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Fact Check. Comitiva da Lula da Silva foi atacada com ovos durante última visita do Presidente do Brasil a Lisboa?

Com o ambiente político no Brasil ainda muito polarizado, publicações alegam que Lula da Silva teve de fugir depois de a sua comitiva ter sido atingida com ovos em Lisboa. Mas é falso.

Tiago Caeiro
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A frase

Uma multidão gigantesca cercou o local, ovos voaram na comitiva e o clima ficou tão tenso que o “pai dos pobres” teve que fugir pelos fundos para não encarar o povo!”

— Utilizador do Facebook, 22 de abril de 2026

Várias publicações que circulam no Facebook alegam que a comitiva do Presidente do Brasil, Lula da Silva, foi atacada com ovos em Lisboa, obrigando mesmo o chefe de Estado brasileiro a fugir. “O petista passou o maior vexame da sua vida em Portugal hoje, 21 de abril de 2026! Uma multidão gigantesca cercou o local, ovos voaram na comitiva e o clima ficou tão tenso que o “pai dos pobres” teve que fugir pelos fundos para não encarar o povo!”, lê-se numa das publicações.

A mesma publicação, que conta com milhares de reações, sublinha que “nem a segurança conseguiu conter a revolta dos portugueses que não aceitam corrupto em seu palácio!”, acusando ainda a televisão brasileiro Globo de tentar “esconder” o alegado incidente na capital portuguesa. “Mas o mundo inteiro viu esse desastre diplomático!”, conclui-se.

Na principal imagem que acompanha a publicação, pode ver-se o Presidente do Brasil com um semblante visivelmente consternado, a ser empurrado, e com uma multidão em protesto por trás. Algumas dessas pessoas seguram cartazes com a frase “Lula, ladrão, o seu lugar é na prisão”.

O Presidente do Brasil fez uma visita oficial a Portugal no passado dia 21 de abril, tendo-se reunido com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o Presidente da República, António José Seguro. Durante a reunião entre o chefe de governo português e Lula da Silva foram discutidos temas de cooperação nas áreas de ciência, de tecnologia e de inovação, adiantou a diplomacia brasileira. Já com o seu homólogo português, o chefe de Estado brasileiro falou sobre segurança internacional e temas de interesse da comunidade brasileira, como a nova lei de nacionalidade portuguesa.

Nos jardins em frente ao Palácio de Belém, formaram-se duas manifestações para receber o Presidente brasileiro: uma a favor e outra contra Lula da Silva, sendo que a esta última se juntou o Presidente do Chega, André Ventura. No entanto, o Presidente do Brasil não teve qualquer tipo de interação com nenhuma das manifestações, tendo entrada e saído do Palácio de Belém de carro, sem fazer qualquer paragem. As manifestações decorreram sem qualquer ato de violência ou incidentes.

https://observador.pt/factchecks/fact-check-imagens-mostram-protestos-durante-visita-de-lula-da-silva-a-portugal-em-abril/

Não há qualquer notícia ou comunicado das forças policiais, nomeadamente da PSP, a dar conta do lançamento de ovos ou de qualquer outro ato hostil contra a comitiva de Lula da Silva. Para além disso, a imagem partilhada nas publicações do Facebook é falsa, e foi gerada com recurso a Inteligência Artificial, como apontam sites de deteção de conteúdo gerado por IA como o ZeroGPT.

Conclusão

A comitiva do Presidente do Brasil, Lula da Silva, não foi atacada com ovos durante a última visita oficial do chefe de Estado brasileiro a Portugal, a 21 de abril. Assim como Lula da Silva não se viu obrigado a refugiar-se ou a fugir em nenhuma momento da visita. Não existe qualquer notícia a dar conta de um incidente desse género ou informações veiculados pelas forças de segurança portugueses sobre atos de violência nas manifestações que decorreram à margem da visita de Lula da Silva. Para além disso, a principal imagem que surge nas publicações — e que mostra Lula da Silva rodeado por uma multidão em protesto — é falsa, e foi gerada por Inteligência Artificial.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.