Quatro anos depois, o FC Porto voltou a cumprir o principal objetivo e venceu o Campeonato Nacional pela 31.ª vez. Tudo aconteceu na receção ao Alverca, em que os dragões se superiorizaram com mais um golo de Jan Bednarek, e com duas jornadas de antecedência, algo explica o que foi a temporada dos portistas, que dominaram do início ao fim e apresentaram uma grande consistência, através de um futebol sólido, com foco no momento sem bola e intenso. Apesar de já não ter praticamente nada em jogo, a equipa de Francesco Farioli pretende continuar a fazer história e repetir o feito alcançado pela versão 2021/22 do clube, que tinha Sérgio Conceição no comando técnico: chegar aos 91 pontos e bater o recorde de uma edição do Campeonato.
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Para isso, o FC Porto tinha de manter o foco e o nível exibicional dos últimos meses, numa altura que podia ser aproveitada para os jogadores menos utilizados ganharem espaço nas opções do treinador italiano. Nessa toada podia estar Borja Sainz, que podia aproveitar a viagem de Oskar Pietuszewski à Polónia, para realizar os exames de conclusão do ensino secundário. A semana que marcou a conquista do título ficou ainda marcada pela contratação em definitivo de Jakub Kiwior, com os dragões a pagarem 17 milhões mais cinco de variáveis por 100% do passe do polaco ao Arsenal, no mesmo dia em que a SAD do clube anunciou ter vendido a totalidade das ações da Porto Seguro – Sociedade Mediadora do Porto, Lda. à MDS Portugal. Por outro lado, o fim de semana começou com uma notícia menos boa, já que Bednarek e a sua família viram a sua casa assaltada na noite de sexta-feira e foram, alegadamente, ameaçados com uma arma branca.
“Há duas partidas por disputar e um desejo claro de fazer o melhor possível. Para atingirmos esse objetivo precisamos de duas vitórias. Queremos estar focados no jogo de amanhã [domingo], frente a um adversário que atravessa uma fase positiva. Teremos de estar prontos e bem preparados. Queremos terminar bem esta temporada e, de certa forma, começar já a preparar a próxima. Por um lado, com o espírito, o compromisso e o nível de desempenho que pretendo ver. Por outro, será uma oportunidade para observar alguns jogadores. Como sabem, desde o início da época temos gerido o plantel com alguma rotação. Nos últimos jogos poderemos voltar a alternar mais atletas para avaliar o seu estado atual. Além disso há um trabalho em curso há várias semanas sobre a visão para o clube, com reuniões com a direção, o departamento de scouting e a avaliação de perfis e possíveis reforços”, explicou Farioli na antevisão ao jogo da penúltima jornada.
Ficha de jogo
AVS-FC Porto, 3-1
33.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio do Clube Desportivo das Aves, na Vila das Aves (Santo Tirso)
Árbitro: Carlos Macedo (AF Braga)
AVS: Adriel Ramos; Mateus Pivô (Tiago Galletto, 48’), Cristian Devenish, Paulo Vitor, Leonardo Rivas; Gustavo Mendonça (Aderllan Santos, 76’), Roni Moura; Tunde Akinsola, Pedro Lima, Guilherme Neiva (Tomané, 68’); Diego Duarte
Suplentes não utilizados: Pedro Trigueira, Simão Bertelli; Óscar Perea, Andre Green, Carlos Ponck e Ángel Algobia
Treinador: João Henriques
FC Porto: Cláudio Ramos; Alberto Costa, Thiago Silva, Dominik Prpic, Francisco Moura; Alan Varela (Tiago Silva, 68’), Seko Fofana (Victor Froholdt, 59’), Rodrigo Mora (Gabri Veiga, 81’); Pepê (Oskar Pietuszewski, 68’), Borja Sainz (William Gomes, 59’) e Deniz Gül
Suplentes não utilizados: Diogo Costa; Jakub Kiwior, Pablo Rosario e Terem Moffi
Treinador: Francesco Farioli
Golos: Roni (23’ e 58’), Gül (53’) e Aderllan (80’)
Ação disciplinar: amarelo a Roni (59’), Prpic (61’ e 90+2’) e Lima (85’), vermelho a Henrique Monteiro (diretor executivo FC Porto, 28’) e Prpic (90+2’)
No duelo que opôs as extremidades da tabela classificativa desta Primeira Liga, os portistas visitaram um AVS já despromovido e com o último lugar garantido. A equipa de João Henriques não se conseguiu encontrar com os pontos ao longo deste Campeonato, embora tenha somado quatro jogos consecutivos sem perder na reta final da época. “Acredito que é possível tirar pontos ao FC Porto e este jogo não foge à regra. Na minha carreira já os defrontei 11 vezes, perdi nove, empatei uma e ganhei uma. É difícil, mas não é impossível. É difícil identificar um onze-base porque têm capacidade para mudar sem perder qualidade. Olho mais para as dinâmicas da equipa. Da nossa parte temos de estar no máximo. Num jogo destes, os astros também têm de estar alinhados. O FC Porto vai tentar impor o seu jogo e nós vamos fazer a nossa parte. O FC Porto domina muitos indicadores e teremos de contrariar vários fatores. A equipa sabe o que tem de fazer. Depois, é futebol, e qualquer resultado pode acontecer”, perspetivou Henriques.
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Na visita à Vila das Aves, Francesco Farioli voltou a rodar o seu onze inicial, que contou com oito caras novas, mantendo apenas Alberto Costa, Pepê e Deniz Gül. Nesse sentido, Cláudio Ramos, Thiago Silva, Dominik Prpic, Francisco Moura, Alan Varela, Seko Fofana, Rodrigo Mora e Borja Sainz são titulares, com Diogo Costa, Jakub Kiwior, Pablo Rosario, Victor Froholdt, Gabri Veiga e Oskar Pietuszewski a sentarem-se no banco, onde esteve também Tiago Silva, médio de 18 anos que tem rodado entre a equipa B e a de Sub-19. Por seu turno, Jan Bednarek não viajou com a equipa por conta do incidente que sofreu, juntamente com Zaidu Sanusi, que não estará na melhor condição física. Depois de ter cumprido castigo na última jornada, Gustavo Mendonça voltou ao meio-campo da equipa de João Henriques, rendendo Tiago Galletto, naquela que foi a única novidade do AVS.
Como seria de esperar, os dragões tiveram uma entrada forte no jogo, perante uma formação avense organizada em 4x2x3x1, e colecionaram duas oportunidades logo a abrir, com Sainz (4′) e Mora (5′) a não conseguirem encontrar a direção da baliza de Adriel Ramos. Apesar do domínio portista, o AVS foi feliz na primeira e única oportunidade que teve na primeira parte: Tunde Akinsola cobrou um canto na direita chegado à baliza, Ramos não conseguiu chegar à bola e, no meio da confusão, Gül cortou para a entrada da área, onde Roni Moura apareceu sozinho a receber e a desferir um remate cruzado para o golo inaugural (23′). A partir daí o jogo continuou de sentido único, mas os dragões pouco conseguiram criar, mostrando sérias dificuldades em ligar o seu jogo no último terço. Nesse sentido, a vantagem avense perdurava ao intervalo (1-0).
A etapa complementar arrancou com uma grande intempérie no Estádio do Clube Desportivo das Aves e com os mesmos 22 protagonistas, mas por pouco tempo, já que Mateus Pivô lesionou-se logo no início e teve de ser rendido por Tiago Galletto. O FC Porto acabou por tirar proveito desse momento e empatou o jogo logo a seguir, com o passe em profundidade de Dominik Prpic a entrar entre o lateral-direito e o central do AVS, antes de Borja Sainz picar perante a saída de Adriel Ramos e Deniz Gül completar de cabeça em cima da baliza, num momento que deixou o espanhol com alguma insatisfação (53′). A resposta da equipa da Vila das Aves voltou a ser com eficácia, numa jogada em que Guilherme Neiva serviu Roni Moura em apoio e o médio brasileiro voltou a abrir o livro, agora com um golaço de fora da área (58′). Francesco Farioli não perdeu tempo e colocou de imediato Victor Froholdt e William Gomes nos lugares de Seko Fofana e Sainz, mas a sua reação foi travada por Adriel Ramos, que brilhou ao travar os cabeceamentos de Gül (63′) e Alberto Costa (64′).
Já com Tiago Silva, em estreia na equipa principal (saiu Alan Varela), e Oskar Pietuszewski (Pepê) em campo, bem como Tomané (Neiva), os dragões fizeram o empate por William, mas o lance foi anulado por fora de jogo de Gül (74′), antes de Galletto também ter tido o seu tento anulado (77′). Pelo meio, João Henriques colocou Aderllan Santos no lugar de Gustavo Mendonça e passou a defender com três centrais, algo que até acabou por ser positivo para o AVS, que chegou ao terceiro golo logo a seguir: Tunde Akinsola cobrou um livre na direita para a área, Cláudio Ramos saiu muito mal da baliza, não chegou à bola e permitiu a Aderllan cabecear para a baliza deserta (80′). Para a reta final do jogo, Farioli colocou Gabri Veiga no lugar de Rodrigo Mora, antes de o central ter impedido o golo de Pietuszewski com um grande corte (84′) e de Thiago Silva desferir um remate de longe que saiu perto (87′). Nos descontos, Prpic ainda foi expulso por duplo amarelo, numa falta dura cometida sobre Pedro Lima (90+2′). Desta forma, os dragões perderam pela segunda vez neste Campeonato.