(c) 2023 am|dev

(A) :: Investigação do Washington Post diz que EUA sofreram mais danos no Médio Oriente do que admitiram: 217 estruturas destruídas em 15 bases

Investigação do Washington Post diz que EUA sofreram mais danos no Médio Oriente do que admitiram: 217 estruturas destruídas em 15 bases

Através da análise de imagens de satélite, verifica-se que "217 estruturas e 11 peças de equipamento foram danificadas ou destruídas", muito superior a número anteriores do Pentágono e dos media.

Ricardo Reis
text

O Irão terá atingido mais equipamento e bases militares norte-americanas no Médio Oriente e a extensão da destruição será muito maior do que aquela que é reconhecida pelos EUA, segundo uma investigação do The Washington Post.

O jornal analisou 128 imagens de satélite — recolhidas entre 28 de fevereiro e 14 de abril — publicadas pelos meios de comunicação estatais do Irão, tendo sido “verificada a autenticidade” de 109 delas, através da comparação com material do Copernicus, sistema de satélite da União Europeia, e do sistema norte-americano Planet “quando disponíveis”. “Nenhuma imagem iraniana foi considerada como manipulada“, sublinha o Washington Post, na investigação publicada esta quarta-feira.

Segundo o jornal, “217 estruturas e 11 peças de equipamento foram danificadas ou destruídas” pelos ataques iranianos desde o início do conflito com os Estados Unidos, em 15 bases norte-americanas na região.

Os danos foram registados em hangares, depósitos de combustíveis, radares, quartéis, comunicações, radares, equipamentos de defesa antiaéreo, entre outros, numa dimensão “bem maior do que o que foi publicamente reconhecido pelo Governo dos Estados Unidos ou anteriormente reportado”.

Para fazer um termo de comparação, a 25 de abril, a NBC tinha adiantado que 100 estruturas tinham sido atingidas, ou seja, menos danos reportados numa data posterior à da investigação. Alguns dos incidentes, avança ainda o jornal, “podem ter ocorrido após as tropas dos Estados Unidos terem abandonado as bases, fazendo da proteção das estruturas menos vital”.

Mais de metade dos ataques aconteceram em três bases no Kuwait, como a de Camp Arifjan, sede regional do Exército norte-americano, e no quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, no Bahrein.

Ao Washington Post, uma fonte do exército norte-americano afirmou que os danos na Quinta Fronta são “extensos” e que a sede foi deslocada para Tampa, na Flórida, ao mesmo tempo que assume que é “improvável” o regresso do pessoas militar à base “num futuro próximo”. Duas outras fontes afirmam que “podem nunca regressar às bases regionais em contingentes numerosos”, apesar de ainda não haver nenhuma decisão sobre o assunto.

No entanto, o jornal sublinha que a análise feita “representa apenas uma contagem parcial dos danos com base nas imagens de satélite disponíveis”.

Especialistas ouvidos pelo jornal sublinham que os Estados Unidos “subestimaram” as capacidades militares do Irão, algo que se viu, por exemplo, no subinvestimento em abrigos para as tropas no Kuwait, onde seis militares morreram num ataque iraniano em março.

“Os ataques iranianos foram precisos”, realça Mark Cancian, conselheiro sénior do think tank Centro de Estudos Estratégicos e Internacional, algo reforçado por Decker Eveleth, investigador associado do Centro de Análises da Marinha norte-americana.

“Embora [os drones] tenham cargas úteis pequenas — alguns destes não causaram tanto dano — são mais difíceis de intercetar e muito mais precisos, tornando-os uma ameaça muito maior para as forças dos Estados Unidos”, afirma Eveleth.

Ainda assim, os especialistas ouvidos pelo jornal “não acreditam que os ataques tenham limitado significativamente a habilidade do exército dos Estados Unidos em conduzir a sua campanha de bombardeamentos no Irão”.

Desde o início do conflito, 13 militares norte-americanos morreram e 403 ficaram feridos em consequências dos ataques iranianos a bases dos Estados Unidos no Médio Oriente, segundo o Defense Casualty Analysis System do Departamento norte-americano da Defesa. Análises independentes, como da plataforma MilitarySpend, afirmam que o número de mortos pode ter chegado aos 15 e de feridos aos 538.

Os Estados Unidos limitaram a divulgação de imagens de satélite da região, com os principais fornecedores do país, Planet e Vantor, a “cumprirem com os pedidos do Governo norte americano – o seu maior cliente”.

Contactados pelo Washington Post, o Comando Central do Exército norte-americano — responsável pelas missões no Médio Oriente — não comentou, com um porta-voz militar a questionar a “caracterização dos danos”, afirmando que as “avaliações de destruição são complexas e podem ser enganosas nalguns casos”.

[Ao décimo dia em Nova Iorque dá-se o homicídio brutal. As últimas horas, o que aconteceu no quarto 3416 e a confissão de Renato sobre como matou Carlos Castro. O acesso aos ficheiros da investigação permite reconstituir toda a investigação ao crime. Ouça o quinto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro episódio e aqui o quarto episódio]