“Foi no ano 21 que o Braga nasceu”. É no ano 26 que o Braga se quer fazer ainda maior com o apoio das suas gentes, aquelas que olham para a frente em busca da glória e da vitória. Foi com uma noite como a desta quinta-feira em mente que Teixeira Pinto escreveu o hino arsenalista algures nos primórdios deste século. Foi numa noite como a desta quinta-feira que as famosas gentes de Braga não defraudaram as expectativas e voltaram a estar ao lado da sua equipa, mostrando que os quase dois mil quilómetros de distância até Friburgo estavam longe de ser um obstáculo altura daqueles que também carregavam o sonho. Um sonho com 15 anos. Foram 2.500 na Alemanha e muitos mais os que ficaram no coração do Minho e que preencheram a Praça do Município, dando continuidade a uma união que começou há uma semana, na épica vitória em Braga com golo de Mario Dorgeles no tempo de compensação, e que só vai parar em Istambul… ou em Braga.
https://observador.pt/2026/04/30/mario-carrega-o-sonho-da-cidade-que-quer-ser-precursora-de-uma-nova-tradicao-sp-braga-vence-friburgo-com-golo-nos-descontos/
A vitória caseira frente às raposas voltou a trazer à tona o espírito de equipa e de entreajuda que norteia o balneário de Carlos Vicens que, mesmo com muitas ausências e poucas opções para gerir o jogo, não deixou de acreditar, soube sofrer e foi coroado com o golo do triunfo. Quis o destino que fosse Mario Dorgeles, que foi chamado a jogo a meio da primeira parte para substituir o lesionado Ricardo Horta, o autor do tento que colocava os minhotos mais perto do regresso à final da Liga Europa. Com o quarto lugar no Campeonato Nacional praticamente assegurado, ainda que falte a deslocação à Luz, o Sp. Braga continuava totalmente focado na competição europeia e tinha pela frente mais uma dura missão: conseguir parar o Friburgo no Europa-Park. Sem Sikou Niakaté, Bright Arrey-Mbi, Adrian Barisic, Florian Grillitsch e Diego Rodrigues, a indefinição nas opções de Vicens continuava, mais ainda com Víctor, Gómez, Gabri Martínez e Ricardo Horta em dúvida.
“Amanhã [quinta-feira] vai ser a nossa 59.ª partida e entramos em todas com a mesma abordagem. Claro que, em alguns momentos, somos obrigados a defender mais próximos da nossa baliza. Acredito que os jogadores estão preparados. Temos uma oportunidade para mostrarmos a nossa melhor versão. Só precisarei de fazer uns reparos e passar uma mensagem de confiança ao coletivo. Temos de estar preparados para os diferentes momentos de jogo. Em algumas fases, o adversário terá mais bola e nós não podemos perder a cabeça. Temos de ser fortes, competitivos e agressivos. O jogo terá de tudo. Vamos tentar ter bola e, sobretudo, precisamos de ter personalidade e coragem para atacar. O objetivo é não permitirmos ocasiões claras ao nosso adversário quando não tivermos a bola. Nas meias-finais de uma Liga Europa é normal existirem momentos de maior sofrimento. No entanto, esta equipa tem mostrado que dá sempre tudo em campo. Sabendo das dificuldades que vamos ter pela frente, vamos tentar vencer o jogo”, assumiu o espanhol que lidera o emblema português.
Ficha de jogo
Friburgo-Sp. Braga, 3-1 (4-3 agregado)
2.ª mão das meias-finais da Liga Europa 2025/26
Estádio Europa-Park, em Friburgo (Alemanha)
Árbitro: Davide Massa (Itália)
Friburgo: Noah Atubolu; Lukas Kübler (Jordy Makengo, 80’), Matthias Ginter, Philipp Lienhart, Philipp Treu; Nicolas Höfler, Johan Manzambi, Max Eggestein; Jan-Niklas Best (Bruno Ogbus, 81’), Vincenzo Grifo (Lucas Höler, 90+1’) e Igor Matanovic
Suplentes não utilizados: Florian Müller, Jannik Huth; Anthony Jung, Derry Scherhant, Cyriaque Irié, Maximilian Philipp, Christian Günter, Karl Steinmann e Rouven Tarnutzer
Treinador: Julian Schuster
Sp. Braga: Lukás Hornícek; Gustaf Lagerbielke, Paulo Oliveira, Vítor Carvalho (Gabriel Moscardo, 65’); Víctor Gómez, João Moutinho, Gorby Baptiste, Demir Tiknaz (Gabri Martínez, 76’), Mario Dorgeles; Rodrigo Zalazar (Fran Navarro, 65’) e Pau Victor
Suplentes não utilizados: Tiago Sá, Alaa Bellaarouch; Leonardo Lelo, Amine El Ouazzani, Ricardo Horta, Yanis da Rocha, Jónatas Noro, Rodrigo Silva e Luisinho
Treinador: Carlos Vicens
Golos: Kübler (19’ e 72’), Manzambi (41’) e Pau Victor (79’)
Ação disciplinar: amarelo a Pau Victor (62’), Gorby (65’), Tiknaz (71’) e Martínez (90+4’), vermelho a Dorgeles (7’)
No que concerne ao Friburgo, os alemães receberam o Sp. Braga depois de terem empatado na receção ao Wolfsburgo (1-1), continuando no sétimo lugar da Bundesliga, já sem conseguirem ascender ao último lugar de acesso às competições europeias. Mais importante que isso, as raposas têm sido dominadoras em casa na Liga Europa, tendo vencido todos os seis jogos disputados até aqui no seu reduto. No total contavam-se dez vitórias seguidas em casa, com a última derrota a distar de outubro de 2023, frente ao West Ham. “Os pormenores podem decidir um jogo. Temos que acreditar e que lutar por eles. O Sp. Braga tem essa experiência, mas nós também a temos. A jogar em casa, com os nossos adeptos, precisamos do apoio deles para esta luta. Temos de ter consciência de que estamos numa meia-final. O Sp. Braga tem qualidade na posse de bola — faz bem isso —, mas nós também temos qualidade e preparámo-nos bem”, explicou Julian Schuster.
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Para a decisão da meia-final, Carlos Vicens conseguiu recuperar o trio que estava condicionado, mas só Víctor Gómez constou no seu onze, ainda que tenha apresentado limitações após a cirurgia a que foi sujeito, não conseguindo, por exemplo, realizar os lançamentos laterais — foi João Moutinho que assumiu essa variante do jogo. A par do lateral, Paulo Oliveira e Gorby Baptiste também voltaram à equipa, de onde saíram Gabriel Moscardo, Leonardo Lelo e Amine El Ouazzani. No Friburgo registaram-se quatro mudanças face ao duelo do fim de semana: entraram Philipp Lienhart, Nicolas Höfler, Igor Matanovic e Lukas Kübler, e saíram Bruno Ogbus, Christian Günter, Yuito Suzuki e Lucas Höler.
O início do jogo acabou por ser bastante penoso para o Sp. Braga, que ainda procurava adaptar-se à forte pressão do Friburgo quando Mario Dorgeles foi expulso por travar o ex-Benfica Jan-Niklas Beste quando este seguia isolado para a baliza de Lukás Hornícek (6′). Com a desvantagem numérica, os arsenalistas ainda conseguiram uma parca incursão até à área alemã, com Pau Victor a aproveitar as desatenções da defesa alemã para conduzir com perigo, mas o remate de Gorby esbarrou na defesa (12′). Na outra baliza, a noite continuava longe de correr a favor da equipa portuguesa, com os fuchs a empatarem na eliminatória ainda numa fase precoce do jogo, num lance em que tiveram alguma sorte: bola na área, Gómez e Gustaf Lagerbielke não cortaram, Vincenzo Grifo recebeu e cruzou, Vítor Carvalho e Oliveira falharam o corte e, quando Gorby tentava cortar, a bola desviou em Kübler e entrou junto ao poste mais distante (19′).
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A partir daí, o Sp. Braga continuou totalmente incapaz de reagir e a história do desafio resumiu-se à postura ofensiva de um Friburgo que pouco conseguiu criar, mas que chegou à vantagem na eliminatória num lance de inspiração em cima do intervalo: Johan Manzambi recebeu na meia-esquerda, aproximou-se da área sem qualquer pressão, desferindo, depois, um grande remate, em arco, que entrou junto ao ângulo superior direito (41′). A partir daí, os arsenalistas mudaram a postura e acabaram a primeira parte por cima, com destaque para o remate de Víctor Gómez ao poste, depois de um grande passe de Victor e de ter ultrapassado Noah Atubolu (45+1′).
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O regresso dos balneários não trouxe novidades operadas pelos treinadores, mas o sentido do jogo voltou ao predominou durante a primeira parte: Friburgo a atacar, Sp. Braga a defender e a quebrar fisicamente. Logo a abrir, Jan Nikas-Beste recebeu na direita e aproveitou a escorregadela de Vítor Carvalho para ganhar espaço, servindo depois Vincenzo Grifo que, à entrada da área, atirou ao ferro da baliza de Lukás Hornícek (47′). Seguiu-se um lance de insistência que terminou com um remate traiçoeiro de Matthias Ginter para fora (49′) e nova ocasião de Johan Manzambi de fora da área, que obrigou o checo a um grande voo (53′). No lance seguinte, Grifo passou por Víctor Gómez e, de pé direito, desferiu um remate cruzado que saiu perto do poste mais distante (55′). Na resposta, os arsenalistas ganharam a bola no último terço, Pau Victor viu a desmarção de Gorby Baptiste dentro da área, mas o remate do médio foi travado pela perna direita de Noah Atubolu (58′).
As raposas continuaram mais perto do golo, o que levou Carlos Vicens a mexer pela primeira vez, para colocar Fran Navarro e Gabriel Moscardo nos lugares de Rodrigo Zalazar e Vítor Carvalho. Já com o espanhol no ataque, os arsenalistas desenharam a sua melhor jogada na partida, com o ex-FC Porto a receber em apoio, de costas para a baliza, para servir João Moutinho que, com um grande remate em arco, ficou a centímetros de marcar (69′). Na resposta, Lukás Hornícek voltou a brilhar, travando um remate forte de Beste (70′) e, no canto, a cabeçada de Igor Matanovic e a recarga, à queima-roupa, de Ginter (70′). Pouco depois, o extremo alemão conquistou um livre na direita, Grifo levantou para o segundo poste, onde Lukas Kübler, que nem jogou em Braga, apareceu a cabecear para o 3-0, num lance em que o checo ficou a meio-caminho (72′).
Já com Gabri Martínez no lugar de Demir Tiknaz, o Sp. Braga foi, finalmente, feliz, num lance estudado de bola parada: Moutinho levantou para o segundo poste, Víctor Gómez cruzou em vólei e, junto ao poste mais distante, Pau Victor apareceu sozinho a completar de cabeça para o golo que relançou a eliminatória (79′). Logo a seguir ao golo português, Julian Schuster mexeu pela primeira vez, colocando Jordy Makengo e Bruno Ogbus nos lugares de Kübler e Beste. Na reta final, os guerreiros cresceram e encostaram o Friburgo, que fez de tudo para não jogar, às cordas, e quase foram felizes, com Martínez a cobrar um canto curto para Gorby que, à entrada da área e sem marcação, desferiu um remate forte para grande defesa de Atubolu (88′).
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