Os agentes da PSP que foram detidos por suspeitas de tortura e agressões nas esquadras do Rato e do Bairro Alto, em Lisboa, foram avisados por pelo menos um colega da PSP ligado à investigação de que estavam a ser vigiados e iriam ser alvo de buscas.
A notícia é avançada pela TVI/CNN, que dá conta de que o agente — que terá violado o segredo de justiça — transmitiu a informação a pelo menos um dos suspeitos, que informou os colegas. Isso permitiu aos polícias saberem alguns dos locais que iriam ser alvo de buscas, pedir aconselhamento a advogados e, em pelo menos um caso, pedir baixa médica no dia antes da operação.
A informação foi obtida graças à apreensão dos telemóveis dos 14 suspeitos, que continuam detidos a aguardar as medidas de coação, que deverão ser conhecidas na próxima segunda-feira.
Durante as alegações no interrogatório aos agentes que teve lugar este sábado, a procuradora Felismina Carvalho Franco — ela própria referida nas comunicações entre o polícia que fazia parte da investigação e o colega que estava a ser investigado — invocou esta informação como exemplo do perigo grave e concreto de perturbação do inquérito por parte dos suspeitos.
Segundo a TVI/CNN, a fuga de informação deverá agora ser tratada num processo autónomo.