Depois do Parlamento, a pressão para a queda de Keir Starmer vem agora do próprio governo britânico. São já quatro os secretários de Estado que anunciaram a sua demissão esta terça-feira, exigindo que o atual primeiro-ministro inicie um processo de transição de poder.
Miatta Fahnbulleh, secretária de Estado da Descentralização, Religiões e Comunidades, foi a primeira governante a demitir-se na atual crise política no Reino Unido, à qual se seguiram no espaço de horas Jess Phillips, secretária de Estado da Salvaguarda, Alex Davies-Jones, secretária de Estado das Vítimas e Violência contra Mulheres e Zubir Ahmed, secretário de Estado da Saúde.
“Exorto o primeiro-ministro a fazer o que é certo para o país e para o partido e a estabelecer um calendário para uma transição ordenada”, defendeu a secretária de Estado da Descentralização, Religiões e Comunidades. “A mensagem deixada à sua porta era clara: o senhor, primeiro-ministro, perdeu a confiança do povo. O nosso país enfrenta enormes desafios e as pessoas pedem por uma mudança da magnitude que isso exige. O povo não acredita que o senhor seja capaz de liderar essa mudança — e eu também não”, escreveu Miatta Fahnbulleh numa carta endereçada a Starmer e publicada nas redes sociais.
“Eu gostaria verdadeiramente de continuar a finalizar o trabalho crítico que comecei. Mas à medida que vejo o trabalho do Governo, é evidente que a magnitude do progresso e das conquistas individuais está a ser minimizada e desvalorizada pela falta de uma liderança baseada em valores. Os últimos dias deixam claro que as pessoas do Reino Unido perderam, irremediavelmente, a confiança em si enquanto primeiro-ministro”, escreveu Zubir Ahmed, numa carta dirigida a Starmer e citada pelo Guardian.
Esta terça-feira, Keir Starmer liderou reunião do conselho de ministros em que foram discutidas alternativas para o futuro do governo britânico. No final da mesma, o gabinete de Starmer publicou um comunicado em que reafirma esta terça-feira a sua permanência no cargo. “O país espera que continuemos a governar. É isso que estou a fazer e o que devemos fazer enquanto governo”, garantiu o primeiro-ministro britânico.
O primeiro-ministro escudou-se no facto de os deputados do partido trabalhista ainda não terem desencadeado formalmente um processo para contestar a sua liderança do partido — algo que pode ser feito, segundo as regras do partido, por um mínimo de 81 deputados, que já foi atingido entretanto.
Antes de Miatta Fahnbulleh anunciar a sua demissão do Executivo na rede social X, já vários adjuntos de gabinetes ministeriais se tinham demitido na segunda-feira. O jornal The Guardian, avançava na segunda-feira que existem ministros do Executivo de Starmer que, em privado, lhe pediram par pôr o lugar à disposição. Aliás, os anúncios de demissão de duas secretárias de Estado, Jess Phillips e Alex Davies-Jones, foram publicados após o primeiro-ministro britânico ter reiterado que se mantinha no cargo, no conselho de ministros desta terça-feira.
Starmer afasta demissão após pedido de mais de 1o0 deputados trabalhistas
Na sequência da reunião, Starmer assumiu que quer ultrapassar rapidamente a contestação interna. “Como disse ontem, assumo a responsabilidade por estes resultados eleitorais e assumo a responsabilidade de concretizar a mudança que prometemos. As últimas 48 horas foram desestabilizadoras para o governo e isso tem um custo económico real para o nosso país e para as famílias.”
Apesar de ter afastado a hipótese da demissão, o primeiro-ministro do Reino Unido está “a ouvir” os seus colegas do partido trabalhista, garantiu esta terça-feira um dos seus aliados mais próximos no governo britânico. Os comentários foram feitos depois de mais de 100 deputados trabalhistas terem pedido esta segunda-feira que Keir Starmer desse início a um processo de transição na liderança do governo devido ao desempenho desastroso do seu partido nas eleições locais e regionais da última semana.
https://observador.pt/2026/05/12/starmer-afasta-demissao-apos-pedido-de-mais-de-70-deputados-trabalhistas/
“Falei com o primeiro-ministro ontem à noite [segunda-feira], como seria de esperar, e ele está a conversar com os colegas que levantaram questões ontem. Mas ele também foi muito claro: ao chegar ao escritório esta manhã, tal como todos nós, estamos absolutamente concentrados no nosso trabalho, em cumprir o que prometemos ao público”, disse esta segunda-feira Darren Jones, ministro-adjunto do primeiro-ministro. Questionado se isso significava que Starmer está a reconsiderar a sua permanência no cargo, apenas acrescentou: “Não vou antecipar-me a nenhuma decisão que o primeiro-ministro possa ou não tomar”.
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