Após os últimos anos não terem sido fáceis para os negócios do chef jugoslavo Ljubomir Stanisic (que tentaram reerguer-se após a pandemia de Covid-19) foi esta sexta-feira anunciada a mudança de gestão do grupo 100 Maneiras, que inclui o Bistro e restaurante 100 Maneiras e o Carnal Gastrobar — este último que ficou destruído após um incêndio a 7 de abril.
O grupo, que foi fundado há dezassete anos, comunicou esta sexta-feira que a gerência dos seus restaurantes foi transferida para a empresa liderada por Jamuna Subedi, Dhurba Sapana, Niraj Subedi e Kismita Subedi, do grupo grupo Dhurba Subedi. Sem esclarecer até ao momento os detalhes desta negociação, o comunicado refere apenas serem estes “proprietários de mais de cem restaurantes um pouco por todo o mundo, incluindo Las Ficheras e UMA Marisqueira, em Lisboa”.
“Ljubomir Stanisic, Nuno Faria e Nelson Santos deixaram a gerência e gestão dos três restaurantes no início de 2026 e acompanharam de perto a transferência, para garantir uma transição suave e a integração da equipa“, afirma a nota. Em novembro de 2025, Ljubomir admitiu em entrevista ao Observador que a perda da estrela Michelin o abalou. “Estou a perder 40% da faturação. Não me importava de tê-la de novo, mas não vou andar atrás“, admitiu.
“Lutando para pagar os investimentos, os empréstimos fruto do confinamento, os impostos e os produtos que nunca paravam (param) de aumentar. Fizemos frente a esta(s) guerra(s), lutámos em nome dos restauradores independentes, da hotelaria, falando sem medos das letras, fazendo jus à liberdade. Hoje marca-se apenas o fim de um ciclo”, descrevem ainda no comunicado, numa alusão aos desafios trazidos por um cenário de pós-pandemia.
O Observador tentou contactar o chef Ljubomir no rescaldo na notícia, mas sem sucesso até à publicação deste artigo. Em aberto fica o futuro próximo do chef, que nos últimos meses tem passado tempo na sua quinta, em Grândola, promovendo workshops, team buldings e eventos, apostando num conceito farm to table. No site do 100 Maneiras, a equipa — incluindo a mãe de Ljubomir, Rosa Stanisic — permanece a mesma. Não se sabe se foram dispensados funcionários da antiga gestão.

Ljubomir Stanisic tornou-se um rosto conhecido em Portugal não só por nomes do setor, mas também pelas suas participações em reality shows de culinária, como o Masterchef, Pesadelo na Cozinha e Hell’s Kitchen — onde sempre teve uma postura firme e sincera com os participantes, sem poupar palavrões e duras críticas. O cozinheiro vive em Portugal desde 1997, quando cá chegou aos 19 anos para fugir da guerra na Bósnia. Aos 14, trabalhou numa padaria para sustentar a sua família. Aos 26, abriu o seu primeiro negócio, o restaurante 100 Maneiras, no Hotel Villa Albatroz, em Cascais. Iniciou ali a sua história como um dos chefes mais consagrados da contemporaneidade no nosso país, a colecionar prémios e distinções antes de o espaço ir à falência e encerrar em 2008.
Stanisic, que gosta de descrever-se como “o chef jugoslavo-mais-português-de-sempre”, abriu novamente o 100 Maneiras em 2009, desta vez no Bairro Alto, em Lisboa, morada que permanece a mesma até aos dias de hoje. Ali, arrancou com a proposta de servir um menu degustação sofisticado, mas a “preços mais acessíveis”. Em 2010, entrou em funcionamento a sua segunda casa, o Bistro 100 Maneiras, no Chiado. Onde anos depois, em novembro de 2021, abriu o Carnal, também no Bairro Alto, tendo Manuel Maldonado como o chef executivo e Luis Ortiz como o chef de cozinha.
Mas a pandemia de Covid-19 ditou o “início do fim” dos seus negócios sob a gestão do grupo do qual fundou. Tal risco iminente não o deixou inerte, e, sendo os restaurantes a sua paixão pessoal, esteve diretamente envolvido na tentativa de combater a crise que afetou toda a restauração. Encabeçou o movimento “A Pão e Água”, que realizou uma greve de fome em protesto à porta da Assembleia da República em novembro de 2020 com mais nove empresários — chegou a ser hospitalizado durante o jejum pelos valores baixos de glicemia. Encerrou aquele ano, no entanto, com o anúncio da sua primeira estrela Michelin — a mesma que foi posteriormente retirada na gala do Guia Michelin em 2025.
[Ao décimo dia em Nova Iorque dá-se o homicídio brutal. As últimas horas, o que aconteceu no quarto 3416 e a confissão de Renato sobre como matou Carlos Castro. O acesso aos ficheiros da investigação permite reconstituir toda a investigação ao crime. Ouça o quinto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro episódio e aqui o quarto episódio]
