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(A) :: Putin "nunca esteve tão fraco" e até admite negociar com o "senhor Zelensky" e a Europa. Porquê agora?

Putin "nunca esteve tão fraco" e até admite negociar com o "senhor Zelensky" e a Europa. Porquê agora?

Putin mudou discurso: admite falar com Zelensky e até com europeus, tendo escolhido o antigo chanceler alemão para interlocutor. Situação militar russa está a piorar e a Ucrânia ganha vantagem.

José Carlos Duarte
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Neonazi, viciado em drogas e um mero comediante. Desde 24 de fevereiro de 2022, a Rússia não tem poupado críticas nem insultos ao Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. O Kremlin nunca escondeu que queria um líder na Ucrânia mais amigável e pró-russo — este foi, aliás, um dos objetivos assumidos da “operação militar especial” que já dura há mais de quatro anos. Este sábado, porém, aconteceu algo inédito: o chefe de Estado russo, Vladimir Putin, não criticou o rival, cujo nome evitou pronunciar durante muito tempo. Em vez disso, tratou-o por “senhor Zelensky” — um termo novo e incomparavelmente mais respeitoso do que os usados no passado.

No sábado, a Rússia organizou o desfile do Dia da Vitória, que celebrou os 81 anos da vitória do Exército Vermelho sobre a Alemanha nazi. Ao contrário do que aconteceu em 2025, quando o Kremlin apostou num espetáculo grandioso para mostrar o poderio militar, o desfile de 2026 foi mais curto, discreto e com muito menos brilho. Aliás, a Ucrânia ameaçou atacar Moscovo com drones e ainda brincou com a situação ao dar uma alegada “autorização” para que o desfile acontecesse. Mais do que a parada em si, entre bloqueios à internet e uma operação de segurança sem precedentes, o 9 de maio de 2026 expôs uma fragilidade que há muito não se via na Rússia.

Neste contexto, no sábado, Vladimir Putin disse aos jornalistas que acredita que a guerra na Ucrânia “está perto do fim”. O Presidente russo abriu a possibilidade de se encontrar com o “senhor Zelensky”, mas impôs a condição de que isso seria apenas numa fase final de um eventual processo de paz, quando já estivesse praticamente fechado um acordo. E até concedeu que a Europa podia estar sentada à mesa das negociações, ainda que tenha escolhido para interlocutor alguém com um longo historial pró-russo: o antigo chanceler alemão, Gerhard Schröder.

https://twitter.com/Osint613/status/2053500970898755934

Mesmo com todas as limitações, o Presidente russo aparenta ter feito algo praticamente inédito desde o início da guerra: ceder. Nos últimos dois anos, Moscovo evitou admitir a hipótese de um encontro pessoal com Volodymyr Zelensky e preferiu a ideia de negociar apenas com o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), que funcionaria como mediador da Ucrânia na mesa das negociações. O objetivo era claro: jogando com o impulso de Donald Trump em querer terminar o conflito o mais depressa possível — e conhecendo a desconfiança do republicano e de parte da administração em relação a Kiev —, o Kremlin esperava levar avante uma posição maximalista. 

Contudo, isso nunca aconteceu. Apesar de Donald Trump manter alguma hostilidade em relação à liderança ucraniana, os EUA continuam a prestar apoio militar e logístico à Ucrânia, mesmo que seja através da NATO. A Europa passou a ficar com grande parte do encargo financeiro do conflito, mas Washington tem dado luz verde à compra de equipamentos militares para as forças ucranianas e continua a partilhar informações confidenciais, essenciais para travar avanços russos na linha da frente. Nesta ordem de ideias, o esforço de guerra ucraniano não vai cessar pelo menos nos próximos dois anos — o empréstimo de 90 mil milhões de euros da União Europeia (UE) aprovado em abril de 2026 serve precisamente para isso.

A guerra de atrito — e o consequente impasse militar na maior parte da linha da frente — deverá, assim, manter‑se. Mas algo mudou em relação aos últimos anos: as condições políticas dentro da Rússia. A taxa de aprovação de Vladimir Putin tem vindo a cair há várias semanas e o desconforto com a guerra começa a tornar‑se visível. Tirando partido da superioridade tecnológica no uso de drones, a Ucrânia tem atacado cidades e infraestruturas em território russo, provocando disrupções no dia a dia. Os sucessivos bloqueios à internet deixaram muitos russos irritados, enquanto a situação económica continua a piorar. Perante este cenário, o chefe de Estado russo apresenta‑se agora como disponível para negociar. Mas será esse um esforço honesto — ou apenas uma manobra tática?

https://observador.pt/especiais/o-gulag-digital-a-economia-a-decair-e-a-guerra-sem-fim-a-vaga-inedita-de-criticas-a-putin-na-russia/

Putin quer negociar e situação militar russa está a piorar: “O cenário é bem sombrio”

O Presidente russo já tinha tentado passar a imagem de que queria negociar. Na Páscoa ortodoxa, em meados do mês passado, deixou em aberto a hipótese de uma trégua limitada. Antes do Dia da Vitória também — com receio de que a Ucrânia atacasse Moscovo com drones durante o desfile. Aliás, Vladimir Putin falou ao telefone na quarta-feira, dia 29 de abril, para negociar com Donald Trump um cessar-fogo temporário a 9 de maio. Durante o telefonema, os dois líderes falaram sobre o conflito e que tipo de negociações poderia haver.

No último ano e meio, desde que Donald Trump regressou à Casa Branca, a Rússia levantou vários problemas em negociar diretamente com o lado ucraniano. As negociações estão num impasse; o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, admitiu na semana passada que estagnaram. Os Estados Unidos tentaram facilitar um processo de paz, mas os resultados não “deram frutos”: “Continuamos preparados para desempenhar esse papel se puder ser produtivo. Não queremos gastar o nosso tempo ou investir energia num esforço que não avança”.

Entre chamadas telefónicas, reuniões presenciais na Suíça e nos Emirados Árabes Unidos e viagens a Moscovo e Kiev dos enviados especiais norte-americanos, a administração Trump empenhou-se para que esta guerra terminasse. Mas as duas partes mantiveram-se sempre inflexíveis em relação a um ponto: o futuro e o controlo da região do Donbass. A Rússia quer controlar inteiramente a província de Donetsk e Lugansk, mas a Ucrânia não aceita uma cedência territorial nestes moldes, ainda para mais quando as tropas ucranianas ainda controlam partes de Donetsk.

"Continuamos preparados para desempenhar esse papel se puder ser produtivo. Não queremos gastar o nosso tempo ou investir energia num esforço que não avança."
Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre negociações de paz
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As duas partes mantiveram-se inflexíveis. O assessor presidencial do Kremlin, Yuri Ushakov, declarou, este domingo, que, se a Ucrânia “não tomar o passo” de abdicar do Donbass, as negociações “vão ficar no mesmo sítio” para sempre. “Esse é o ponto crucial da questão”, sublinhou o responsável, acrescentando: “Eles sabem que na Ucrânia precisam de fazer isso e que vão eventualmente fazê-lo de qualquer maneira”.

O argumento com que o Kremlin tem tentado convencer os Estados Unidos e alguns europeus da necessidade de negociar é simples: militarmente, a Rússia teria meios suficientes para conquistar o Donbass. Nesta lógica, mais vale chegar a uma solução diplomática do que deixar o conflito arrastar‑se eternamente. No entanto, esta tese está a cair por terra. Na primavera de 2026, a Ucrânia voltou à ofensiva em várias partes da linha da frente. Segundo um relatório do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), em abril a Rússia perdeu, pela primeira vez em muitos meses, terreno face às tropas ucranianas, que reconquistaram cerca de 116 quilómetros quadrados.

Ou seja, a dinâmica no campo de batalha parece estar a mudar ao fim de três anos de guerra em larga escala. Durante grande parte desse período, a Rússia conseguiu manter a iniciativa e avançar, ainda que lentamente, no teatro de operações. Em maio de 2026, o jogo começa a mudar. Com novas soluções tecnológicas e o uso massivo de drones, a Ucrânia tem conseguido voltar ao ataque e forçar as tropas russas a abandonar posições em vários pontos da linha da frente.

E não é apenas na linha da frente. A Ucrânia tem conduzido ataques em larga escala em território russo, concentrando-se sobretudo em grandes instalações petrolíferas. Os alvos não são aleatórios: são precisamente as receitas do petróleo e do gás natural que sustentam a máquina de guerra russa. Como sublinha o editorial do Wall Street Journal deste domingo, Kiev tem conseguido atingir instalações de produção de petróleo, depósitos de armas e outros objetivos militares em profundidade. “Isso ajuda a explicar a falta de confiança de Putin em exibir o poderio russo na Praça Vermelha” neste fim de semana.

Ao jornal The Economist, o analista militar Seth Jones explica que a Rússia “não se consegue defender contra os ataques de drones” ucranianos em solo russo, ao ponto de já não haver “qualquer lugar verdadeiramente seguro” para Moscovo — nem mesmo a Praça Vermelha. “A realidade é que eles estão a ter dificuldades [na linha] da frente”, referiu também, vaticinando: “É difícil ver como as coisas podem melhorar para a Rússia. Para quem dá informações a Putin… O cenário é bem sombrio”.

A Ucrânia tem mesmo dado várias dores de cabeça ao Kremlin nas últimas semanas em que até um prédio civil em Moscovo foi atacado. A perceção dominante, ainda assim, continua a ser a de que a Rússia está em vantagem no campo de batalha. O Kremlin quer explorar precisamente essa ideia: a de que ainda mantém vantagem. Mesmo que a realidade no terreno já não corresponda exatamente a isso, Vladimir Putin quer negociar a partir de uma posição de força — algo que pode mudar rapidamente se Kiev intensificar os esforços militares.

"É difícil ver como as coisas podem melhorar para a Rússia. Para quem dá informações a Putin... O cenário é bem sombrio."
Analista militar Seth Jones

A situação interna russa e estará Putin a ser sincero?

Neste momento do conflito, a diplomacia aparenta ser, para o Kremlin, a melhor forma de tentar terminar a guerra reclamando algum tipo de vitória. Vladimir Putin parece ter abandonado a ambição inicial de uma mudança de regime em Kiev. Para o Presidente russo, o cenário ideal seria consolidar as posições nas quatro regiões que Moscovo já declarou como parte da Federação Russa: Donetsk, Kherson, Lugansk e Zaporíjia. No limite, o chefe de Estado russo admite que a Ucrânia mantenha sob controlo algumas parcelas de Kherson e Zaporíjia, desde que o restante território fique nas mãos de Moscovo.

Além disso, a situação interna na Rússia está a piorar a olhos vistos. Os bloqueios de internet — juntamente com os esforços para impedir o uso de VPNs, mecanismos que permitem contornar a censura ao simular uma ligação a partir de outro país — motivaram críticas crescentes ao regime russo, inclusive entre apoiantes do regime. Pela primeira vez desde o início da guerra, a popularidade de Vladimir Putin caiu de forma expressiva, regressando a níveis próximos dos registados antes da invasão. Com protestos públicos.

Em simultâneo, o custo de vida está a aumentar substancialmente na Rússia. Apesar de a guerra no Irão ter feito subir os preços do petróleo e aumentado as receitas, isso não foi suficiente para compensar as restantes perdas financeiras. O esforço de guerra na Ucrânia pesa cada vez mais nas contas públicas russas e começa a ter repercussões: mais impostos, cortes e inflação. A isto, somam‑se os ataques ucranianos a infraestruturas petrolíferas em território russo, que reduziram a capacidade produtiva e limitaram novas receitas.

Num país em que a manutenção do poder de Vladimir Putin deve ser mantida a todo o custo, a guerra na Ucrânia parece ter-se tornado, finalmente, impopular para uma parte significativa da população — e até para alguns dos apoiantes do Presidente. Por conseguinte, e também para consumo doméstico, o Presidente russo afirmou que a “guerra estava a acabar” — palavras que muitos russos desejam verdadeiramente ouvir.

Dito doutro modo, ciente de que a guerra está cada vez mais a ficar impopular, o chefe de Estado russo pode ter tentado transmitir a mensagem sem nunca agir para mudar a situação. No discurso que fez na Praça Vermelha, no sábado, Vladimir Putin atacou a NATO para refletir sobre o estado do conflito na linha da frente: “Apesar de lutarem contra uma força agressiva que é apoiada por todo o bloco da NATO, os nossos heróis continuam a avançar”.

Poderá então ser apenas só oportunismo político para contentar parte da opinião pública russa? Em declarações à Al Jazeera, o analista Keir Giles lembra que as palavras de Vladimir Putin até podem ser encaradas com “esperança e otimismo”, mas adverte que já houve “imensas promessas nos últimos 18 meses” para terminar a guerra — que nunca se concretizaram.

“O melhor que podemos esperar é que Putin agora tenha entendido que, de facto, não está a ganhar a guerra”, prossegue Keir Giles. Se o Presidente russo tiver realmente chegado a essa conclusão, o analista acredita que talvez o chefe de Estado “esteja disposto a suspender o conflito o quanto antes” — ao contrário do que aconteceu no passado, quando “parecia convencido de que a Rússia poderia ganhar mais ao continuar a lutar do que com um cessar‑fogo imposto por Trump”.

Isso não deixa de agradar à liderança ucraniana, mesmo que o gesto não seja sincero. O Presidente ucraniano comentou o assunto este domingo: “Agora Putin diz, finalmente, que está pronto para reuniões a sério. Nós fizemos um pouco de pressão e estamos preparados para esses encontros há muito tempo. Precisamos encontrar um formato e terminar a guerra, garantindo verdadeiras condições de segurança”.

UE acha que Putin “nunca esteve tão fraco” e quer negociar, mas Putin escondeu armadilha

Durante o fim de semana, o Kremlin verbalizou algo que raramente tinha admitido. A Rússia reconheceu que a Europa desempenha um papel fundamental na proteção militar da Ucrânia — e parece ter assumido que dificilmente isso mudará no curto prazo. Um assessor do Kremlin admitiu que o Governo ucraniano ainda não cedeu o Donbass porque os europeus continuam a sustentar a máquina de guerra ucraniana. E Vladimir Putin avançou que o antigo chanceler alemão, Gerhard Schröder, poderia representar os interesses europeus como mediador em futuras negociações.

Gerhard Schröder foi chanceler da Alemanha entre 1998 e 2005. Pertencente ao Partido Social Democrata (SPD, sigla em alemão) de centro-esquerda, o político manteve sempre uma relação próxima com Vladimir Putin. O antigo líder germânico incentivou a dependência energética alemã em relação à Rússia e apostou no aprofundamento das relações entre Berlim e Moscovo.

Desde 2022, o antigo chanceler distanciou‑se do SPD na política externa — um partido que, ao contrário dele, passou a defender um apoio firme à Ucrânia. Gerhard Schröder manteve‑se ambíguo: reconheceu que a invasão foi ilegal, mas nunca criticou diretamente Vladimir Putin. Destacou também que não se deveria “demonizar a Rússia como inimigo eterno” e defendeu que a Ucrânia teria de fazer “concessões” na mesa das negociações.

De uma perspetiva russa, Gerhard Schröder seria um interlocutor perfeito. O Kremlin aparenta confiar no antigo chanceler, que, por sua vez, já assumiu que a Ucrânia terá de ceder e que a Rússia não deve ser “demonizada”. No entanto, a União Europeia reagiu de forma muito diferente. A líder da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afastou por completo esse cenário, lembrando que o antigo líder da Alemanha “tem sido o principal lobista das empresas estatais russas” e que é precisamente por isso que Vladimir Putin o quer nesse papel — “para conseguir, na prática, estar sentado dos dois lados da mesa”.

As críticas multiplicaram-se por vários ministros dos Negócios Estrangeiros europeus. A Ucrânia também rejeitou por completo. E Paulo Rangel falou mesmo numa “ideia descabida”. “É evidente que Gerhard Schröder não oferece condições. Isso seria o mesmo que dizer que devia ser Viktor Orbán [o antigo primeiro-ministro húngaro] a fazer as negociações. Quer dizer, é alguém que está completamente alinhado com o regime russo”, frisou.

No Governo alemão, surgem já vozes a dizer que a sugestão do antigo chanceler alemão para estar presente na mesa das negociações foi uma armadilha para confundir e dividir a opinião pública na Alemanha. O ministro da Defesa, Boris Pistorius, afirmou que parece “fazer parte da estratégia de guerra híbrida” russa. “Acredito que Putin está — em última análise — a tentar desviar a atenção da sua própria fragilidade com esta abordagem”, destacou o governante que, tal como Gerhard Schröder, pertence ao SPD.

Em todo o caso, existe um consenso cada vez mais generalizado de que chegou o momento de a UE falar com Vladimir Putin. E Kaja Kallas explicou porquê: “Acho que a leitura geral é que Putin nunca esteve numa posição tão fraca. [As forças russas] estão a perder muitas vidas no terreno, há um descontentamento crescente na sociedade russa — é por isso que estão a desligar a internet, para que as pessoas não consigam ver as notícias reais”.

“Acho que a leitura geral é que Putin nunca esteve numa posição tão fraca. [As forças russas] estão a perder muitas vidas no terreno, há um descontentamento crescente na sociedade russa — é por isso que estão a desligar a internet, para que as pessoas não consigam ver as notícias reais."
Chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, admitiu que poderá falar com o Presidente russo em breve. Para Bruxelas, Vladimir Putin nunca esteve tão debilitado internamente nem tão pressionado para terminar o conflito — e é nesse momento que muitos consideram dever aproveitar para conversar com o líder russo a partir de uma posição de força.

Nada indica, ainda assim, que esse diálogo esteja iminente. O Presidente russo continua, segundo Kaja Kallas, a manter “objetivos maximalistas” e as negociações diretas com Kiev estão, por agora, fora de questão. Vladimir Putin pode ter tentado manipular a perceção de que os europeus querem falar com ele para tentar obter ganhos políticos — e, ao mesmo tempo, garantir um aliado à sua medida na mesa das negociações.

Quatro anos depois do início da guerra, o Presidente russo parece estar disponível para dar uma chance à diplomacia, num momento em que as circunstâncias internas e militares estão longe de serem favoráveis. Contudo, Vladimir Putin está pouco disposto a fazer cedências, ao mesmo tempo que a Ucrânia vai enfraquecendo, passo a passo, o mito da invencibilidade russa.