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(A) :: Direita chumba programa do PS para mitigar custo de vida em Lisboa. Socialistas acusam maioria de "falta de responsabilidade social"

Direita chumba programa do PS para mitigar custo de vida em Lisboa. Socialistas acusam maioria de "falta de responsabilidade social"

As medidas de apoios e isenções apresentadas pelo PS provocaram críticas da esquerda e da direita. Irresponsabilidade, populismo e oportunismo político foram alguma das que se fizeram ouvir na AM.

Agência Lusa
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O programa do PS/Lisboa para mitigar a subida do custo de vida foi chumbado esta terça-feira por PSD, CDS, IL e Chega na Assembleia Municipal, com trocas de acusações de irresponsabilidade financeira pela direita e de irresponsabilidade social pelos socialistas.

O documento, subscrito pelo PAN, mereceu ainda a abstenção de PCP e PEV.

Os socialistas propunham que a Assembleia Municipal de Lisboa (AML) recomendasse à Câmara Municipal de Lisboa (CML) a criação de um programa municipal extraordinário e temporário, com medidas como a isenção do pagamento das rendas municipais de habitação e refeições escolares e a gratuitidade do uso dos transportes da Carris para todos.

No debate desta terça-feira, o socialista Miguel Coelho referiu a subida dos preços de bens essenciais devido à guerra contra o Irão lançada pelos EUA e Israel, justificando assim a proposta de medidas durante três meses “para ajudar a esta verdadeira aflição que muitas famílias passam”.

Para o PSD, trata-se de “uma proposta aparentemente generosa, mas profundamente irresponsável”, “que se apresenta como social, mas que é financeiramente opaca” e que “dá com uma mão sem ter a coragem de explicar o que vai tirar com a outra”.

“Não aceitamos que o PS transforme uma preocupação legítima num exercício de propaganda política”, afirmou a social-democrata Liliana Fidalgo, acusando os socialistas de apresentarem uma “lista de medidas sem contas, sem financiamento e sem responsabilidade”.

Pelo CDS-PP, Francisco Camacho acusou o PS de populismo e oportunismo político, considerando que a recomendação “está longe de ser séria”, enquanto Pedro Bugarin, da IL, considerou tratar-se de “uma proposta cega que não analisa nem identifica quais são os grupos mais vulneráveis” e de um exercício de populismo orçamental, e Erica Ricardo, do Chega, falou em “insulto aos lisboetas” com um “manifesto de hipocrisia política”, questionando se a intenção é “levar a Câmara Municipal à bancarrota”.

Sofia Lisboa, do PCP, reconheceu que várias medidas poderiam ter impacto positivo, mas acusou o PS de ter tido influência nas questões de fundo que afetam os lisboetas, como os salários baixos, a precariedade laboral, a especulação imobiliária ou a degradação dos serviços públicos.

Entre outras acusações, a deputada comunista apontou o dedo ao PS por não ter revogado as normas impostas na legislação laboral durante o tempo da Troika e por ter mantido benefícios fiscais para grupos imobiliários.

Já João Monteiro, do Livre, defendeu que “a autarquia tem obrigação e oportunidade de, antecipando tempos difíceis, procurar dar respostas efetivas”, apontando a isenção de taxas ao Rock in Rio, ou o apoio ao controverso “chic-nic” como receitas que poderiam ser usadas em tempos extraordinários. “Tempos excecionais requerem medidas excecionais, a questão é se queremos apoiar os lisboetas ou não”, rematou.

Também António Valente, do PAN, criticou as isenções fiscais aos festivais e a devolução de IRS aos munícipes, defendendo ser “da mais elementar justiça que a política municipal se concentre no essencial: apoiar quem mais precisa”.

Pelo BE, Rodrigo Machado acusou a direita de mudar de tom consoante o beneficiário do apoio: “Se for a gente um bocadinho mais chique, geralmente e por hábito nunca se fala em irresponsabilidade orçamental”, atirou.

No encerramento do debate, Miguel Coelho acusou a maioria das bancadas de “enorme falta de responsabilidade social” e o PCP de convergir com a direita. “As pessoa estão a sofrer, a passar fome, as crianças estão a comer pior e vocês assobiam para o lado”, apontou.

“O CDS, quando foi a covid-19, exigiu à câmara um pacote de 200 milhões de euros para fazer face à crise, […] a IL e o PSD do Porto isentam os transportes públicos, mas aqui ‘oh la la'”, apontou o socialista, indicando a disponibilidade do partido para discutir um aumento da taxa turística para financiar este pacote.

A recomendação do PS previa também a isenção do pagamento de serviços de apoio à família e atividades extracurriculares para todos, o pagamento do pequeno-almoço a todas as crianças do Ensino Básico público, o reforço do Fundo de Emergência Social e de Recuperação de Lisboa e outros instrumentos, para contemplar despesas extraordinárias com energia e combustíveis por famílias vulneráveis, e ainda a reativação do Cabaz Bebé com apoio mensal de 25 euros por criança até aos 18 meses, destinado a famílias do Rendimento Social de Inserção (RSI).