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(A) :: Na alma em que brilha o sonho de vencer, a glória do velho Académico renasceu: Viseu regressa à Primeira Liga 37 anos depois

Na alma em que brilha o sonho de vencer, a glória do velho Académico renasceu: Viseu regressa à Primeira Liga 37 anos depois

Depois de uma década em que passou do quarto para o segundo escalão em dois anos, o Académico deixou de bater na trave e está de volta à Primeira Liga. Torreense no playoff... com problema em vista.

Tiago Gama Alexandre
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“Na alma brilha o sonho de vencer
No rosto de quem joga há suor
Um misto de ousadia e de querer
Que o Académico seja o maior

Académico, Académico
De novo a tua glória renasceu
Académico, Académico
Orgulho da cidade de Viseu”

A capital da Beira Alta vai voltar a ter um representante na Primeira Liga. Como escreveu Glória Paiva, com música de Rui Rodrigues, num dos hinos do clube, o “orgulho da cidade de Viseu” deu mais um passo para “ser o maior”. Fundado a 17 de junho de 1914, o centenário Ac. Viseu, que é conhecido como a “voz do interior”, vai disputar pela quinta vez o Campeonato Nacional, algo que não acontecia há 37 anos. Para além disso, esta é a quarta subida da história dos viseenses, com 2026 a juntar-se a 1988, 1980 e 1978, o ano da estreia no primeiro escalão do futebol português. Importa ainda referir que é a primeira vez na história que os rivais de Viseu – Académico e Tondela – se podem enfrentar na Primeira Divisão, ficando por saber se os beirões, que recuperaram nas últimas jornadas, conseguem ainda garantir a manutenção.

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Corria o ano de 1989 quando o Ac. Viseu ficou a conhecer a sua sentença: terminou no último lugar do Campeonato, com apenas cinco vitórias em 38 jornadas, e estava de volta à Segunda Liga. De lá para cá seguiram-se década de incerteza, com passagens Segunda Divisão, pela Segunda Divisão B (terceiro escalão) e pela Terceira Divisão (quarto escalão), que venceu em 2012, naquele que é o único troféu da história do clube. Com um crescimento fantástico ao longo da última década, os viriatos passaram do quarto escalão para a Segunda Liga em apenas dois anos e por lá permaneceram nos 13 anos seguintes. Quis o destino que o regresso à Primeira estivesse reservado para a 13.ª tentativa, já depois de o Ac. Viseu ter sido terceiro em 2017/18 e quarto em 2022/23. Na Taça de Portugal, a melhor participação da história do clube remonta a este período: meias-finais em 2019/20, com Rui Borges, atual treinador do Sporting.

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Em 2025/26, o Ac. Viseu partiu para mais uma Segunda Liga com o melhor plantel da competição se excluirmos as equipas B de Benfica, FC Porto e Sporting, à luz dos dados do Transfermarkt. A subida era o objetivo claro da equipa liderada por Sérgio Fonseca, que começou a temporada nos Sub-23 e sucedeu a Sérgio Vieira em outubro, depois de os viriatos terem vencido apenas um jogo nas primeiras sete jornadas. O cenário inverteu-se substancialmente e, daí em diante, o Ac. Viseu somou 16 triunfos e quatro empates nas 26 jornadas seguintes e, acima de tudo, passou do 15.º lugar para o segundo. Em Viseu milita aquele que vai ser o melhor marcador da Segunda Liga: André Clóvis, com 23 golos.

“A nossa força está no grupo. Temos jogadores experientes, outros mais jovens, mas todos com muita qualidade e muito caráter. Trabalham sempre muito. É normal existir alguma ansiedade, porque há 37 anos que o clube não está na Primeira Liga, mas depois da bola começar a rolar, essa ansiedade vai desaparecer e eles vão dar uma resposta à altura. Os nossos adeptos têm-nos ajudado bastante. Tivemos jogos muito difíceis, em que a equipa passou por momentos complicados, e sentimos sempre o apoio deles. É isso que gostaríamos que voltasse a acontecer no próximo sábado e acreditamos que vai acontecer. O Sporting B é uma equipa com jovens de muito potencial, que fez uma primeira volta muito boa. Teve agora uma ligeira quebra, também fruto de alguns jogadores terem sido chamados à equipa principal, mas no seu todo continua a ser uma equipa com muita qualidade”, explicou Fonseca na antecâmara do duelo com a equipa secundária dos leões.

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“Temos um lema desde o início: ‘arrisca-te’. E vamos arriscar mais uma vez para tentar colocar o Académico de Viseu na Primeira Liga e dar essa alegria à cidade de Viseu. Esperamos um ambiente fantástico. São 37 anos fora da elite do futebol português e os bilhetes esgotaram em meia hora. Isso diz muito sobre aquilo que se vive nesta cidade. Precisamos deles, porque não vai ser fácil. Vão ser 90 minutos muito difíceis e precisamos do apoio dos adeptos nos momentos menos positivos para nos empurrarem para aquilo que é o nosso sonho, o sonho deles e o sonho de uma cidade. O Sporting B tem uma ideia de jogo muito consolidada, independentemente dos jogadores que utilizem. Sabemos quais são os pontos fortes deles e aquilo que podemos explorar. Trabalhámos isso durante a semana e estamos preparados para dar uma boa resposta”, acrescentou Luís Silva, capitão dos viseenses, em conferência de imprensa.

O principal objetivo da temporada esteve uma semana em suspenso, já que a vitória no Benfica Futebol Campus – onde estiveram mais de mil adeptos oriundos da Beira Alta – não foi suficiente, por conta do golo tardio que deu a vitória ao Torreense em casa do Lusitânia de Lourosa. Desta forma, os viseenses chegaram à última jornada com 58 pontos, mais dois que o Torreense, e precisavam de apenas um ponto para garantir o segundo lugar da Segunda Liga, por conta da vantagem na diferença de golos. E foi isso que aconteceu num Estádio do Fontelo a rebentar pelas costuras. Com o nulo frente ao Sporting B a ser suficiente apesar do triunfo do Torreense, o Ac. Viseu está de volta à Primeira Liga, com a festa a prosseguir durante toda a tarde no Rossio, onde outros milhares de adeptos assistiram ao jogo através dos ecrãs gigantes.

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Por sua vez, a formação de Torres Vedras vai defrontar Nacional (31 pontos), E. Amadora (29), Casa Pia (29) ou Tondela (28) no playoff de acesso à próxima edição do Campeonato, com a primeira mão a realizar-se no mítico Manuel Marques e a segunda no reduto da equipa da Primeira Liga. Quanto às datas, prevê-se mais imbróglio que a Liga Portugal terá de resolver, já que, aquando do sorteio, ficou determinado que os jogos acontecessem a 23 e 29 de maio. Problema? O Torreense vai defrontar o Sporting, na final da Taça de Portugal, no dia… 24. Para já sabe-se que a primeira mão pode mudar, tal como indica o comunicado do organismo, embora esse cenário não se aplique ao duelo decisivo. A cumprir-se o que está estipulado, o Torreense teria de disputar três jogos decisivos em seis dias. Caso a primeira mão seja antecipada para durante a próxima semana, a equipa de Torres Vedras viaja até ao Jamor a meio da decisão do Campeonato.

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