 6.000 agentes que investigaram Trump

Ex-chefe no FBI quebrou o silêncio e contou como lhe pediram nomes de todos os funcionários ligados às investigações a Trump. Driscoll foi demitido em agosto do ano passado.

Marina Ferreira
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Foi a primeira vez que Brian Driscoll falou à comunicação social desde que foi demitido no ano passado, em agosto de 2025, do cargo de chefia que tinha no FBI. Numa entrevista a Anderson Cooper, publicada pela CNN Internacional esta terça-feira, o antigo funcionário norte-americano revela detalhes sobre como a administração Trump pressionou a agência federal a demitir agentes envolvidos nas investigações ao Presidente norte-americano. E também sobre a própria maneira, condicionada, como foi recrutado para o segundo cargo mais importante dentro do FBI.

Driscoll divulga de forma clara que Emil Bove, que era vice-procurador-geral interino quando estava em funções, lhe pediu que apresentasse uma lista com todos os funcionários do FBI, cerca de 6.000 nomes, que tinham estado de alguma maneira envolvidos nas investigações a Donald Trump sobre o motim no Capitólio, a 6 de janeiro de 2021, bem como na investigação sobre a posse de documentos confidenciais por Trump após seu primeiro mandato.

Questionou a utilidade do registo de agentes relacionados com estas investigações e foi-lhe dito que estava a ser marcha uma “deterioração cultural no FBI”.

O antigo chefe do FBI dispensado no ano passado recorda também como, uma semana antes da tomada de posse de Trump, em janeiro de 2025, começou a ser abordado para o lugar de chefe interino do FBI. Foi-lhe dito que no caso de recusar o cargo seria escolhido alguém nomeado politicamente. Discordando da opção que estava prestes a ser tomada para a chefia da organização em que trabalhava, nessa altura enquanto agente especial, aceitou que o seu nome fosse indicado. Mas esse processo não ficou livre de uma verificação exaustiva dos seus antecedentes políticos.

O membro do FBI foi questionado por elementos da equipa direta de Trump sobre as suas posições políticas, incluindo em quem tinha votado nas eleições norte-americanas mais recentes.

Driscoll revelou mesmo que Kash Patel, que viria a ser nomeado diretor do FBI, lhe disse que a verificação não seria problemática, exceto se ele tivesse atividade nas redes sociais, tivesse feito doações ao Partido Democrata ou estivesse registado enquanto eleitor democrata em 2024, vislumbrando-se dessa forma o voto em Kamala Harris.

O ex agente do FBI, que está a processar Patel e Trump por demissão sem justa causa, revelou ainda à CNN o momento em que Kash Patel lhe disse de forma direta que o Presidente norte-americano não se esqueceu de como o FBI o tentou colocar na prisão.

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