Um homem indiciado da prática de crime de homicídio, na forma tentada, escapou esta quarta-feira do Tribunal de Ponte de Sor, quando estava na companhia do seu advogado e a ser preparado o interrogatório judicial. O “arguido detido conseguiu evadir-se do edifício do tribunal, após uma alegada manobra de diversão”, confirmou ao Observador fonte do Conselho Superior de Magistratura. Fonte oficial da GNR confirma ao Observador que o arguido continua em fuga.
O suspeito esteve com o advogado entre as 14h e as 15h30, à espera de ser ouvido por um juiz. Nesse período, pediu várias vezes para ir fumar um cigarro, mas o pedido foi sistematicamente recusado. Em simultâneo, um grupo de pessoas próximas do arguido — segundo a GNR, cerca de duas dezenas de cidadãos — entrou no tribunal e aproveitou uma “manobra de diversão” do suspeito para formar uma barreira e impedir a passagem dos três militares de serviço.
Quando os GNR se aperceberam, tentaram ultrapassar esta barreira humana, mas o suspeito aproveitou a vantagem conseguida com a obstrução dos militares para entrar num carro conduzido por outra pessoa e fugir, ainda algemado. Os militares conseguiram chegar ao exterior do tribunal, onde foram realizados disparos para impedir a fuga, mas sem sucesso.
Apesar de fonte judicial ter garantido que “foram efetuados vários disparos no interior e nas imediações do edifício”, fonte oficial da GNR esclarece que os militares só dispararam no exterior do edifício, mas que não houve agressões nem feridos durante toda a fuga.
“Os militares da GNR presentes iniciaram de imediato a perseguição ao suspeito, tendo o tribunal sido encerrado por razões de segurança durante o restante período de funcionamento. Até ao momento, não há registo de que o cidadão tenha sido detido”, acrescentou o CSM em comunicado enviado aos jornalistas.
O Conselho Superior de Magistratura refere que “nos últimos meses” já foram registados vários episódios de “distúrbios e agressões associados à presença de grupos rivais em tribunais da comarca”, o que já resultou em várias intervenções policiais. Ao Observador, fonte da GNR confirma o historial de violência entre as famílias envolvidas nesta fuga.
“Na sequência dessas ocorrências, os órgãos de gestão da comarca solicitaram avaliações relativas ao reforço das condições de segurança dos edifícios judiciais, incluindo a eventual instalação de dispositivos de controlo de acessos, como pórticos detetores de metais, sistemas de videovigilância e reforço de vigilância presencial. No passado mês de abril, a comarca de Portalegre tinha já reportado preocupações relacionadas com as condições de segurança em tribunais sem vigilância permanente”.
O CSM reforça a “necessidade de assegurar condições de segurança” nos tribunais, garantindo a proteção de todos os profissionais e cidadãos que recorrem aos tribunais. “O CSM continuará a acompanhar a situação no âmbito das suas competências”.
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