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Joana Santos: “Tive uma professora de Economia que me disse: 'Já pensaste em seguir representação?'. E eu pensei"

Foi distinguida e aclamada pelo filme “On Falling”, gosta de fazer novelas, vai voltar ao teatro e é a narradora do podcast “Os Ficheiros do Caso Carlos Castro” — este é o percurso de Joana Santos.

Andreia Costa
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Já tinha ouvido várias colegas e amigas, como Soraia Chaves ou Inês Castel-Branco, falar da experiência de narrar os Podcasts Plus do Observador — a primeira deu voz a Um Rei na Boca do Inferno, a segunda a A Caça ao Estripador de Lisboa. “Exigente”, “diferente” e “empolgante” foram alguns dos adjetivos usados com frequência. Joana Santos estava curiosa, no mínimo, e por isso nem vacilou quando recebeu o convite para ser a narradora de mais um projeto. Quando lhe apresentaram o tema, abrandou, mas não travou. “Pensei: ‘Ui, é delicado’. Fiz rewind até àquela altura, tinha mais ou menos a idade do Renato, portanto, o que é que leva alguém a fazer algo assim?”

O tal rewind faz-se até 7 de janeiro de 2011, dia em que o cronista social português Carlos Castro foi assassinado por um jovem aspirante a modelo, Renato Seabra, num quarto de hotel em Nova Iorque, EUA. Os Ficheiros do Caso Carlos Castro, o mais recente Podcast Plus do Observador — com banda sonora de Júlio Resende —, desvenda os bastidores da investigação que ajudou a polícia norte-americana a resolver o homicídio.

Joana Santos não é fã de true crime, é até “um poouco medricas”, confessa, porque os detalhes de crimes deste género ficam a atormentá-la demasiado tempo. Com a responsabilidade de contar uma história com contornos tão violentos — por vezes até sinistros —, começou por colocar a voz num tom mais grave para acompanhar os desenvolvimentos. Porém, não estava a funcionar, e foi preciso dar leveza à narradora. A história já é tão pesada que percebemos que um tom mais leve resultaria melhor, para contrabalançar com os contornos da narrativa”, explica ao Observador.

Não só funcionou como Joana tem conseguido desligar-se da própria voz. “Tenho estado a ouvir no carro e esqueço-me de que sou eu. A sonoplastia também é muito importante porque transporta e, neste caso, arrepia.”

[o trailer de “Os Ficheiros do Caso Carlos Castro”:]

https://www.youtube.com/watch?v=1GNnA8lp0mA

Joana Filipa Rodrigues dos Santos nasceu em Lisboa a 16 de novembro de 1985. Cresceu em Loures na “quase aldeia” Apelação. Teve uma infância livre e feliz, na rua, claro, como qualquer filho dos anos 80. “Deixava a mochila em casa, agarrava um pão de leite e ia para a rua ter com os meus amigos.”

Quando o irmão nasceu, Joana tinha dez anos e, apesar de ele não ter sido companheiro de brincadeiras, passou a ser um boneco nas mãos dela. “Tentava fazer-lhe penteados de que ele não gostava nada.” Estudou na Portela e lembra que, entre os 11 e os 15 anos, andou à procura de um estilo que não conseguia encontrar por nada. “Houve uma altura em que andava sempre toda de preto e depois comecei a usar roupas largas. E depois, de repente, fui beta.”

Certo dia, enquanto estava no metro com uma amiga, foi abordada por dois jovens que lhe sugeriram ser modelo porque era muito alta. Tinha 12 anos e a mãe disse “nem pensar”. Um ano mais tarde, voltou a ser abordada na rua e acabou por fazer um book e, aos 14, convenceu a mãe a deixá-la participar no Elite Model Look. Não ganhou, mas não se importou minimamente com isso. “A moda, para mim, foi sinónimo de ter o meu dinheiro. Quando recebi o primeiro salário, fui comprar gelados com as minhas amigas. O facto de poder pagar gelados às minhas amigas todas deixou-me mesmo feliz.”

Fez editoriais de roupa para revistas juvenis, como a Super Pop ou a Ragazza, mas nessa fase Joana ainda estava longe de perceber qual a sua vocação. No 10.º ano, foi parar ao agrupamento de Economia. “Eu queria ir para Artes e lembro-me de a minha diretora de turma dizer que Artes não tinha saída nenhuma. Portanto, por exclusão de partes, vi-me no terceiro agrupamento com Matemática e Economia. Espalhei-me ao comprido.”

Joana Santos estreou-se em televisão em Fala-me de Amor (2006) e sentiu que a oportunidade era tão grande que nunca pensou que o facto de estar a representar uma rapariga violada pudesse ser demasiado avassalador. “O papel foi muito intenso, mas acho que consegui provar que gostava e queria mesmo aquilo. Podia até ter sido escolhida por ter uma cara bonita, mas entreguei-me completamente.”

Chumbou e, nesse momento, foi o fim do mundo. Depois de ver as notas e perceber que tinha a palavra “reprovada” ao lado do nome, saiu da escola e sentou-se no passeio, derrotada. Ao vê-la, uma professora aproximou-se e perguntou-lhe se não tinha gostado do que vira lá dentro. “Desatei a chorar e ela abraçou-me. Depois disse-me: ‘És uma boa miúda, vais dar a volta por cima’.”

Aplicou-se e terminou o 12.º ano nesse mesmo agrupamento. Continuava a não gostar do que estava a estudar, mas encontrava alguma alegria nas peças de teatro que preparava para o final do ano letivo. “Tive uma professora de Economia que me disse: ‘Joana, tens jeito para isto. Já pensaste em seguir representação’? E eu pensei. Fiquei com aquilo na cabeça.”

Aos 17 anos, a agência de modelos com a qual trabalhava encaminhou-a para o casting de um filme, Alice, de Marco Martins. Na verdade, inicialmente, o trabalho era apenas de figuração, mas o realizador acabou por dar-lhe uma pequena fala. “Ele vem cá muitas vezes, não vem?”, dizia a personagem, uma hospedeira que se cruza constantemente com Nuno Lopes — o protagonista Mário, que está desesperadamente à procura da filha desaparecida.

As filmagens ficaram-lhe gravadas na cabeça de tão fascinada que estava. Passou os dias a observar e, apesar de se sentir “fora de pé”, recorda como foi enturmada, sobretudo por Nuno Lopes. “Lembro-me da simpatia dele, de me mostrar como é que as coisas funcionavam.” Empolgada, foi com a mãe ao cinema ver o filme e, no final, percebeu que a sua participação não tinha sido incluída. “O filme tinha quatro horas, há coisas que têm de ser cortadas, mas eu não sabia e a minha mãe ficou revoltadíssima.”

Não ousou questionar, sempre foi tímida e depois percebeu que é uma situação que acontece, no decorrer normal da montagem de um filme. Entretanto, surgiu um casting para uma novela da NBP. Joana Santos estreou-se em televisão em Fala-me de Amor (2006) e sentiu que a oportunidade era tão grande que nunca pensou que o facto de estar a representar uma rapariga violada pudesse ser demasiado avassalador. “O papel foi muito intenso, mas acho que consegui provar que gostava e queria mesmo aquilo. Podia até ter sido escolhida por ter uma cara bonita, mas entreguei-me completamente.”

Foi um papel física e psicologicamente extenuante. A personagem é violada por um homem mais velho, torna-se bulímica, corta o próprio cabelo. “Ficou mesmo pequenininho e, apesar de ser uma personagem, aquilo mexe com a auto-estima.”

Aos 19 anos tinha um dilema pela frente: estudar ou continuar a trabalhar. Alguns colegas diziam-lhe para ir para o conservatório, outros diziam que seria um erro, que perderia a naturalidade. Sentia-se dividida e o facto de já ser financeiramente independente pesou mais. Hoje ainda acha que lhe faltam ferramentas que podiam ter vindo desses estudos, mas também admite que se sente constantemente descontente. O síndrome de impostora é algo com que luta desde sempre. “Nessa altura nem fazia workshops [de representação] porque havia o preconceito de não ter andado no conservatório, mas o preconceito era criado por mim.”

Uma vilã que lhe desnivelou a anca

A primeira casa que arrendou sozinha, aos 21 anos, ficava em Santa Engrácia. “Tinha uma vista gigante, para o rio, e pagava 500€. Era o sonho.” Hoje continua a viver em Lisboa, embora numa zona bem mais tranquila, e sempre que precisa de uma pausa foge para uma casa que a sogra tem no Alentejo, onde há tudo menos rede. “É um luxo não estarmos agarrados à dependência do telefone e da Internet.”

Aos 20 e poucos anos ainda não adorava, ou não sabia, cozinhar — algo que é terapia atualmente. “Muitas vezes, era a comidinha da mãe ou trazia o tupperware”, conta, e a vida corria bem. Seguiu-se uma vilã, Anabela, em Ilha dos Amores (2007), e papéis em Rebelde Way (2008) e Um Lugar Para Viver (2009). Depois, quando tinha 23 ou 24 anos, o trabalho parou. “Já vivia sozinha, tinha contas para pagar e percebi que não podia estar simplesmente à espera que me chamassem.”

Cruzou-se então com uma amiga com quem começou a trocar ideias e, com um terceiro elemento, nasceu um projeto multicultural que lhe deu muito gozo. No Palácio de Laguares, em Campolide, juntaram trabalhos de pintores; fizeram uma parceria com o quiosque do Jardim da Estrela, que estava responsável pela comida; tiveram live painting e projeções; e criaram performances. Foram dez dias em junho de 2010 a que chamaram Guilharte. “Fez-me crescer muito porque foi algo que nasceu da nossa cabeça, que tivemos de construir do início ao fim.”

Aurora, em "On Falling", seria um papel internacional e teria de mudar-se para a Escócia durante cerca de dois meses — longe dos dois filhos, agora com nove e seis anos. Falou com a realizadora por Zoom, convencida de que ela estava enganada na escolha. “Sempre a boicotar-me, disse-lhe que não sabia falar inglês. Ela disse-me que era exatamente isso que procurava.”

Logo a seguir foi convidada para fazer um dos grandes papéis da sua carreira, a vilã Diana em Laços de Sangue (2010), vencedora do Emmy Internacional de Melhor Telenovela. Ganhou Prémio Revelação TV 7 Dias e foi nomeada na mesma categoria para os Globos de Ouro. Ainda hoje é abordada por causa dessa personagem. “Dizem-me: ‘Você era horrível e afinal tem um sorriso tão bonito’.”

Seguiu-se Dancin’ Days (2012) e Júlia, uma personagem desafiante porque Joana tinha 26 anos e, na novela, interpretava uma mulher com mais dez anos. “Fazia de mãe da Joana Ribeiro e, na altura, foi difícil entrar na personagem por haver uma discrepância tão grande.”

Além de interpretar a mãe de alguém quase com a mesma idade, em Dancin’ Days a atriz ainda acaba a narrativa como avó. Contudo, teve a sorte, reconhece, de ter tido tempo para ensaios, o que lhe permitiu entender e construir Júlia. Como o projeto era uma parceria da SIC e da TV Globo, e o namorado de Joana nessa altura era brasileiro, passou uma temporada no Rio de Janeiro, onde teve uma coach e foi preenchendo diários como se fosse a personagem. “Ela está presa durante muito tempo, portanto foi importante construir-lhe essas memórias.”

Escrever ou realizar não é algo que tenha ânsias de fazer — talvez porque tenha tentado há uns anos e tenha ficado convencida de que não era para ela. “Num livro de Teolinda Gersão havia um conto que me chamou a atenção” — e que acabou por ser uma curta-metragem realizada pelo marido, Simão Cayatte, Miami, com a atriz Alba Rodrigues. “Começámos os dois a desenvolver o projeto, mas eu já estava a meter os pés pelas mãos, já misturava muita coisa, achei que era melhor desligar-me porque não conseguia focar-me.”

Joana Santos e Simão Cayatte conheceram-se em 2010 através de amigos e trabalharam duas vezes juntos, na curta-metragem Menina (2016) e, mais recentemente, no filme Vadio (2022). “Gosto muito da forma como o Simão pensa o trabalho que faz e da capacidade que ele tem de retirar do ator aquilo que quer para a personagem.”

Fazer novelas dá-lhe uma estabilidade financeira que não consegue com o teatro ou o cinema. Acresce que também gosta do ambiente: “Acaba por ser uma coisa muito familiar, estamos ali tanto tempo com aquelas pessoas que criamos laços fortes”, assume.

As gravações costumam durar seis ou sete meses — que se prolongam até um ano, se o projeto estiver a ter muito sucesso. Foi o que aconteceu com Laços de Sangue, de onde Joana saiu diretamente para um osteopata. “A personagem acabava coxa, por isso fiquei com um desnível gigante na anca”, recorda. Estava física e psicologicamente drenada. Ter ido para o Brasil ajudou-a a libertar-se.

Em televisão seguiram-se as novelas Vidas Opostas (2018), Amor Amor (2021) e Flor Sem Tempo (2023), mas um dos papéis mais importantes da carreira de Joana Santos estava guardado (talvez destinado) no cinema, por mais que ela tenha feito tudo para não ficar com ele.

Quando ouviu falar de On Falling, achou, mais uma vez, que o papel de protagonista — Aurora é uma trabalhadora portuguesa num armazém escocês, profundamente sozinha e desconectada — não era para ela porque o nível que tem de inglês “não é grande coisa”.

Ainda assim, fez o casting, uma self-tape com a ajuda do marido — ele disse-lhe “acho que este papel é para ti” — e uma segunda self-tape com a ajuda da atriz Joana Ribeiro — que, apesar de também estar na corrida, lhe disse, mais uma vez, “este papel é para ti”. Duvidou sempre, até no momento em que foi chamada para uma última audição, já presencial, com a realizadora Laura Carreira. Além disso, esteve quase para não fazer a viagem. “A minha avó tinha morrido nessa semana, eu estava no velório e disse à minha mãe que não ia, que queria ficar com ela. Ela disse-me: ‘Nem penses, tu vais fazer este casting’.”

Em 2019, quando estava grávida pela segunda vez, fez um workshop com Monica Calle e a encenadora acabou por convidá-la para integrar o espetáculo "Ensaio para uma cartografia". “Foi das coisas mais bonitas que já fiz, muito física de experimentação, de erro e repetição que nos leva a uma exaustão de corpo e de cabeça.”

Chegou à fase final completamente desgastada e com a certeza de que já tinha dado tudo o que conseguia. “Já tinha chorado, já tinha feito self-tapes. Fui, fiz o casting e vim-me embora. Não disse a ninguém.”

Quando recebeu a notícia de que o papel de Aurora era dela, assustou-se. Seria um papel internacional e teria de mudar-se para a Escócia durante cerca de dois meses — longe dos dois filhos, agora com nove e seis anos. Falou com a realizadora por Zoom, convencida de que ela estava enganada na escolha. “Sempre a boicotar-me, disse-lhe que não sabia falar inglês. Ela disse-me que era exatamente isso que procurava.”

Já com duas semanas de filmagens decorridas, continuava a não ver aquilo que já todos tinham visto: que era perfeita naquele papel. Ligava ao marido a dizer que achava que a realizadora não podia estar satisfeita porque repetiam os takes muitas vezes. De repente, fez-se luz: repetiam porque tinham tempo e orçamento, um luxo que tinha de aproveitar.

Quando On Falling chegou às salas de cinema, achou que o público se fartaria dela porque aparece em todas as cenas, do início ao fim. Porém, no TIFF (Toronto International Film Festival), no Canadá, houve tantas intervenções na sessão de perguntas e respostas que se seguiu à exibição que percebeu que as pessoas se identificavam com a narrativa.

Com Vadio já tinha conquistado o prémio de Melhor Atriz no Festival Callela (Espanha), mas 2025 trouxe-lhe uma lista ainda maior de reconhecimentos graças a On Falling. Recebeu o prémio de Melhor Atriz nos festivais de Tessalónica (Grécia) e Premiers Plans (França) e depois, em Portugal, o Globo de Ouro. “Adorei ter ganhado este Globo de Ouro, ainda por cima na categoria de cinema. Claro que me encheu o ego, fiquei mesmo muito feliz. Este é um bocadinho mais especial porque é no meu país.”

No início da carreira, o síndrome de impostora era “mesmo, mesmo muito forte”. Agora já consegue valorizar-se, garante. Apesar disso, é no escritório que estão guardados os troféus — não gosta de exibi-los para as visitas. Em agosto regressa ao teatro para começar a ensaiar Promised Valley Conference Center, um espetáculo de Mickael de Oliveira que estará em digressão pelo país. Em outubro segue-se uma peça de Nuno M Cardoso, que estará em cena em Lisboa, na Culturgest.

Das coisas mais bonitas que fez na vida, confessa, foi precisamente no teatro: Ensaio para uma cartografia, em cena desde 2014 e em permanente construção. Em 2019, quando estava grávida pela segunda vez, fez um workshop com Monica Calle e a encenadora acabou por convidá-la para integrar o espetáculo. “Foi das coisas mais bonitas que já fiz porque éramos 12 mulheres em palco, nuas, durante duas horas. E é uma coisa muito física de experimentação, de erro e repetição que nos leva a uma exaustão de corpo e de cabeça.”

A primeira vez que fez o espetáculo estava grávida de cinco meses, numa digressão internacional. “No Brasil, já quase no final do espetáculo, há uma pessoa que se levanta e eu pensei: ‘Ele já não está a aguentar’. De repente, começa a fazer o mesmo movimento connosco. E de repente começa a levantar-se outra pessoa. E temos o público a fazer o mesmo movimento no Bolero, de Ravel. Já estava o público a chorar, nós a chorar e a fazer o movimento. Foi das coisas mais bonitas que já senti na vida.”

Quando teve de se apresentar em Lisboa, na Estufa Fria, chegaram-lhe receios novos — “pelo facto de estar nua em palco e num terreno desconhecido”. Porém, a libertação que sentiu compensou todos os pudores iniciais.

Daqui para a frente diz que não há propriamente um guião definido. Cinema, teatro ou televisão, Joana Santos não tem barreiras — tirando aquelas que se coloca a si própria: “O que eu gosto mesmo é de ser atriz”.

[Ao décimo dia em Nova Iorque dá-se o homicídio brutal. As últimas horas, o que aconteceu no quarto 3416 e a confissão de Renato sobre como matou Carlos Castro. O acesso aos ficheiros da investigação permite reconstituir toda a investigação ao crime. Ouça o quinto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro episódio e aqui o quarto episódio]

https://observador.pt/programas/os-ficheiros-do-caso-carlos-castro/episodio-1-onde-esta-o-assassino-do-quarto-3416/

https://observador.pt/programas/os-ficheiros-do-caso-carlos-castro/episodio-2-o-meu-nome-e-jesus-cristo/

https://observador.pt/programas/os-ficheiros-do-caso-carlos-castro/episodio-3-desta-vez-e-amor/

https://observador.pt/programas/os-ficheiros-do-caso-carlos-castro/episodio-4-alguem-nao-esta-a-cumprir-o-acordo/

https://observador.pt/programas/os-ficheiros-do-caso-carlos-castro/episodio-5-cinquenta-e-duas-chamadas-nao-atendidas/

https://observador.pt/programas/os-ficheiros-do-caso-carlos-castro/episodio-6-o-juri-chegou-a-uma-decisao/