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(A) :: Tortura na PSP. Agente suspeito de revelar informação a colegas não investigava caso

Tortura na PSP. Agente suspeito de revelar informação a colegas não investigava caso

Alegado responsável pela fuga de informação "não integrava a equipa de investigação do inquérito". Agente foi alvo de processo disciplinar e afastado do dispositivo de investigação criminal da PSP.

Miguel Pereira Santos
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O agente da PSP suspeito de revelar aos colegas que estavam a ser investigados por suspeitas de abusos e tortura não integrava a equipa de investigação dos crimes alegadamente praticados na Esquadra do Rato. A Direção Nacional da PSP confirmou esta terça-feira que o alegado responsável pela fuga de informação foi alvo de um processo disciplinar e afastado do dispositivo criminal da PSP.

“A responsabilidade penal será apurada no âmbito do competente inquérito criminal”, acrescenta-se numa nota enviada às redações, em que a PSP afirma que esta alegação foi “objeto de imediata reação”.

Esta segunda-feira, fonte oficial da PSP tinha confirmado que este agente tinha sido transferido devido às acusações de que é alvo. “O suspeito está devidamente identificado e foi determinada a instauração de um processo disciplinar e a transferência do seu local de trabalho pelo Comandante do Comando Metropolitano de Lisboa”, esclareceu a PSP em resposta às perguntas enviadas pelo Observador.

Este agente terá transmitido a informação confidencial a pelo menos um dos suspeitos. De acordo com a CNN, isso permitiu aos polícias saberem alguns dos locais que iriam ser alvo de buscas, pedir aconselhamento a advogados e, em pelo menos um caso, pedir baixa médica no dia antes da operação. Durante as alegações no interrogatório aos agentes, a procuradora Felismina Carvalho Franco invocou esta informação como exemplo do perigo grave e concreto de perturbação do inquérito por parte dos suspeitos.

A informação foi obtida devido à apreensão dos telemóveis dos suspeitos, que conheceram esta segunda-feira as medidas de coação. Ficaram em prisão preventiva quatro dos 14 agentes suspeitos de abusos e tortura; no entanto, segundo o advogado Carlos Melo Alves, que representa cinco dos detidos na última ação da PSP relacionada com este caso, é uma medida temporária: os agentes deverão passar em breve para prisão domiciliária, estando apenas a aguardar o relatório social dos serviços prisionais para poder sair da prisão. Outros três agentes foram suspensos de funções.

https://observador.pt/2026/05/11/esquadra-do-rato-policia-suspeito-de-passar-informacao-a-colegas-investigados-foi-transferido-e-e-alvo-de-processo-disciplinar/