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Um italiano de rosa no primeiro dia em Itália: Jhonatan Narváez vence em Cosenza, Giulio Ciccone salta para a liderança

Depois de três dias na Bulgária, o Giro arrancou em Itália e viu Jonathan Narváez ganhar, Nélson Oliveira em destaque, Thomas Silva a perder a rosa e o italiano Giulio Ciccone saltar para a liderança.

Mariana Fernandes
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Depois de três dias na Bulgária e um dia de folga para viagens, deslocações e preparações, o Giro chegava finalmente a Itália. Esta terça-feira, a quarta etapa da Volta a Itália prolongava uma 109.ª edição da prova que já teve dois triunfos de Paul Magnier, duas quedas alargadas com vários desistentes e, mais do que isso, um camisola rosa inédito e surpreendente.

Guillermo Thomas Silva, de apenas 24 anos, tornou-se o primeiro uruguaio a ganhar uma etapa numa Grande Volta e agarrou a camisola rosa ao vencer no passado sábado, na segunda tirada, mantendo a liderança da classificação geral no dia seguinte e com quatro segundos de vantagem. Mostrou-se “sem palavras”, dedicou a vitória ao pai e ao Uruguai, recebeu uma mensagem de parabéns de Luis Suárez e pouco ou nada adiantou sobre uma personalidade que quase ninguém conhecia até sábado. O colega de quarto, porém, ajudou.

https://observador.pt/2026/05/10/na-hora-da-despedida-paul-quer-continuar-a-viver-o-sonho-magnier-bate-milan-e-bisa-neste-giro-guillermo-silva-continua-de-rosa/

Arjen Livyns, companheiro de Guillermo Thomas Silva na Astana, desdobrou-se em entrevistas e revelou o lado mais íntimo do atual camisola rosa do Giro. “A camisola rosa está lá encostada na cadeira do quarto. Não está dobrada como deve ser nem nada, está lá na cadeira com o resto da roupa dele. Não tem a camisola pendurada num cabide nem sequer está num sítio muito visível do quarto. E claro que também não dormiu com ela, não é esse tipo de pessoa. Continua a estar com os pés na terra”, explicou o belga em declarações à Cycling Flash sobre o uruguaio que anteriormente representou a Caja Rural.

“Ele não está habituado a ter este tipo de atenção e é a primeira vez que passa por algo deste género. É um tipo amigável, mas muito calmo. Não mostra emoções de forma exuberante, não tem propriamente um temperamento sul-americano. Esteve sempre super calmo, com um discurso normal, até parecia algo embaraçado por estar com a camisola rosa. Depois da vitória na segunda etapa ainda bebemos um copo para celebrar. Mas foi uma coisa muito pequena e ele manteve-se muito profissional”, disse Arjen Livyns, que defendeu ainda que o colega de quarto pode perfeitamente segurar a camisola rosa até à sétima etapa.

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Ora, para além da liderança de Guillermo Thomas Silva, o Giro tem ficado marcado pelas desistências na sequência das quedas alargadas nas duas primeiras etapas, com Jay Vine, Adam Yates, Marc Soler ou Aleksandr Vlasov a abandonarem a competição. Já esta terça-feira, nas horas antes do arranque da etapa, foi a vez de Wilco Kelderman também anunciar que não poderá voltar a correr — ou seja, que o favorito Jonas Vingegaard tinha acabado de perder um dos seus principais gregários.

A etapa desta terça-feira, a primeira do Giro em Itália, ligava Catanzaro e Cosenza ao longo de 138 quilómetros na região de Calabria. Com cerca de 1.800 metros de desnível acumulado, tinha como ponto alto a subida ao Cozzo Tunno, uma ascensão de aproximadamente 14,5 quilómetros com inclinação média de 5,9%. A chegada, porém, fazia-se com três quilómetros de ambiente urbano e uma reta de 450 metros. Ainda antes do arranque, ficou confirmado o abandono de Kaden Groves, australiano da Alpecin–Premier Tech, por sequelas ainda da queda na primeira etapa.

Martin Marcellusi, Darren Rafferty, Warren Barguil, Mattia Bais e Niklas Larsen lideraram a primeira fuga, sendo rapidamente acompanhados por Johan Jacobs, e o grupo de seis ciclistas acabou por cavar uma distância de mais de dois minutos face ao pelotão. A aproximação à subida ao Cozzo Tunno levou a Movistar a implementar um ritmo mais intenso, apanhando parte da fuga e deixando bem para trás nomes muito fortes — como Jonathan Milan, Paul Magnier ou o próprio Guillermo Thiago Silva, para além de Tobias Lund Andresen, que era um dos favoritos a ganhar a etapa.

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A perseguição da Movistar liderada por Lorenzo Milesi anulou definitivamente a fuga a quatro quilómetros do Cozzo Tunno e Nélson Oliveira, o português da equipa espanhola, passou em primeiro na subida e resgatou 18 pontos para a classificação de montanha. Egan Bernal perdeu contacto com esse grupo da frente de cerca de 40 ciclistas — que também incluía Jonas Vingegaard e Afonso Eulálio — a dada altura, chegando a rodar a cerca de 30 segundos de Milesi, Oliveira e companhia, mas conseguiu reencontrar-se com a luta pela vitória a cerca de 15 quilómetros do fim.

Na chegada ao sprint e ligeiramente a subir, Jan Christen (UAE Emirates) atacou a mais de um quilómetro da meta e praticamente ofereceu a vitória ao colega Jhonatan Narváez, com Orluis Aular (Caja Rural) a ficar no segundo lugar e Giulio Ciccone (Trek-Segafredo) a encerrar o pódio para conquistar a camisola rosa e liderar o Giro pela primeira vez na carreira — e colocar um italiano na frente no primeiro dia em Itália. Afonso Eulálio foi o melhor português, cruzando a meta em sexto, Nélson Oliveira ficou em 43.º e António Morgado foi 124.º.

Giulio Ciccone tem agora quatro segundos de vantagem para Jan Christen, Florian Stork e Egan Bernal, sendo que Jonas Vingegaard foi 18.º e está a dez segundos da liderança. Esta quarta-feira, a quinta etapa do Giro liga Praia a Mare a Potenza ao longo de 203 quilómetros e com o primeiro verdadeiro teste de montanha, na subida a Prestieri, com 13 quilómetros a 4% de inclinação.

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