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(A) :: Quando lhes tocam no orgulho, eles roçam a perfeição (a crónica do terceiro título europeu de futsal do Sporting)

Quando lhes tocam no orgulho, eles roçam a perfeição (a crónica do terceiro título europeu de futsal do Sporting)

Numa final onde foi melhor e deu uma prova de maturidade perante todas as lições retiradas nas vitórias e nas derrotas, Sporting venceu Palma em Pesaro e ganhou a terceira Champions da história (2-0).

Bruno Roseiro
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Era mais do que um jogo, daqueles que no final pode acabar como mais do que uma vitória ou derrota. Após o triunfo do Sporting frente aos espanhóis do Cartagena nas grandes penalidades, que até mesmo aí teve de passar pela morte súbita para encontrar um vencedor, Tomás Paçó era o exemplo paradigmático do peso do desfecho. Visivelmente emocionado, falou do trabalho que o grupo faz sem que as coisas saiam sempre como querem, recordou que esta era uma espécie de Last Dance num ciclo que vai trazer no final da época algumas mudanças no plantel, admitiu que tinha sido o jogo que causara mais emoções na quadra – e falamos de um jogador que já ganhou tudo o que havia para ganhar no clube e na Seleção aos 26 anos. Era mais do que um jogo e acabou com a vitória dos leões. No entanto, era ainda o penúltimo passo na caminhada.

https://observador.pt/2026/05/08/uma-defesa-de-portugal-a-fazer-a-diferenca-sporting-vence-cartagena-nos-penaltis-e-esta-na-final-da-liga-dos-campeoes/

Com uma exibição que voltou a subir a fasquia face a duelos grandes recentes, nomeadamente a final da Taça de Portugal frente ao Benfica (derrota por 6-5), o Sporting foi adiando esse regresso a uma decisão europeia por culpa da falta de eficácia no ataque e de erros pontuais defensivos aproveitados da melhor forma pelo Cartagena. Ainda assim, recuperou da desvantagem de dois golos ao intervalo, liderou no prolongamento e recorreu nos penáltis a um herói improvável chamado Gonçalo Portugal que voltou a encher a baliza para travar uma tentativa dos espanhóis antes do 6-5. O favoritismo dos leões confirmou-se por linhas que poucos esperavam, tal como aconteceria de seguida com o Palma Futsal frente ao surpreendente Étoile Lavalloise: começou a perder por 2-0, esteve em desvantagem por 6-1 na primeira parte, conseguiu ainda levar a partida para o desempate nas grandes penalidades onde venceu por 5-4. A final esperava estava confirmada.

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“Agora terá de ser igual. Vamos defrontar os campeões europeus, temos jogado algumas vezes contra eles e temos perdido. É uma equipa de muita qualidade, por isso ganhou três vezes esta prova. Nunca ninguém tinha conseguido isso. Só roçando a perfeição vamos estar mais próximos mas, mesmo roçando a perfeição, não quer dizer que isso nos garanta a vitória. O Palma é uma equipa super completa, com muita qualidade em todas as posições. Nunca é obra do acaso ganhar uma vez, quanto mais ganhar três vezes e consecutivas. Não vamos ter tantas situações de finalização como na meia-final mas o mais importante é, naquelas que tivermos, sermos um bocadinho mais eficazes porque o futsal é um jogo de eficácia”, apontara Nuno Dias.

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“Presenças do Sporting e do Palma na Final Four? Porque é que no futebol o Bayern, o PSG ou o Real Madrid estão mais vezes? As equipas fortes estão mais vezes nas decisões, no futsal tem acontecido o mesmo. Têm sido as mesmas equipas a chegar longe, porque ao longo das eliminatórias até aqui também têm sido as melhores. Como descrevo a nossa caminhada? Sonho é uma palavra boa, merecedores também me parece que sim. Mas, se fôssemos os melhores, ganhávamos mais vezes. O que é certo é que em jogos a contar, não em jogos particulares, das duas vezes que jogámos frente ao perdemos as duas. Melhor é quem ganha e o Palma tem sido melhor do que o Sporting. Favoritismo é 50/50 mas o que é certo é que o Palma tem ganho nestes momentos. Ganhou em Maiorca, ganhou o ano passado em França [Le Mans], portanto se tem ganho tem sido melhor do que o Sporting. Nós temos de dar um passo mais para poder ganhar”, acrescentara o técnico do conjunto verde e branco, em “resposta” aos elogios do homólogo do Palma, António Vadillo.

https://observador.pt/2025/05/02/sao-cinco-contra-cinco-e-no-final-ganha-o-palma-sporting-volta-a-perder-frente-aos-espanhois-e-falha-final-da-champions/

Pela quarta temporada consecutiva Sporting e Palma estavam ambos na Final Four da Liga dos Campeões, pela terceira vez iriam mesmo defrontar-se. Em 2023 o triunfo na final caiu para os espanhóis, com Rivillos a sentenciar o 5-3 nas grandes penalidades após o empate a um. No ano passado, o Palma voltou a vencer mas nas meias-finais e por 3-0, com dois golos nos dois minutos finais a fecharem as contas. Agora, havia em cima da mesa essa parte quase de “vingança”, com a formação leonina a querer também equilibrar a conta nas finais da Champions que chegava à oitava decisão com duas vitórias (2019 e 2021) e cinco derrotas (2011, 2017, 2018, 2022 e 2023). Tentou e conseguiu. Numa final que colocou a equipa de novo a roçar a perfeição, o Sporting mostrou como é uma das melhores equipas do mundo quando joga com o orgulho ferido e conseguiu mesmo o terceiro título europeu da história, vencendo por 2-0 o antigo tricampeão.

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À semelhança do que tinha acontecido com o Cartagena, o Sporting entrou melhor e assumiu o comando do encontro aproveitando também as dúvidas que as subidas de Bernardo Paçó para o 5×4 pela direita criavam na organização defensiva do Palma. Foi o próprio guarda-redes verde e branco que teve o primeiro remate com perigo travado por Dennis Cavalcanti (1′), foi também o guardião que roubou uma bola com os pés em zona adiantada para assistir Alex Merlim para o remate de novo travado pelo brasileiro (2′). Charuto, numa das poucas transições dos espanhóis fruto de um tiro prensado num adversário dos leões, teve a primeira tentativa à baliza para defesa de Bernardo Paçó (3′) mas era o Sporting que continuava por cima… e em vantagem: Diogo Santos arriscou o remate em jeito de pé esquerdo descaído na direita e a bola passou por entre as pernas de Cavalcanti, inaugurando o marcador frente a um Palma que pouco ou nada fez (4′).

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Aí, o brasileiro esteve mal. Antes, tinha estado bem. Depois, foi ainda melhor. Com um Sporting na melhor versão em termos ofensivos (menos na eficácia) e com enorme capacidade de travar as transições do Palma, foi Cavalcanti que manteve a diferença mínima no resultado, evitando várias oportunidades de golo com tiros enquadrados de Zicky Té, Chishkala, Alex Merlim e Pauleta sempre travados pelo guarda-redes brasileiro, que teve depois também a sorte do seu lado num remate de Felipe Valério que bateu no poste da baliza dos espanhóis (17′). Só mesmo nos minutos finais antes do intervalo houve mais Palma… mas por demérito dos leões: Diogo, que já tinha amarelo, chegou atrasado num lance com Ernesto, foi expulso por acumulação e deixou a equipa com menos um até ao intervalo com Bernardo Paçó a evitar todas as tentativas (18′).

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Era altura de ser racional, de perceber os momentos do jogo e de mostrar as lições que foram sendo tiradas com o tempo nas vitórias e nas derrotas. Esse foi o melhor resumo da segunda parte, que apesar de algumas tentativas do Palma para reentrar na partida foi conseguindo sempre controlar a partida criando ainda mais oportunidades para marcar. Zicky Té desviou de calcanhar ao poste após assistência de Felipe Valério (25′), houve ainda dois lances que levantaram dúvidas na área dos espanhóis por possível falta sobre Chishkala (um ainda foi ao VAR mas os árbitros não assinalaram qualquer infração) mas foi quando o Palma arriscou pela primeira vez o 5×4 com Alisson como guarda-redes avançado que chegou o 2-0, com Chishkala a apertar Alisson, a cortar contra a perna do brasileiro e a bola a seguir na direção da baliza contrária (37′). Já com João Matos na quadra, o Sporting só tinha de gerir o avanço que era agora de dois golos e foi isso que conseguiu, ficando muito perto do 3-0 num remate de Chishkala à trave e numa bola de Wesley isolado que acabou por ser cortada quando ia na direção da baliza. Ainda assim, o triunfo estava mais do que assegurado.

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