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(A) :: "Não conseguimos o objetivo, mas é uma época histórica e exemplar do Sp. Braga": Vicens assume "dia triste pelo resultado"

"Não conseguimos o objetivo, mas é uma época histórica e exemplar do Sp. Braga": Vicens assume "dia triste pelo resultado"

O Sp. Braga falhou a sua segunda final europeia, algo que Portugal não consegue alcançar há 12 anos. Vicens deu os parabéns ao Friburgo, mostrou-se "orgulhoso" e garantiu que a equipa vai reagir.

Tiago Gama Alexandre
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Acabou o sonho de Istambul. Num jogo inglório e de sofrimento, o Sp. Braga entrou intimidado pelo ambiente do Europa-Park e, aos sete minutos, já estava a jogar com dez, por conta da expulsão de Mario Dorgeles… o herói da primeira mão. Como seria de esperar, o Friburgo aproveitou essa condição para empatar a eliminatória e, ao intervalo, já estava em vantagem. Na segunda parte, os alemães deram um passo importante rumo à final, antes de Pau Victor responder e relançar a decisão na ponta final, que teve o guarda-redes da casa a brilhar já para lá da hora. Deste modo, os portugueses caíram nas meias-finais pela primeira vez e os alemães estão na final pela primeira vez (3-1, 4-3).

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Já para lá do apito final de Davide Massa, Carlos Vicens foi o primeiro a dirigir-se para junto dos adeptos que viajaram de Portugal, tendo apontado para estes, aplaudido e colocado a mão no coração. A massa associativa respondeu efusivamente, brindado, alguns minutos depois, os jogadores que lutaram para alcançar a segunda final europeia da história do clube. Num momento marcante, de desalento e tristeza, saltou à vista o choro de Víctor Gómez à frente dos adeptos. Destaque ainda para os aplausos dos adeptos do Friburgo aquando da saída da comitiva bracarense para o balneário, já depois de os alemães terem dado um grande exemplo de fair-play quando invadiram o relvado, de forma ordeiro, logo após o final do jogo, numa imagem que está cada vez mais afastada da realidade portuguesa, onde a ordem pública teima em discutir medidas que limitem ainda mais o papel do adepto num recinto desportivo.

https://twitter.com/sporttvportugal/status/2052497870117294260?s=20

Olhando para o Sp. Braga, a última equipa portuguesa despede-se das provas europeias com um notável percurso de 13 vitórias e quatro empates, com três derrotas, em 20 jogos, numa caminhada em que defrontou 14 equipas, passando por 12 países, e marcou 37 golos, tendo sofrido 16. Por seu turno, Portugal continua sem ter uma equipa em finais europeias, algo que acontece desde 2014. João Moutinho despede-se desta Liga Europa como o quarto jogador com mais jogos na história das competições europeias (176), atrás de Cristiano Ronaldo (197), Pepe Reina (192) e Iker Casillas (188). Destaque ainda para Espanha, que tem quatro treinadores nas três finais europeias — quatro se incluirmos a Supertaça Europeia: Mikel Arteta (Arsenal), Luis Enrique (PSG), Unai Emery (Aston Villa) e Iñigo Pérez (Rayo Vallecano).

“Estou orgulhoso da eliminatória que fizemos. Merecíamos estar na final, mas há alturas em que a energia, o que acontece no futebol, vai dando doses de informação que não vão na tua direção. Temos de o aceitar. Dou os parabéns ao Friburgo. Não posso estar mais orgulhoso do esforço que tivemos nos dois jogos. Tivemos circunstâncias negativas nas últimas semanas, mas a equipa nunca baixou os braços, pelo contrário. Não conseguimos o objetivo, mas vamos ver esta temporada como uma época histórica e exemplar do Sp. Braga. Isso deve-se a um grupo de jogadores que dá tudo em cada jogo e em cada treino”, começou por dizer Vicens à sport tv.

https://twitter.com/xLP_oficial/status/2052498772408631430?s=20

“Segunda parte? Sabíamos que íamos passar muito mais tempo sem bola do que queríamos, porque tínhamos menos um jogador. Senti que, à direita, havia opções diferentes, com o Victor Gómez, e o Pau Victor a trabalhar à esquerda. Tentámos tudo, quer em bloco baixo, quer em bloco alto. Tivemos uma oportunidade clara na primeira parte, não marcámos, mas vimos a reação da equipa na segunda parte. Sabíamos que ia ser preciso sofrer, mas a equipa foi competitiva. Foi um dia triste pelo resultado, mas mais um dia de orgulho por sermos do Sp. Braga. Futuro? Temos de trabalhar, já o disse aos jogadores. Na vida podes ter situações em que cais. Isso faz parte da vida. O que diferencia as equipas e as pessoas é aquilo que fazem quando caem. Esta equipa já mostrou como reage quando cai. Estamos orgulhosos do esforço e é mais uma experiência que tem de nos servir para que a sorte esteja do nosso lado quando chegarmos a momentos destes”, concluiu o espanhol.