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(A) :: O prémio para quem soube mudar de Ares com outro Midas (a crónica do quarto titulo europeu de hóquei do FC Porto)

O prémio para quem soube mudar de Ares com outro Midas (a crónica do quarto titulo europeu de hóquei do FC Porto)

FC Porto conseguiu bater Barcelona numa final europeia à oitava tentativa e venceu o ex-técnico Ricardo Ares como um novo timoneiro, Paulo Freitas, talhado para ser melhor nas decisões (3-1).

Bruno Roseiro
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Paulo Freitas ia apelando à calma nas paragens técnicas mas o tempo começava mais uma vez a fugir ao FC Porto. Tudo jogava contra os dragões, que perdiam frente ao Óquei de Barcelos, tinham o Pavilhão Dr. Mário Mexia a puxar pelos minhotos em busca de nova final europeia e defrontavam uma das equipas que melhor sabe gerir os momentos dos jogos. Foi aí que, num golpe de génio, Gonçalo Alves fez o empate, numa jogada individual que terminou a levantar a bola na área antes do toque final com a bola a bater na pista e a passar por cima de Guillem Torrents. Foi assim no tempo regulamentar, foi assim no prolongamento, acabou por ser assim no desempate por grandes penalidades. Numa época atípica com muitos altos e baixos, os dragões puxaram do coração para superarem todas as dificuldades e voltarem à decisão da Liga dos Campeões.

https://observador.pt/2025/05/11/fizeram-mesmo-historia-oquei-de-barcelos-vence-fc-porto-nos-penaltis-e-sagra-se-campeao-europeu-34-anos-depois/

Agora, a distância para o título tinha pelo meio a equipa que mais vezes jogou com os azuis e brancos em provas internacionais: o Barcelona. Pela 40.ª vez, o FC Porto defrontava os catalães, num duelo que caíra mais vezes para o lado contrário do que para o próprio (19-12, com oito empates). Mais: em todas as sete finais entre ambos até aqui, os blaugrana tinham conseguido sempre vencer, no tempo regulamentar, no prolongamento ou nas grandes penalidades (1985, 1997, 2000, 2004, 2005, 2014 e 2018). No entanto, e depois dessa “vingança” fria frente aos minhotos depois da final perdida no ano passado nos penáltis em Matosinhos, agora era também tempo de acertar contas com um adversário com muitas caras conhecidas.

https://twitter.com/FCPorto/status/2053412379313012995

“Acreditámos sempre no processo. Tivemos muito rigor. Foi um jogo muito igualado, com as equipas a temerem-se, um jogo de meias-finais da Liga dos Campeões. Estava muita coisa em jogo. Amanhã [Domingo] estaremos aqui para lutar até à última gota do nosso suor para vencer a Liga dos Campeões”, tinha destacado Paulo Freitas, técnico do FC Porto, ainda antes da vitória do Barcelona frente ao Benfica por 4-3, já depois de terem eliminado o campeão mundial, Sporting, com um triunfo por 2-0 no final do prolongamento. “Ainda só estou há alguns meses com estes jogadores e ganhar uma Liga dos Campeões com eles seria espetacular. Queremos muito ganhar a Champions. Conheço bem o FC Porto mas eles também me conhecem bem. Têm mais quatro horas de descanso mas numa final não há cansaço”, apontara Ricardo Ares, técnico do Barça.

https://observador.pt/2023/05/07/o-titulo-que-pinto-da-costa-mais-ansiava-chegou-33-anos-depois-fc-porto-sagra-se-campeao-europeu-de-hoquei-em-patins/

A história dos dois treinadores acaba por ter pontos indiretos de contacto que voltavam agora a estar em cima da mesa. Ares chegou ao Porto para orientar os dragões em 2021, na sequência de duas finais da Liga dos Campeões conquistadas pelo Sporting então… de Paulo Freitas (2019 e 2021). Foi também com o antigo selecionador espanhol que os azuis e brancos conseguiram quebrar uma série de 11 derrotas consecutivas em finais da Liga dos Campeões, vencendo o Valongo em Viana do Castelo para celebrar o terceiro título europeu em 2023. Na última época, marcada pela derrota na decisão da Champions com o Óquei de Barcelos, os caminhos separaram-se. Ares rumou ao Barça para tentar colocar um ponto final numa série de oito anos sem vitórias europeias, tendo no plantel três jogadores que passaram por Portugal (Xavi Barroso, Ferran Font e Pablo Álvarez), Paulo Freitas trocou a Seleção Nacional pelo FC Porto… com o mesmo objetivo. Os dados para uma final em Coimbra que teria sempre muita história extra à mistura estavam lançados.

https://twitter.com/FCPorto/status/2053555034609070198

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Os dragões dificilmente poderiam ter um início melhor, com um cartão azul de Marc Grau a estender logo a passadeira para o FC Porto inaugurar o marcador por Rafa, após assistência de Gonçalo Alves, já depois de Carlo Di Benedetto ter permitido a defesa a Sergi Fernández num livre direto (2′). Não houve mais golos nessa situação de power play mas os dragões estavam por cima e colocavam grandes dificuldades em todas as tentativas de transição ou ataque organizado dos catalães, que pior ficaram quando Gonçalo Alves disparou um autêntico míssil do meio-campo que sofreu ainda um desvio no seu percurso e acabou por enganar Sergi Fernández. Com apenas oito minutos de jogo, o FC Porto tinha dois golos de vantagem.

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Ricardo Ares foi tentando parar o encontro, Sergi Fernández continuou a ganhar “descontos de tempo” nas paragens que utilizada para limpar a viseira, mas a defesa dos azuis e brancos continuava em evidência tendo um Xavi Malián a dar segurança na baliza. Foi assim que, apesar de ter beneficiado de quatro minutos em 4×3 após cartões azuis a Telmo Pinto e Hélder Nunes (que reencontrava também a anterior equipa), a equipa catalã não conseguiu sequer reduzir a desvantagem no resultado até ao intervalo, vendo ainda o seu guarda-redes brilhar na baliza em situações de 1×0 de Edu Lamas e Di Benedetto quando o FC Porto até estava em situação de under play, o que mostrava os erros que os catalães iam cometendo com e sem bola. Ainda houve uma tentativa com perigo de Alabart a bater no poste mas o 2-0 iria mesmo até ao descanso.

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Na segunda parte, com Ricardo Ares a colocar mais risco no jogo dos catalães, o Barcelona conseguiu mudar o figurino do encontro, ainda mais quando Alabart reduziu de grande penalidade após um corte com o patim na área de Di Benedetto tentando evitar que a picadinha vindo da parte de trás da baliza desse golo (28′). Aí, optando por jogar sempre pelo seguro, o FC Porto quis sobretudo agarrar nas rédeas da partida sabendo que os blaugrana estavam no limite das faltas, não aproveitando os dois azuis a Marc Gual (30′) e Xavi Barroso (34′) para aumentar a vantagem e ficar mais próximo do triunfo. Não foi pelo coletivo, apareceu o individual: Telmo Pinto teve uma fantástica jogada individual na área antes de rematar colocado para o 3-1 (45′). Hélder Nunes ainda falhou um livre direto no último minuto mas a história estava feita, com o FC Porto a ganhar à oitava vez ao Barcelona na decisão e a conquistar pela quarta vez o principal título europeu. Já para Paulo Freitas, que faz a estreia no comando dos dragões, foi a terceira Champions… em sete anos.

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https://twitter.com/FCPorto/status/2053551209399595016