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Português entre 28 detidos em operação contra pornografia infantil em navios de cruzeiro na Califórnia

Agentes dos EUA abordaram oito navios em San Diego e prenderam tripulantes das Filipinas, Indonésia e Portugal. Grupos pró-imigrantes denunciam irregularidades.

Sâmia Fiates
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Um português está entre os 28 detidos numa operação realizada no final de abril na Califórnia que, de acordo com as autoridades norte-americanas, visa combate à exploração sexual infantil. Os agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) abordaram oito navios de cruzeiro atracados no porto de São Diego entre os dias 23 e 27 de abril, entre eles um da Disney, por suspeita de prática de pornografia infantil. Os detidos são todos imigrantes tripulantes das embarcações. 

“Após abordar os navios e entrevistar 26 tripulantes suspeitos das Filipinas, um tripulante suspeito de Portugal e um da Indonésia, os agentes confirmaram que 27 dos 28 indivíduos estavam envolvidos no recebimento, posse, transporte, distribuição ou visualização de material de exploração sexual infantil”, informou um porta-voz do CBP em declarações ao USA TODAY. A agência, entretanto, não especificou se foram apresentadas acusações criminais, apenas confirmou que os 27 imigrantes que tiveram a atividade criminosa confirmada foram deportados de volta para os seus países de origem e tiveram os vistos cancelados.

Em abril os passageiros a bordo do navio Disney Magic registaram o momento da detenção de vários tripulantes por agentes do ICE e partilharam imagens nas redes sociais. Dias depois, outros quatro tripulantes de um navio com bandeira neerlandesa também foram removidos da embarcação pelos agentes federais. À NBC San Diego, a porta-voz do ICE, Sandra Grisolia, explicou que “em 28 de abril, a HSI de San Diego prendeu 23 tripulantes de vários navios de cruzeiro no Porto de San Diego como parte da Operação Tidal Wave. As prisões tiveram como alvo indivíduos suspeitos de envolvimento com material de abuso sexual infantil (CSAM), com base em informações recebidas do Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas. Os detidos foram transportados para Los Angeles para os procedimentos legais e seus vistos foram revogados.”

Contudo, a organização pró imigrantes Union del Barrio acusa os agentes federais de “sequestrar” os tripulantes dos cruzeiros, realizando as detenções sem um processo legal e privando-os de acesso aos serviços consulares. “Este não é um incidente isolado”, disse Benjamin Prado ao jornal californiano. “Na verdade, tornou-se um padrão crescente, não apenas aqui em San Diego, mas em todo o país”.

Em setembro, quatro tripulantes da Carnival Cruise Line também foram retirados de um navio em Baltimore, “com base em informações de que os tripulantes estavam de posse de material de exploração sexual infantil”, disse a CBP na altura.

Um mês antes, 30 tripulantes da mesma linha de cruzeiros foram detidos em Norfolk. Na altura o Centro de Trabalhadores Filipinos do Sul da Califórnia disse ao The Virginian-Pilot que os tripulantes haviam sido acusados ​​de posse de material de abuso sexual infantil, o que negaram, e que não foram indiciados por nenhum crime. “Esses trabalhadores foram acusados ​​de fazer parte de um grupo de chat ligado à pornografia infantil, mas nenhuma prova foi apresentada e todos negaram veementemente qualquer envolvimento”, disse Soriano Versoza em comunicado. “Apesar disso, sem nenhuma acusação ou condenação, seus vistos C1/D válidos foram revogados e eles foram proibidos de entrar no país por 10 anos.”

“A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) está envolvida em operações contínuas com navios de cruzeiro, onde aplicamos a lei de imigração”, declarou a CBP ao USA Today na altura. “Os tripulantes foram considerados inadmissíveis e tiveram a sua entrada nos Estados Unidos negada.”

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