Um tribunal militar chinês aplicou esta sexta-feira pena de morte suspensa a dois ex-ministros da Defesa acusados de suborno, avançou a agência noticiosa oficial Xinhua.
O tribunal considerou Wei Fenghe culpado de aceitar subornos e aplicou-lhe a pena de morte com suspensão de dois anos. Li Shangfu foi considerado culpado de aceitar e oferecer subornos e recebeu a mesma sentença. Em regra, penas de morte com suspensão na China são frequentemente convertidas em prisão perpétua.
Ambos sofrerão “privação de direitos políticos vitalícios e confisco de todos os bens pessoais”, informou a Xinhua. Estas sentenças surgem no âmbito da campanha de purga de altos funcionários lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping.
Xi iniciou a luta contra a corrupção há mais de uma década e o seu esforço manteve-se inalterado, culminando na destituição do general de mais alta patente e da liderança militar chinesa em janeiro. A poderosa Comissão Militar Central da China, que no passado contava com 11 membros, tem agora apenas um membro além do próprio Xi.
Embora a campanha vise combater a corrupção, Xi também tem usado o combate à corrupção para consolidar lealdade política e controlo entre a elite política, segundo observadores.
https://observador.pt/2026/02/25/purgas-xi-jinping-dizimou-cupula-militar-chinesa-com-101-oficiais-afastados-desde-2022/
A purga suscitou também dúvidas sobre a prontidão das Forças Armadas chinesas para uma eventual invasão de Taiwan, ilha sobre a qual Pequim reclama soberania, devido à perturbação na cadeia de comando militar.
Analistas indicam que a punição aplicada a Li Shangfu serve como aviso, mesmo para generais com as mais elevadas ligações. O pai de Li, Li Shaozhu, foi comandante de campo no Exército do Noroeste durante a guerra civil chinesa e pertencia à mesma facção que o pai de Xi e o pai de Zhang. Não é claro se algum dos dois teve desentendimentos políticos com o líder chinês.
Wei foi ministro da Defesa entre 2018 e 2023. Li sucedeu-lhe, mas permaneceu no cargo apenas alguns meses antes de desaparecer da esfera pública, sendo destituído em outubro de 2023.
Li passou a maior parte da sua carreira como especialista nas áreas de mísseis e aquisições do Exército de Libertação Popular e enfrentou sanções dos EUA devido à compra de equipamento militar russo. O Partido Comunista Chinês expulsou ambos em 2024, selando o seu destino.
O sucessor de Li, Dong Jun, continua a exercer funções como ministro da Defesa. No entanto, especialistas destacam que não foi nomeado para a outrora poderosa Comissão Militar Central (CMC), órgão que supervisiona o exército.
A campanha culminou em janeiro com a remoção do general Zhang Youxia, primeiro vice-presidente da CMC. Ao contrário de outros purgados, que foram principalmente acusados de corrupção, Zhang e Liu Zhenli, também membro da CMC e chefe do Estado-Maior do Exército, foram acusados do potencialmente mais grave crime de insubordinação, indicaram órgãos estatais.
Eles “desrespeitaram gravemente e danificaram o sistema de responsabilidade do Presidente”, disse em janeiro o jornal oficial do Exército PLA Daily.
A investigação a Zhang, que aos 75 anos é mais velho que Xi e foi considerado a mão direita do Presidente na modernização militar, seguiu-se à remoção de cerca de 62 oficiais no ano passado, segundo o grupo de reflexão Center for Strategic and International Studies. “A sua remoção dizimou o comando superior do ELP”, lê-se no relatório.