Há indignações muito justificadas no mundo da toponímia. Imaginem uma família que, finalmente, consegue arranjar casa, mas é junto à Praça Hugo Chávez, na Amadora. Por um lado, é uma alegria enorme ter um lar. Por outro, ler todos os dias, mal se sai do prédio, “Praça Hugo Chávez” dá vontade de voltar para dentro, expulsar do organismo o que do pequeno-almoço já tenha chegado ao estômago e tentar novamente. E voltar a entrar. E voltar a expulsar. E voltar a tentar…
Ainda se fosse ler o nome numa pichagem do PCP ou do Bloco de Esquerda, no contexto de uma frase do tipo, “Viva Hugo Chávez! Abaixo o fascismo!”, a coisa até dispunha bem, para começar o dia. Seria um daqueles casos em que há forte humorismo na contradição de festejar algo supostamente contrário a uma coisa muito má, quando, na prática, ambas as coisas são igualmente péssimas. Mas não, “Hugo Chávez” está mesmo ali, inscrito na pedra, numa placa paga por cidadãos que desejam, digo eu, continuar a viver o mais longe possível de qualquer realidade semelhante à da Venezuela chavista.
Não estou com isto a sugerir a renomeação de toda e qualquer rua, praça, ou largo com nome de ditador sanguinário que haja por esse país fora. Estou apenas a sugerir que alguém devia sugerir a renomeação de toda e qualquer rua com nome de ditador sanguinário que haja por esse país fora, uma vez que me parece coisa para dar infinda chatice. Agora, avançando para um projecto dessa envergadura, era acrescentar ao rol de renomeações o Largo do Rato, em Lisboa.
Vamos lá ver. O rato, em si, não tem culpa, coitado do bicho. É da natureza do rato deslocar-se para locais ocupados por residentes. Sim, que fala-se muito em gentrificação, mas amiúde apenas para camuflar o problema que aflige o coração das nossas cidades: a ratificação. Agora, que tem de haver um problema, grave, com o Largo do Rato, tem. E se a prova de ali ter nascido a sede do PS não bastava — e se bastava — agora é este caso grotesco dos abusos cometidos na esquadra da PSP do Rato. Vai-se a ver e toda aquela praça foi construída em cima de um antigo cemitério índio, como no clássico Poltergeist, e portanto nada devemos esperar que medre naquele endereço para além de puro terror.
Terror do género daquele que boa parte da comunicação social e todo o governo de Pedro Sánchez parecem querer criar em torno do hantavírus. Isto é gente que não descansa enquanto não nos injectar mais um carregamento de vacinas por testar, enquanto não nos impingir mais testes PCR por esfregar, e enquanto não nos espetar mais máscaras por perdigotar. A febre que anda por aí para que este novo vírus pegue como a COVID só confirma uma coisa: Pedro Sánchez pode estar em vias de abandonar a NATO, mas já abraçou com convicção o hantavírus.
E é mesmo um daqueles abraços de urso, de quem, para continuar agarrado ao poder, anseia por mais uns estados de emergência, umas suspensões de liberdades e umas impressões valentes de dinheiro para continuar a adquirir eleitores previamente demolhados em miaúfa pelos media.
Agora, alguém me explique que fenómeno terrível é este que afecta o transporte marítimo. São flotilhas para Gaza pejadas do bicho do islamofascismo; são navios de cruzeiro em Tenerife repletos de hantavírus; e por cá há anos que nos habituámos a cacilheiros no Tejo tomados pela peste das greves… Eu não sei, mas dá-me ideia que, neste momento, a melhor forma de não ter um azar com navios é embarcar num petroleiro que vá atravessar o Estreito de Ormuz.
À atenção da família que mora junto à praça Hugo Chávez, na Amadora, e que pode estar a pensar ir de férias num cruzeiro, para esquecer o Hugo Chávez: olhem que a brincadeira ainda acaba a bordo de um MV Hondius atracado nas Canárias à mercê de um Pedro Sánchez.