O primeiro “monge robô” na Coreia do Sul fez a sua estreia no Templo Jogye, em Seul, na véspera das celebrações do aniversário de Buda. O humanoide, de nome Gabi, participou numa cerimónia de ordenação organizada pela Ordem Jogye, a maior seita budista do país.
Com cerca de 130 centímetros de altura e vestido com túnicas budistas castanhas e cinzentas, Gabi foi filmado a inclinar-se perante os monges presentes na cerimónia, enquanto lhe era colocado um colar de contas budistas ao pescoço. No vídeo do momento, divulgado por diversos jornais e agências, como a Reuters, é possível ver um dos monges a pedir ao robô que responda com as palmas das mãos juntas: “Sim, dedicar-me-ei”, ao que Gabi responde afirmativamente.
https://twitter.com/Reuters/status/2051987843996852245
Em comunicado, a Ordem Jogye afirma que “a ordenação de um robô significa que a tecnologia deve ser utilizada de acordo com os valores da compaixão, sabedoria e responsabilidade” e simboliza “novas possibilidades para a coexistência entre humanos e tecnologia”.
A iniciativa surge numa altura em que o budismo enfrenta uma perda de popularidade na Coreia do Sul, especialmente entre os mais jovens, que tendem a considerar a religião ultrapassada. Em janeiro, o presidente da Ordem Jogye anunciou a intenção de incorporar inteligência artificial na tradição budista.
Hong Min-suk, responsável da Ordem Jogye, afirmou ao The New York Times que espera que o robô ajude a divulgar o budismo e contribua para que a religião seja vista como mais progressista. Durante a cerimónia, Gabi recebeu cinco preceitos destinados a um “robô budista”: respeitar a vida e não a prejudicar; não danificar outros robôs ou objetos; obedecer aos humanos e não responder-lhes; não agir nem falar de forma enganadora; e poupar energia, evitando sobrecargas.
A iniciativa, contudo, divide opiniões. Ao The New York Times, Noah Namgoong, instrutor num templo budista coreano em Nova Iorque, classificou o robô como “algo bastante estranho”, considerando que o projeto está mais ligado a questões “socioeconómicas do que espirituais”. Também Sujung Kim, professora de antropologia na Universidade Johns Hopkins e especialista em budismo no Leste Asiático, afirmou ao jornal que a introdução de um monge robô poderá funcionar sobretudo como uma estratégia de visibilidade e reforço da presença cultural da religião.
Nas redes sociais, algumas críticas classificam o projeto como “distópico” e desprovido de humanidade. Ainda assim, os responsáveis da Ordem Jogye defendem que os robôs poderão vir a desempenhar funções sociais e até de aconselhamento espiritual no futuro.
Ainda de acordo com o The New York Times, Gabi não possui capacidade de aprendizagem autónoma. Os seus movimentos durante a cerimónia foram controlados remotamente e a voz utilizada tinha sido previamente gravada por Hong Min-suk. Após a cerimónia, o robô foi devolvido ao fabricante, pois tinha apenas sido emprestado ao templo para o evento.
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