(em atualização)
Foi quase uma questão de destino. Depois de três dias na Bulgária, o Giro entrou finalmente em Itália e agarrou desde logo uma camisola rosa italiano, com Giulio Ciccone a assumir a liderança da classificação geral da prova pela primeira vez na carreira e uma década após ganhar a primeira etapa na competição. De forma natural, como o próprio assumiu e em lágrimas, Cosenza testemunhou o concretizar de um sonho.
“Sonhava com este momento desde que era criança. Como italiano, tenho sempre na cabeça a imagem de Marco Pantani de rosa. Era o meu grande sonho e comecei nesta modalidade a ambicionar vestir esta camisola. Ainda tinha uma conta pendente com o Giro e hoje foi um dia verdadeiramente belíssimo. Queria muito conseguir vestir esta camisola, nem que fosse apenas por um dia ou por uma noite. Este momento compensa todos os sacrifícios que fiz”, explicou o ciclista de 31 anos de Lidl-Trek, lembrando o italiano que ganhou o Giro e o Tour nos anos 90 e que morreu tragicamente em 2004 e com apenas 34 anos.
https://observador.pt/2026/05/12/um-italiano-de-rosa-no-primeiro-dia-em-italia-jhonatan-narvaez-vence-em-cosenza-giulio-ciccone-salta-para-a-lideranca/
Giulio Ciccone resgatou a camisola rosa, com quatro segundos de vantagem para Jan Christen, Florian Stork e Egan Bernal, enquanto que o grande favorito Jonas Vingegaard cumpriu os primeiros quilómetros em Itália para ficar ainda a 10 segundos da liderança da classificação geral. No contingente português, embora a um minuto da camisola rosa, Afonso Eulálio continuava a ser melhor do que António Morgado e Nélson Oliveira — ao ponto de, esta terça-feira, ter cruzado a meta no sexto lugar.
Ora, esta quarta-feira e no segundo dia em Itália, a quinta etapa do Giro ligava Praia a Mare e Potenza ao longo de 203 quilómetros, naquele que era o primeiro grande teste de montanha da prova pelas colinas de Basilicata, com ascendente acumulado de 4.100 metros a 15% de inclinação. Para piorar ainda mais, naquele que acabou por ser o dia mais duro da prova até agora, a chuva e o granizo complicaram a tarefa dos ciclistas — que chegaram mesmo a ter a visibilidade muito reduzida nas fases mais elevadas do percurso.
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A etapa não demorou a ter a primeira fuga, através de Robert Stannard, Magnus Sheffield, Mattia Bais, Mikkel Bjerg e Fredrik Dversnes, mas a chuva torrencial que ia caindo e a subida ao Valico di Prestieri não permitiam grandes separações do pelotão. Os sprinters foram caindo e os candidatos aos primeiros lugares da classificação geral conseguiram manter-se no grupo da frente, entre ataques e acelerações solitárias que só serviam para impor algum ritmo e não necessariamente para assumir uma dianteira vincada.
A dada altura, um grupo de cinco ciclistas conseguiu conquistar uma distância de 36 segundos: Einer Rubio, Gianmarco Garofoli, Victor Campenaerts, Guillermo Thiago Silva e o português Afonso Eulálio, que estava prestes a tornar-se um dos protagonistas da etapa. O grupo da frente engordou, chegou a ter mais de um minuto de vantagem, emagreceu e foi apanhado pelo pelotão. Na antecâmara da Montagna Grande di Viggiano, Igor Arrieta (EAU Emirates) soltou-se e assumiu a candidatura clara à etapa. Mas teve companhia.
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Afonso Eulálio acelerou, separou-se de Guillermo Thomas Silva, Christian Scaroni, Jhonatan Narváez, Gianmarco Garofoli e Lorenzo Milesi e foi sozinho atrás de Igor Arrieta — ou seja, a dada altura e a menos de 50 quilómetros da meta, o português da Team Bahrain Victorious já era o camisola rosa virtual e tinha uma chance clara de terminar o dia enquanto líder da classificação geral do dia. Uma chance que, como se foi percebendo à medida que o tempo foi passando e com a vantagem que foi cavando para o pelotão, só se tornou mais clara, efetiva e impressionante.
A cerca de 12 quilómetros do fim e com o asfalto encharcado pela chuva torrencial que foi caindo ao longo da tarde, Igor Arrieta caiu numa curva e perdeu mais de 30 segundos. Afonso Eulálio também caiu a 6,5 quilómetros da meta, o que aproximou os dois, o espanhol da UAE Emirates ainda cometeu um erro no percurso, mas conseguiu recuperar a tempo e ganhou mesmo em Potenza. Já Eulálio, de apenas 24 anos, ficou em segundo e assegurou a rosa, tornando-se o terceiro português de sempre a liderar o Giro, depois de Acácio de Silva em 1989 e João Almeida em 2020. Além disso, é também o quarto português a liderar uma Grande Volta, juntando-se Joaquim Agostinho na Vuelta em 1976.
Guillermo Thomas Silva, uruguaio da Astana que já vestiu a camisola rosa, encerrou o pódio da quinta etapa do Giro, enquanto que Nélson Oliveira ficou em 77.º e António Morgado em 129.º. O favorito Jonas Vingegaard cruzou a meta em 27.º, estando agora a 6.22 minutos de Afonso Eulálio, que tem 2.51 minutos de vantagem para Igor Arrieta e 3.34 para Christian Scaroni, acumulando agora a camisola rosa com a branca, da classificação da juventude.
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