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(A) :: Tiros no Senado das Filipinas após apelo de aliado de Duterte contra detenção ordenada pelo TPI

Tiros no Senado das Filipinas após apelo de aliado de Duterte contra detenção ordenada pelo TPI

Foram ouvidos cinco disparos no Senado em Manila. Ronald de la Rosa, procurado pelo TPI por crimes contra a humanidade, está barricado no gabinete desde segunda-feira e pediu mobilização popular.

João Paulo Godinho
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Marina Ferreira
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Vários tiros foram disparados esta quarta-feira no Senado das Filipinas, em Manila, adianta a Reuters, que acrescenta que até ao momento não se registaram feridos. A agência de notícias refere também que não é certo, até ao momento, quem foi o autor dos disparos.

O presidente do Senado, Alan Cayetano, falou brevemente aos jornalistas no exterior do edifício e confirmou que foi informado pelas autoridades que tiros tinham sido disparados, sem dar mais detalhes. “Os ânimos estão exaltados”, afirmou, citado pela France 24, admitindo que “supostamente” estavam a ser atacados.

Há relatos de pelo menos uma dúzia de tiros, que ocorreram pouco depois de Ronald de la Rosa, um antigo colaborador do ex-presidente filipino Rodrigo Duterte e considerado o principal executor da guerra contra as drogas, ter apelado nas redes sociais para a população se mobilizar contra a sua detenção, face ao mandado de captura emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

“Apelo-vos, espero que possam me ajudar. Não permitam que outro filipino seja levado a Haia”, disse de La Rosa num vídeo publicado no Facebook.

Ronald de la Rosa, de 64 anos, estará refugiado no seu gabinete no Senado desde segunda-feira, na sequência da emissão do mandado do TPI por alegados crimes contra a humanidade. O ex-colaborador de Rodrigo Duterte negou qualquer envolvimento em execuções num período em que terão morrido quase 6 mil pessoas no âmbito desta guerra contra as drogas.

De la Rosa afirmou estar disposto a ser julgado num tribunal filipino, mas insiste que qualquer transferência para o TPI será ilegal, uma vez que o país já não é signatário do Estatuto de Roma desde 2019. No entanto, o TPI tem um entendimento diferente e defende que os crimes cometidos durante o período em que as Filipinas ainda eram signatárias estão sob a sua jurisdição.

https://twitter.com/Reuters/status/2054556020383318282

Depois de não ser visto em público há cerca de seis meses, de la Rosa compareceu na segunda-feira no Senado, onde alguns aliados terão colocado o antigo líder da polícia nacional filipina sob proteção, apesar de um impasse com as forças de segurança. Na véspera, Ronald de la Rosa pediu ao Presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., a não o entregar ao TPI.

Entretanto, mais de 10 militares com fardas de camuflagem e espingardas de assalto entraram nas instalações do Senado.

Ronald de la Rosa é apontado como coconspirador no processo do TPI contra Duterte, o antigo chefe de Estado das Filipinas, que liderou o país entre 2016 e 2022 e foi detido em março de 2025. Foi então levado para o TPI, em Haia.

Dela Rosa era o principal colaborador de Duterte, supervisionando uma repressão implacável durante a qual milhares de supostos traficantes de drogas foram mortos nas Filipinas. Grupos de direitos humanos acusaram a polícia de assassinatos sistemáticos e encobrimento de uma campanha que procurava  a “neutralização de figuras ligadas ao tráfico de drogas em todo o país”. A polícia rejeita as alegações e afirma que as mais de 6 mil pessoas mortas na Operação Double Barrel estavam todas armadas e resistiram à detenção.

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