Começou a ganhar destaque no basquetebol na Universidade de Stanford, de onde saiu para representar os Nets. Jason Collins foi a 18.ª escolha da equipa no draft de 2001 e representou-a até 2008. Foi aí que o poste nasceu para o basquetebol ao mais alto nível. O jogador norte-americano foi notícia em 2013, não pelo que fazia dentro da quadra, mas pela sua orientação sexual: foi o primeiro a assumir-se homossexual. “Sou um pivô da NBA de 34 anos. Sou negro. E sou gay” — foram estas as palavras, num artigo da revista Sports Illustrated, que Collins elegeu para revelar o segredo que deixava de o ser. Esta quarta-feira, aos 47 anos e depois de “uma luta contra um glioblastoma, um tumor cerebral”, Collins morreu na sua casa em Los Angeles, anunciou a família.
“O Jason mudou vidas de formas inesperadas e foi uma inspiração para todos os que o conheciam e para todos os que o admiravam à distância”, afirmou a família de Collins, através de uma nota divulgada pela NBA, onde ainda conta que o antigo basquetebolista travou uma “batalha corajosa” contra a doença. “Agradecemos as inúmeras demonstrações de carinho e as orações que recebemos ao longo dos últimos oito meses, bem como os cuidados médicos excecionais que o Jason recebeu dos seus médicos e enfermeiros. Vamos sentir muito a sua falta”, concluíram.
https://twitter.com/NBAPR/status/2054327441884151981
O glioblastoma de Jason Collins foi-lhe diagnosticado em setembro de 2025. “Manifestou-se de forma incrivelmente rápida”, revelou o ex-atleta à ESPN, em dezembro. A dificuldade em concentrar-se e a perda de memória agravaram-se em agosto. “Tive sintomas estranhos como estes durante uma ou duas semanas, mas, a menos que algo esteja mesmo mal, sigo em frente”, contou. Na mesma entrevista, Collins garantiu que não ia “ficar de braços cruzados”, embora tivesse pela frente “uma das formas mais letais de cancro cerebral”. Tal como a sua avó, que também enfrentou um cancro, estava pronto para lutar. “Não vamos ficar de braços cruzados e deixar que este cancro me mate sem lutar ferozmente. Tenho cancro, mas, tal como a minha avó lutou, eu também vou lutar”, acrescentou.
https://youtu.be/RDlwuBFZmWM?si=KIQ79_tMGlGAGUkG&t=43
Também Adam Silver, Comissário da NBA, reagiu à morte de Jason Collins. “O impacto e a influência de Jason Collins estenderam-se muito além do basquetebol, pois ele ajudou a tornar a NBA, a WNBA e a comunidade desportiva em geral mais inclusivas e acolhedoras para as gerações futuras”, pode ler-se numa nota também divulgada pela NBA. Silver apontou Collins como “um exemplo de liderança e profissionalismo excecionais ao longo dos seus 13 anos de carreira na NBA e no seu trabalho dedicado como Embaixador da NBA Cares” — um programa de responsabilidade social da NBA. “Jason será lembrado não só por ter quebrado barreiras, mas também pela bondade e humanidade que marcaram a sua vida e tocaram tantas outras pessoas”, acrescentou.
https://twitter.com/NBA/status/2054329250543444372?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E2054329250543444372%7Ctwgr%5E16e603ec52d52108e4fa32e204b5bb775af28cef%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.marca.com%2Fbaloncesto%2Fnba%2F2026%2F05%2F13%2Fjason-collins-primer-jugador-abiertamente-homosexual-nba-muere-47-anos.html
A revelação sobre a sua homossexualidade e o significado do número 98
Jason Collins é, no basquetebol, um símbolo de transição para uma cultura de maior inclusão na NBA. Quando publicou o artigo na revista Sports Illustrated, em abril de 2013, um trabalho conjunto com o escritor Franz Lidz, revelou o quão difícil era viver com o segredo que escondia. “A pressão de esconder a minha sexualidade tornou-se quase insuportável em março, quando o Supremo Tribunal dos EUA ouviu os argumentos a favor e contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A menos de cinco quilómetros do meu apartamento, nove juízes discutiam sobre a minha felicidade e o meu futuro. Ali estava a minha oportunidade de ser ouvido, e eu não conseguia dizer nada“, assumiu no artigo. “Fico feliz por me assumir em 2013 e não em 2003. O clima mudou; a opinião pública mudou. E, no entanto, ainda temos um longo caminho a percorrer. Todos têm medo do desconhecido, mas a maioria de nós não quer voltar a uma época em que as minorias eram abertamente discriminadas”, acrescentou.
Collins vestiu a camisola número 98 pelos Boston Celtics e pelos Washington Wizards. E a escolha pelo número não foi ao acaso. “Esse número tem um grande significado para a comunidade gay. Um dos crimes de ódio contra os homossexuais mais notórios ocorreu em 1998. Matthew Shepard, um estudante da Universidade do Wyoming, foi raptado, torturado e amarrado a uma cerca na pradaria. Morreu cinco dias depois de ter sido finalmente encontrado. Nesse mesmo ano, foi fundado o Trevor Project. Esta organização incrível oferece intervenção em situações de crise e prevenção do suicídio a jovens que lutam com a sua identidade sexual. Acreditem em mim, eu conheço essa luta. Lutei contra uma lógica insana. Quando vestia a minha camisola, estava a fazer uma declaração a mim mesmo, à minha família e aos meus amigos“, revelou no mesmo artigo.
Entre muitas outras reações, surgiram as de alguns dos clubes que Collins representou ao longo de mais de 700 jogos e de 13 épocas na NBA: Nets, Washington Wizards, Boston Celtics e Atlanta Hawks. Os Minnesota Timberwolves republicaram a nota de homenagem da NBA. Os Memphis Grizzlies, cujo basquetebolista Brandon Clarke morreu esta terça-feira, não se manifestaram publicamente, mas prestaram um minuto de silêncio, em homenagem a ambos os atletas, antes da partida diante dos Houston Rockets.
https://twitter.com/NBA/status/2054359541647638824
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