(c) 2023 am|dev

(A) :: Quando há segundas linhas assim nunca se pode falar em fim de linha: City vence Palace e fica a dois pontos do Arsenal

Quando há segundas linhas assim nunca se pode falar em fim de linha: City vence Palace e fica a dois pontos do Arsenal

No acertar de calendário com um jogo em atraso desde março, o City venceu o Crystal Palace no Etihad e com Pep Guardiola a poupar Haaland, Doku e Cherki, ficando a dois pontos do Arsenal (3-0).

Mariana Fernandes
text

Era o dia em que o calendário finalmente acertava e era possível começar a fazer contas que não começam por “e se”, “quando” ou “depende de”. No Etihad, o Manchester City recebia o Crystal Palace num jogo em atraso da 31.ª jornada da Premier League e ficava com os mesmos jogos que o Arsenal — ou seja, a partir desta quarta-feira, todas as análises à reta final da temporada podiam ser feitas com todos os dados em cima da mesa.

Para o Manchester City, naturalmente, era também o dia em que tudo era decisivo. Depois do empate com o Everton na semana passada, os citizens sabiam que estavam obrigados a ganhar para ficarem mais perto da liderança do Arsenal e ainda terem uma verdadeira palavra a dizer relativamente à Premier League. No fim dos 90 minutos, a equipa de Pep Guardiola podia estar a cinco pontos do primeiro lugar, a quatro pontos do primeiro lugar ou a dois pontos do primeiro lugar — algo absolutamente fulcral numa altura em que restam apenas duas jornadas até ao fim da época.

https://observador.pt/2026/05/04/a-bolha-de-pep-existe-mas-esta-cada-vez-mais-perto-de-rebentar-city-empata-e-perde-terreno-para-o-arsenal/

“Estamos focados apenas no que temos de fazer, no que podemos controlar. Portanto, estamos apenas focados no Crystal Palace. Ainda estamos na luta! Mais pressionados? Não, a pressão é a mesma que sentíamos há um dia, há dois, há uma semana, há duas semanas. É a mesma coisa. Sempre aprendi, na minha carreira de treinador, que temos de esquecer o que não podemos controlar. Temos de ter foco e fazer melhor o que não fizemos tão bem durante a temporada para lutar pelo título. Ainda estamos a lutar”, atirou o treinador espanhol, que no fim de semana disputa a final da Taça de Inglaterra em Wembley contra o Chelsea.

Ora, neste contexto, Pep Guardiola surpreendia e deixava Haaland, Rayan Cherki e Jérémy Doku no banco, lançando Semenyo, Marmoush e Savinho no ataque, com Bernardo Silva e Matheus Nunes a serem ambos titulares e Rúben Dias a começar no banco, sendo que Gvardiol regressava à equipa após quatro meses de ausência por lesão. Do outro lado, num Crystal Palace que está na final da Liga Conferência mas também na segunda metade da tabela em Inglaterra, Oliver Glasner apostava no crónico Jean-Philippe Mateta como referência ofensiva.

https://twitter.com/DAZNPortugal/status/2054646869419069676

https://twitter.com/DAZNPortugal/status/2054648763617079482

Debaixo de muita chuva, o Manchester City começou melhor e, curiosamente, as duas primeiras oportunidades que criou foram através de Marc Guéhi, um central, que cabeceou ao lado (7′) e rematou também de forma desenquadrada (15′). O Crystal Palace ainda procurou reagir através de Chris Richards, que também cabeceou ao lado (13′), mas a superioridade dos citizens era evidente e ia ficando clara com ocasiões perigosas de Khusanov (17′), Bernardo (19′) e Aït-Nouri (20′). À passagem da meia-hora, o já previsível golo apareceu mesmo.

Phil Foden desmarcou Semenyo com um passe vertical de calcanhar e o ganês, com um remate rasteiro e cruzado, abriu o marcador (32′). Os londrinos quiseram ir atrás do jogo, abriram espaços e soltaram as linhas, viram Tyrick Mitchell obrigar Donnarumma à primeira intervenção da noite (33′), mas sofreram o reverso da medalha: Gvardiol cruzou na esquerda, Foden amorteceu na área e Marmoush, com um belo movimento de rotação, atirou para marcar (40′). Dean Henderson ainda evitou o terceiro, parando um cabeceamento de Gvardiol com uma defesa monumental (43′), e o Manchester City foi para o intervalo a vencer o Crystal Palace.

https://twitter.com/DAZNPortugal/status/2054650762836213992

Nenhum dos treinadores fez alterações no início da segunda parte e o jogo desenrolava-se situações de perigo em nenhuma das balizas: o Manchester City geria e controlava, o Crystal Palace não tinha capacidade para procurar mais. Pep Guardiola foi o primeiro a olhar para o banco, lançando Jérémy Doku e Nathan Aké, enquanto que Jørgen Strand Larsen, Adam Wharton e Ismaïla Sarr entraram de uma vez logo depois de Marmoush rematar ao lado de fora de área (59′).

Kovacic e Cherki ainda tiveram minutos, motivando uma saída pouco habitual e claramente estratégica de Bernardo, Strand Larsen atirou por cima na cara de Donnarumma (83′) e Savinho, logo a seguir, colocou um ponto final no jogo com um remate cruzado e certeiro após assistência perfeita de Cherki (84′). O Manchester City venceu o Crystal Palace, acertou o calendário com um triunfo e colocou-se a dois pontos do Arsenal e da liderança da Premier League com duas jornadas ainda por disputar — mostrando que, a quem tem segundas linhas assim, nunca poderá ser decretado um fim de linha.

https://twitter.com/DAZNPortugal/status/2054664174744084808