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Caso Epstein. Sobreviventes testemunham em Palm Beach sobre crimes sexuais e "acordo preferencial"

Audição quer perceber como Epstein conseguiu acordo que comutou pena por prostituição de menores e as suas ligações a figuras poderosas como Trump.

Ricardo Reis
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Sobreviventes de crimes sexuais alegadamente perpetrados por Jeffrey Epstein vão testemunhar esta terça-feira, na Câmara Municipal de Palm Beach, na Flórida, numa audição da Comissão de Fiscalização e Reforma da Câmara dos Representantes, segundo o The Palm Beach Post.

O propósito da sessão é a denúncia dos crimes que estas sobreviventes garantem ter sofrido e perceber como Epstein consegui o “acordo preferencial“, negociado em 2007, que permitiu a comutação da pena de prisão por prostituição de menores, de acordo com a CBS. Além disso, procura também entender-se as conexões do milionário que morreu na prisão com figuras poderosas, como Donald Trump.

“Palm Beach é onde os crimes de Jeffrey Epstein viram pela primeira vez a luz do dia, e onde os procuradores ofereceram a Epstein um acordo preferencial que o permitiu continuar com os seus crimes”, afirmou o deputado democrata, Robert Garcia, membro sénior da comissão, num comunicado, segundo o The Guardian.

A também democrata Ayanna Pressley publicou na rede social Facebook que pretende tornar a audição num “modelo de responsabilização, para denunciar os danos e abusos sistémicos que não só afetaram as sobreviventes de Epstein, como continuam a ocorrer agora em comunidades por todo o país”.

No entanto, Jack Scarola, advogado de muitas das vítimas, confessou na segunda-feira à afiliada Palm Beach da ABC, WBPF, que não tinha a certeza se iria à audição e pediu “algo substancial que ajuda a evitar uma recorrência do fiasco de Jeffrey Epstein-Ghislaine Maxwell”

“Se estes legisladores que estão realmente motivados para fazer alguma coisa produtiva, fazer outra conferência de imprensa com as vítimas de Epstein alinhadas atrás deles, para outra oportunidade de ter fotos, não vai avançar com os interesses das sobreviventes”, lamentou.

As primeiras denúncias e o “acordo preferencial”

As primeiras denúncias surgiram em 2001, quando três jovens, que trabalhavam na mansão de Epstein e Ghislaine Maxwell, contactaram a polícia, dizendo que a companheira do predador sexual as abordou na Palm Beach Atlantic University à procura de “mulher jovens, bonitas e solteiras”, lembra o The Palm Beach Post.

As jovens “foram em várias ocasiões [à mansão de Epstein] e recebiam 200 dólares por dia para atender chamadas”, que vinham de homens que diziam “onde iriam deixar determinadas raparigas“, tendo duas delas sido alegadamente “tocadas inapropiadamente” por Epstein.

No entanto, o caso acabou por ser arquivado, por não ter sido detetado “nenhuma atividade ilegal”, segundo o The Palm Beach Post, após repetidos contactos com as jovens não terem produzido provas suficientes para uma condenação.

Foi também aqui que Virginia Giuffre, uma das principais vozes que denunciou o predador sexual, trabalhou como massagista, entre 2000 e 2002. Este é também o local onde Giuffre terá sido vítima de Epstein e, alegadamente, de Andrew Mountbatten-Windsor. Giuffre era menor de idade na altura dos crimes.

Em 2005, um outro caso foi investigado, desta vez quando uma adolescente de 14 anos e os seus pais denunciaram Epstein por violação, segundo o Miami Herald, um caso que deu origem à investigação do FBI e que acabou na primeira condenação do magnata.

Porém, a pena foi cumprida sob um “acordo preferencialnegociado em 2007 com Alexander Acosta, procurador-geral do Distrito do Sul da Flórida, no qual Epstein se declarava culpado dos crimes de prostituição e prostituição de menores e evitava os crimes federais de que era acusado, lembra a CNN. Epstein acabaria por ser condenado a apenas 13 meses de prisão, antes de sair em liberdade, em 2009.

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