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Iron Maiden e Billie Eilish entram numa sala de cinema: 10 documentários musicais para ver agora

Os magos do heavy metal britânico estreiam "Burning Ambition", uma semana após "Hit Me Hard and Soft" ter chegado. Mas no streaming há mais para descobrir (ou recordar), de Taylor Swift a The Band.

André Filipe Antunes
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Pode dizer-se que a música reina no cinema atual? É certamente uma possibilidade. Entre biografias ficcionadas que se tornam êxitos de bilheteira mundiais, documentários intimistas sobre os maiores artistas do passado e da atualidade, e filmes-concerto que oferecem um olhar único, quase melhor, sobre as próprias atuações, não será descabido afirmar que as produções centradas na indústria musical são, neste momento, das mais rentáveis no grande ecrã.

Prova disso mesmo é o facto de, nas últimas semanas, terem estreado de forma consecutiva várias obras nestes moldes. A propostas como o filme-concerto de Bilie Ellish, assinado por nada mais nada menos que James Cameron e que chegou às salas nacionais no início deste mês, ou Power to the People, com imagens do único concerto de John Lennon pós-Beatles, em Nova Iorque ao lado de Yoko Ono, junta-se agora o documentário Burning Ambition, uma crónica de cinco décadas de carreira dos Iron Maiden, recordadas através de entrevistas na primeira pessoa, a ilustres e conhecidos fãs da banda e a copiosas imagens de arquivo, num formato que começa a estar cada vez mais padronizado no cinema atual.

Desengane-se, contudo, quem pense tratar-se de um fenómeno novo. Ainda que assumam maior preponderância numa indústria do cinema a procurar reinventar-se, os filmes-concerto e documentários musicais têm uma longa tradição. De nomes e momentos icónicos do passado às maiores estrelas pop da indústria de hoje, várias foram e são as estrelas musicais que viram as suas principais atuações e discos imortalizados no grande ecrã. Hoje, no cinema ou em casa, podemos redescobrir várias dessas obras.

“Iron Maiden: Burning Ambition” (2026, de Malcolm Venville)

Onde ver: nos cinemas

https://www.youtube.com/watch?v=BggdJLnSevQ

A história dos Iron Maiden contada na primeira pessoa. Imagens de arquivo e entrevistas em estúdio a admiradores (entre os quais nomes como o ator Javier Bardem ou Lars Ulrich, dos Metallica) e aos membros da própria banda percorrem cinquenta anos de concertos e memórias do grupo, dos primórdios nas caves sujas de Londres nos anos 70 até aos grandes concertos de estádio que cimentaram os Iron Maiden como uma das maiores bandas da história do heavy metal (concertos como o que está agendado para o dia 7 de julho no Estádio da Luz, um ano após o concerto na Meo Arena).

“Billie Eilish – Hit Me Hard and Soft” (2026, de James Cameron)

Onde ver: nos cinemas

https://www.youtube.com/watch?v=grs2hNHXKdQ

Uma das mais aclamadas estrelas da pop da atualidade, Billie Eilish é também uma das celebridades da sua era mais intensamente analisadas no cinema, ou não fosse este já o quarto filme centrado na cantora de 24 anos. Desta vez, Eilish recrutou um autêntico titã da realização, James Cameron, com o objetivo de captar uma experiência imersiva em 3D da sua última tour (que apresentou o álbum editado em 2024), mas também dos bastidores da fama, a relação com irmão e parceiro na escrita de canções, Finneas, e as pressões que incidem numa jovem artista com as expectativas do mundo às costas.

“BTS: The Return” (2026, de Bao Nguyen)

Onde ver: Netflix

https://www.youtube.com/watch?v=jRig7JvOpWg

A mais popular boy band do mundo, o grupo sul-coreano foi forçado a fazer uma pausa na carreira em 2022 para cumprir o serviço militar, obrigatório por lei no país asiático – um período que serviu também para os vários membros da banda explorarem projetos a solo, levantando inclusive questões sobre o seu futuro enquanto conjunto. Três anos depois, o regresso dos BTS foi acompanhado de perto neste documentário da Netflix, centrado nas gravações de ARIRANG, o sexto álbum de estúdio, e na preparação da digressão mundial que já está na estrada e que se prolonga até 2027.

“Taylor Swift: The Eras Tour” (2023, de Sam Wrench)

Onde ver: Disney+

https://www.youtube.com/watch?v=KudedLV0tP0

Incontornável na história recente da indústria musical, a tournée de Taylor Swift que quebrou todos os recordes e se tornou num autêntico fenómeno cultural fez-se filme pela mão da realizadora Sam Wrench. Esta versão “cinematográfica” dos famosos concertos da norte-americana pode atualmente ser vista na plataforma Disney+, mas foi notória aquando do seu lançamento em sala por ter “saltado” o tradicional modelo, tendo sido distribuída pela própria cantora – uma decisão praticamente inédita na altura, mas que atesta bem o poder e influência de Swift enquanto gigante da indústria mediática.

“Taylor Swift: Miss Americana” (2020, de Lana Wilson)

Onde Ver: Netflix

https://www.youtube.com/watch?v=q07_k5VKuaQ

E se a Eras Tour terá sido o apogeu da carreira de Swift, poderá dizer-se que Miss Americana marcou um virar de página no percurso da artista. Acompanhando a vida da cantora em 2018 e 2019, período em que a sua imagem pública foi alvo de intenso escrutínio, o documentário foi aclamado pelo olhar intimista e revelador sobre uma das artistas mais famosas do mundo, abordando temas como a fama, a saúde mental e a violência contra as mulheres.

“The Beatles: Get Back” (2020, de Peter Jackson)

Onde ver: Disney+

https://www.youtube.com/watch?v=Auta2lagtw4

É seguramente o projeto mais monumental nesta lista, pelo menos em termos de duração. Peter Jackson, cineasta responsável pela trilogia de O Senhor dos Anéis, foi a fundo nas mais de 300 horas de arquivos visuais e auditivos das sessões de gravação para o álbum Let it Be, à época pensado como uma espécie de regresso triunfal dos Beatles e que se viria a revelar o princípio do fim da banda. O resultado: mais de 7 horas de filme, divididos em 3 episódios, e um extraordinário documento sobre o processo criativo de uma das maiores bandas de todos os tempos e das tensões, mas também da camaradagem, dos quatro rapazes de Liverpool num período crucial das suas vidas.

“Michael Jackson: This is It” (2009, real.  Kenny Ortega)

Onde ver: Amazon Prime Video e Apple TV+ (disponível para aluguer)

https://www.youtube.com/watch?v=3zOLzsbOleM&t=1s

Até aqui, todos os filmes nesta lista versam, de forma mais ou menos direta, sobre concertos e atuações que aconteceram; This Is It é nisso singular, já que trata de uma atuação que nunca chegou a realizar-se. O filme acompanha os ensaios e a preparação da anunciada residência de Michael Jackson na O2 Arena, em Londres, 50 datas esgotadas e que foram canceladas a semanas de arrancarem, após a morte do Rei da Pop. A acompanhar o sucesso de bilheteira do biopic ficcionado de Antoine Fuqua, talvez interesse revisitar este filme, que dá uma ideia de o que poderia ter sido o regresso de Jackson aos palcos.

“Zé Pedro Rock’n’Roll” (2019, Diogo Varela Silva)

Onde ver: RTP Play

https://www.youtube.com/watch?v=FS40UdJ-ZTk

A vida e os tempos de Zé Pedro, guitarrista e fundador de uma das bandas mais importantes do panorama musical português, os Xutos e Pontapés, foi recordada neste premiado documentário, lançado dois anos após a morte do músico, aos 61 anos. Além do seu papel incontornável no percurso dos Xutos, é também recordado o seu papel enquanto divulgador e promotor da música rock no Portugal democrático, enquanto crítico, radialista e um dos donos do mítico Johnny Guitar, ponto de passagem e de iniciação para uma geração de músicos nacionais, durante a década de 90.

“Elis & Tom: Só Tinha de Ser com Você” (2022, real. Roberto de Oliveira e Jom Tob Azulay)

Onde ver: Filmin

https://www.youtube.com/watch?v=yTj5ewSoKY8

Este documentário brasileiro transporta-nos para Los Angeles em 1974, para as gravações de um dos mais importantes álbuns da lusofonia na segunda metade do século XX. Apresentando imagens de arquivo inéditas das sessões de estúdio do homónimo disco, o filme retrata as tensões e o confronto de egos entre Elis Regina e António Carlos Jobim, que chegaram mesmo a levantar a hipótese de o projeto ser cancelado. Não foi, e o resultado é um repertório de canções clássicas, e um filme que é um registo histórico de uma página importante da música popular brasileira.

“A Última Valsa” (1978, real. Martin Scorsese)

Onde ver: Amazon Prime Video

https://www.youtube.com/watch?v=OuH234Tgw5o

Há quem defenda que é o melhor filme-concerto da história do cinema, e também quem diga que é uma joia escondida na ilustre filmografia de Scorsese (quase tão prolífica no documentário como na ficção, diga-se de passagem). O concerto de despedida da influente The Band torna-se uma celebração e o fim de uma era da música americana da época, juntando em palco convidados como Bob Dylan, Joni Mitchell, Eric Clapton e Neil Diamond, só para citar alguns.