É um daqueles dias que se vai tornando um dado adquirido no futebol europeu. Esta quarta-feira, o PSG só precisava de um ponto contra o Lens para conquistar a Ligue 1 — ou seja, esta quarta-feira, o PSG só precisava de um ponto contra o Lens para ser pentacampeão francês. Um dado adquirido, mas um dado adquirido que dá muito trabalho.
Num jogo em atraso da 29.º jornada da Ligue 1, a jogar longe do Parque dos Príncipes e precisamente contra a única equipa que ainda podia ter uma palavra a dizer sobre o Campeonato, o PSG até podia empatar para confirmar desde já o inédito pentacampeonato e começar a apontar baterias e energias à final da Liga dos Campeões — até porque o adversário, o Arsenal, ainda tem tudo por decidir no que diz respeito à Premier League.
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Ainda assim, a semana do PSG ficou marcada por outra história. Luis Enrique, o treinador, completou 56 anos no passado dia 8 de maio, sexta-feira, e convidou todo o plantel para um aparente jantar de aniversário no dia anterior e num conhecido restaurante de Paris, perto do Arco do Triunfo. Os jogadores chegaram, esperaram, mas depressa se aperceberam do inesperado: Luis Enrique não iria aparecer, faltando ao próprio pseudo aniversário para permitir que a equipa tivesse um momento de descontração sem sentir que estava a ser observada pelo timoneiro.
“Acho que as duas equipas aparecem em circunstâncias similares. O Lens tem de jogar a final da Taça de França uma semana depois de o Campeonato terminar e nós também temos a final da Liga dos Campeões uma semana depois. Precisamos de gerir jogadores e acho que o Pierre Sage [treinador do Lens] vai fazer o mesmo do que eu. São as duas melhores equipas da temporada, sem dúvida. Vamos tentar mostrar aquilo de que somos capazes e acho que será um jogo muito interessante”, disse o treinador espanhol na antevisão da partida decisiva.
Assim e sem Nuno Mendes e Achraf Hakimi, que continuam lesionados, Luis Enrique lançava Lucas Hernández e Senny Mayulu na esquerda e na direita da defesa, com Vitinha a ser poupado e o jovem Dro a aparecer com João Neves no meio-campo, para além de Kvaratskhelia e Bradley Barcola no apoio a Dembélé. Já Pierre Sage, num Lens que vinha de dois empates e que entrava em campo a seis pontos da liderança, apostava em Odsonne Édouard como referência ofensiva.
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Dro teve a primeira ocasião de perigo do jogo, com um remate de fora de área que passou ao lado (7′), e acabou por dar o mote para a primeira parte: ambas as equipas tiveram várias aproximações às balizas, sem demonstrar medo de rematar de perto ou de longe, e foi raro assistir a períodos de vários minutos consecutivos sem uma tentativa de finalização. O primeiro e único a concretizar, porém, foi Kvaratskhelia — o Lens falhou na saída de bola, Dembélé aproveitou e soltou o georgiano, que não falhou na cara do guarda-redes (29′).
A equipa de Pierre Sage reagiu e foi atrás do resultado, somando vários remates desenquadrados e outros à baliza que permitiram a Matvey Safonov ser um dos protagonistas da primeira parte, mas a verdade é que o empate nunca apareceu e Robin Risser ainda evitou o golo de Dembélé (43′). Ao intervalo, o PSG estava a vencer o Lens e a 45 minutos de celebrar a conquista de mais uma Ligue 1.
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Luis Enrique mexeu no arranque da segunda parte, trocando Bradley Barcola por Vitinha, e Safonov voltou a evidenciar-se logo nos instantes iniciais, evitando o empate de Abdallah Sima em duas ocasiões distintas com intervenções importantes (46′ e 54′). O Lens não recuava e procurava constantemente as costas da defesa adversária, enquanto que o PSG parecia algo desconcentrado e sem capacidade para chegar à grande área contrária.
Pierre Sage lançou Allan Saint-Maximin, Florian Thauvin e Kyllian Antonio de uma vez à passagem da hora de jogo, com Luis Enrique a trocar Lucas Hernández por Fabián Ruiz e João Neves a recuar para a esquerda da defesa. A equipa da casa ia insistindo, alimentando o sonho de que podia dar a volta ao resultado e adiar a conquista do adversário, mas a verdade é que os parisienses acabaram por conseguir chegar a uma velocidade-cruzeiro que lhes permitiu controlar as ocorrências até ao fim.
Gonçalo Ramos ainda entrou para os últimos 20 minutos, Sima acertou no poste (74′) e o jovem Ibrahim Mbaye, que entretanto já estava em campo, fechou as contas nos descontos com um grande remate de fora de área (90+3′). O PSG de João Neves, Vitinha, Nuno Mendes e Gonçalo Ramos venceu o Lens e conquistou a Ligue 1 pela 14.ª vez e pela quinta temporada consecutiva, sagrando-se pentacampeão francês pela primeira vez na história e com ainda uma jornada por disputar antes de defrontar o Arsenal na final da Liga dos Campeões. Kvaratskhelia marcou, Safonov foi crucial, muitos foram poupados — e tudo para Luis Enrique provar que a esta festa não podia mesmo faltar.
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