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(A) :: O 13 de Maio continua a dizer mais de Portugal do que o Parlamento 

O 13 de Maio continua a dizer mais de Portugal do que o Parlamento 

A  persistência da alma nacional, resistente mesmo depois de décadas de  secularização, relativismo moral e empobrecimento espiritual.  

Miguel Bento Alves
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O 13 Maio continua a ser uma das poucas datas capazes de revelar a identidade profunda  portuguesa. Não é a verdade dos dados, das eleições ou dos media tradicionais.

Algo nos revelam as reportagens ou testemunhas de centenas de milhares de portugueses continuarem a caminhar até Fátima num tempo que insiste em dizer que a religião pertence ao  passado, o espiritual é um resíduo arcaico e que só pela técnica, o consumismo e do individualismo,  a modernidade se constrói. O 13 de Maio demonstra precisamente o contrário: Portugal continua a  ser muito mais do que uma periferia administrativa europeia. Continua a ser uma civilização com  memória espiritual.

É por isto que Fátima continua a dizer mais de Portugal do que o próprio Parlamento. O Parlamento  sim, representa conjunturas, interesses, disputas que envelhecem em semanas e telejornais mas  Fátima… representa continuidade. O Parlamento traduz o país representativo-político e legal;  Fátima revela boa parte do país real. A nossa política tem dificuldades de motivação, de mobilizar  esperança, sacrifício ou sentido coletivo, Fátima agrega gerações inteiras em torno de algo superior  ao indivíduo. E isto incomoda algumas elites, porque apesar de décadas de secularização cultural,  o catolicismo continua a ser um dos últimos elementos verdadeiramente agregadores da identidade portuguesa.

As aparições de 1917 surgem numa Primeira República agressivamente anticatólica, que à força  queria substituir séculos de herança cristã por uma nova religião política: a da revolução e do jacobinismo. Fátima emerge precisamente como resistência espiritual a este projeto. E talvez seja  esta a dimensão mais desconfortável de Fátima para a cultura política moderna portuguesa:  Portugal não vive sem a sua dimensão espiritual.

Em pleno 2026, os problemas de Portugal vão mais além da economia, da saúde, da habitação ou  educação. É moral e histórico. Jacques Maritain sempre advertiu ao longo da sua obra que uma  sociedade que perde a noção transcendente e universal da pessoa humana acaba inevitavelmente  por reduzir o homem a consumidor, eleitor ou uma mera peça funcional da máquina económica. O  Papa Leão XIII por sua vez, antecipou os perigos de uma modernidade construída à base do egoísmo  e do materialismo. Temos hoje uma sociedade mais confortável, mas simultaneamente mais frágil,  desligada e incapazes de responder às perguntas fundamentais da nossa existência.

Talvez por isso exista ainda uma vergonha ou medo em assumir publicamente a fé católica,  sobretudo nas gerações mais jovens (inclusive a minha) que foram moldadas pelo digital. Mas essa  mesma modernidade, que prometeu liberdade total, emancipação, prosperidade mas acabou por  produzir vazio, solidão e perda de sentido. E é precisamente por isso que Fátima continua viva:  recorda um país inteiro que a nossa espécie continua a precisar de transcendência.

A Igreja Católica permanece, apesar de todas as fragilidades humanas, uma das últimas guardiãs  da continuidade histórica portuguesa. Sem cristianismo, Portugal arrisca-se a tornar-se apenas uma  geografia sem identidade e sem missão. O Padre António Vieira compreendeu isso quando via  Portugal como realidade espiritual antes de ser apenas entidade política.

O significado do 13 de Maio em 2026 reside exatamente aí: recordar que nenhuma civilização  permanece viva depois de perder completamente a sua alma.

Salve, Nossa Senhora de Fátima e que Portugal nunca tenha vergonha de ajoelhar diante  daquilo que lhe deu alma, identidade e esperança!!