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Um dos 17 norte-americanos retirados do MV Hondius, o navio de cruzeiro afetado por um surto de hantavírus, testou positivo mas não apresenta sintomas, disseram as autoridades de saúde dos Estados Unidos, enquanto em França um caso suspeito foi confirmado na manhã desta segunda-feira.
O voo fretado transportava 17 norte-americanos, retirados de avião após o navio ter chegado a Tenerife, a maior ilha do arquipélago das Caraíbas. A aeronave deveria chegar ao Nebraska, no centro dos EUA, no início do dia desta segunda-feira.
Os norte-americanos serão levados primeiro para a Universidade de Nebraska, que possui uma instalação de quarentena financiada pelo Governo federal, para avaliar se estiveram em contacto próximo com pessoas sintomáticas e os níveis de risco de propagação do vírus.
“Um passageiro será transportado para a Unidade de Biocontenção do Nebraska após a chegada, enquanto os outros passageiros irão para a Unidade Nacional de Quarentena para avaliação e monitorização”, disse a porta-voz do Centro Médico de Nebraska, Kayla Thomas.
“O passageiro que irá para a Unidade de Biocontenção testou positivo para o vírus, mas não apresenta sintomas”, acrescentou.
Esta segunda-feira, a ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist, confirmou em entrevista à rádio France Inter que “dos cinco cidadãos franceses a bordo, uma pessoa apresentou sintomas durante a viagem”. No passado domingo o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, indicou na rede social X que um dos cinco franceses retirados do MV Hondius e repatriados no domingo para França, apresentava sintomas de hantavírus.
https://twitter.com/SebLecornu/status/2053505679814500687?s=20
“Ele apresentou sintomas no avião de repatriamento”, informou. “Estes cinco passageiros foram imediatamente colocados em isolamento rigoroso até nova ordem, estão a receber cuidados médicos e serão submetidos a testes e a um exame de saúde”, acrescentou.
Além disso, o Governo vai aprovar “ainda esta noite” um decreto para implementar as medidas de isolamento adequadas a estes casos de contacto.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 42 dias de quarentena para quem esteve no navio, mas cada país é livre de tomar uma decisão, disse no domingo o diretor-geral da agência da ONU.
Tedros Adhanom Ghebreyesus disse que a OMS já emitiu uma recomendação de 42 dias de quarentena, “com seguimento ativo”, em casa ou numa unidade de saúde, para tripulantes e passageiros do MV Hondius após a saída do paquete.
Esta segunda-feira serão ainda desembarcadas e repatriadas 24 pessoas para a Austrália e Países Baixos.
O barco, com uma parte da tripulação a bordo, que não vai desembarcar nas Canárias, seguirá depois para os Países Baixos, onde está registado o cruzeiro e de onde é o armador.
A OMS confirmou até agora seis casos de oito suspeitos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram no barco. Três pessoas morreram e nenhum dos doentes ou suspeitos de estarem infetados estavam já a bordo quando o barco chegou às Canárias.
O navio viajava desde a Argentina, pelo Atlântico Sul, e suscitou um alerta sanitário internacional no passado fim de semana. O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa. Os sintomas da infeção com hantavírus são, inicialmente, semelhantes aos da gripe, como tosse, fadiga ou dores de cabeça e musculares. Dependendo da estirpe, o hantavírus pode provocar uma infeção pulmonar ou renal.
A OMS garante que o risco deste surto para a população em geral é baixo.