A assinalar um ano de pontificado, a Vatican News anuncia o lançamento de um novo documentário que percorre as quase duas décadas vividas por Leão XIV, então Robert Prevost, em Roma. O trailer de promoção do título Leone a Roma, ou Leão em Roma, segue os passos daquele que se tornaria o primeiro Papa nascido nos Estados Unidos, desde a sua chegada à capital italiana, em 1981, através do seu serviço como Prior Geral da Ordem de Santo Agostinho e, mais tarde, como Prefeito do Dicastério para os Bispos. E por falar em passos, um dos detalhes que salta à vista no pequeno vídeo é o momento em que Prevost, de batina branca, surge com uns ténis Nike no mesmo tom. É difícil sentenciar o modelo exato mas não estranhe se começar a corrida ao modelo skateboard SB Force 58 Premium.
Há seis meses a High Snobiety interrogava-se se era correto calçar ténis para um encontro com o santo padre, um dilema de etiqueta que pode agora cair por terra. Levanta-se no entanto uma questão pertinente. “Se vais usar uns ténis para veres o Papa de Chicago eles não deveriam ser uns “Chicago” Jordans?”
O interesse pelo que veste, e calça, o Papa está longe de ser uma novidade. Na edição publicada a 11 de dezembro, a revista Vogue descreveu Leão XIV como um pontífice que “acabou com os gostos mais humildes do seu antecessor” — e pelos quais Francisco era conhecido —, mas que manteve o alfaiate do argentino e “preservou o seu legado papal ao escolher trajes bem ajustadas à ocasião”. Sete meses no cargo bastavam então para que a publicação o incluísse na lista de 55 pessoas “mais bem vestidas”, acompanhado por nomes como Bad Bunny, Rosalía e Timothée Chalamet.
12 anos depois do início do papado de Francisco, Leão XIV mostrou-se mais tradicional quando apareceu à varanda com um registo mais próximo de João Paulo II ou Bento XVI. Quando o cardeal Jorge Mario Bergoglio surgiu na varanda da Basílica de São Pedro, no dia 13 de março de 2013, e se apresentou pela primeira vez como Papa, as vestes eleitas deixaram as pistas sobre um pontificado moderno. De branco e com uma cruz de prata, o argentino quebrou com a tradição e fez da moda um reflexo da sua mentalidade progressista. Houve também outro elemento diferenciador, que correu mundo: o sul-americano tinha escolhido utilizar o seus sapatos ortopédicos pretos em vez dos sapatos de couro vermelho, que representam o sangue dos mártires, um acessório que ficou associado a Bento XVI, sempre visto em público com estes sapatos tradicionais, por vezes assinados por Adriano Stefanelli. Recuando mais no tempo, João Paulo II começou por utilizar estes sapatos mas, no final do pontificado, passou a trajar com outros, mais escuros e mais simples. Também João Paulo I e Paulo VI utilizaram os sapatos vermelhos.
Doze anos depois de Bergoglio, o novo Papa Leão XIV mostrou-se mais tradicional e há um ano apareceu à varanda com as mesmas roupas de João Paulo II ou Bento XVI, seguindo a tradição do ponto de vista da alfaiataria. Localizada na Piazza di Santa Chiara, a poucos metros do Panteão, está uma das lojas mais antigas de Roma, e das poucas a permanecer sob o comando da mesma família, desde há seis gerações. Giovanni Antonio Gammarelli fundou o atelier especializado em trajes eclesiásticos em 1798, durante o papado de Pio VI. Desde Pio XI, em 1922, providenciou o serviço exclusivo a todos os oito papas que ocuparam o cargo de líderes da Igreja Católica. Leão XIV não ficou de fora deste elenco. As primeiras imagens não permitiram apurar as características do calçado escolhido mas as posteriores confirmaram que tal como o seu antecessor passou a confiar nuns simples e discretos sapatos pretos. A descontração atingiu agora o seu ponto supremo com os práticos Nike, não se percebendo pelo teaser onde terão sido usados, mas estimando-se que não tenha sido num contexto público.
Curiosamente, em outubro de 2022 o Papa Francisco foi presentado com uns ténis personalizados Nike Blazer Mid ’77, uma oferta do de Kentucky, padre Jim Sichko, que os levou ao Vaticano. Os sapatos de ouro branco e amarelo apresentavam o brasão de armas papal e foram projetados para combinar com a bandeira do Vaticano, com “Papa” e “Francis” escritos na parte de trás.
O filme Leão em Roma reúne testemunhos, imagens e lembranças pessoais de amigos, confrades, sacerdotes, religiosos, jovens e famílias que acompanharam o atual Papa durante várias etapas de seus anos na Cidade Eterna. O documentário foi produzido pelos jornalistas da Vatican Media Felipe Herrera-Espáliat, Salvatore Cernuzio e Tiziana Campisi, com edição de Jaime Vizcaíno Haro e Stefano Anella e trata-se do terceiro ensaio visual dedicado a Leão XIX, produzido pelos media do Vaticano. Leão do Peru foi lançado em junho de 2025 e abordava os seus anos enquanto missionário naquele país, enquanto Leão de Chicago, que saiu em novembro de 2025 recua às suas raízes americanas. Leão em Roma será transmitido nos canais oficiais dos meios de comunicação do Vaticano em conjunto com o aniversário do início do ministério do Papa Leão XIV e será disponibilizado às organizações de comunicação social a pedido.