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(A) :: O insólito dia em que Leão XIV ligou para o seu banco. "Mudaria alguma coisa se eu dissesse que sou o Papa?"

O insólito dia em que Leão XIV ligou para o seu banco. "Mudaria alguma coisa se eu dissesse que sou o Papa?"

Papa quis alterar dados depois de ter sido escolhido para liderar a Igreja Católica, mas funcionária não acreditou na sua identidade. Banco acabou por decidir que não quereria perdê-lo como cliente.

Mariana Lima Cunha
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Não é todos os dias que se fala ao telefone com o Papa — muito menos para lhe desligar o telefone na cara. Mas foi isso que aconteceu durante uma chamada feita por Leão XIV quando, dois meses depois de ter sido escolhido para liderar a Igreja Católica, tentou ligar para os serviços de apoio ao cliente do seu banco para avisar que dados como o seu número de telefone e endereço tinham de ser, naturalmente, alterados.

A história foi partilhada em tom bem humorado por um padre seu amigo, Tom McCarthy, que falava num encontro entre católicos na semana passada, numa igreja de Naperville, no estado do Illinois. Segundo McCarthy, que à medida que a história ganhou tração — e que o vídeo da sua intervenção foi partilhado nas redes sociais — já garantiu a jornais como o “New York Times” que o episódio é mesmo “verdadeiro”, quando se deparou com este problema logístico, o Papa tentou resolver a questão pelos seus meios.

https://twitter.com/ChristopherHale/status/2052067997150228602

Foi assim que deu por si a ligar ao seu banco, em Chicago, apresentando-se com o seu nome — Robert Prevost — e prontificando-se a responder a todas as questões de segurança, de forma a confirmar a sua identidade. Mas no fim desse processo recebeu uma má notícia: “Desculpe, senhor, tem de vir aqui presencialmente”. 

Ora isso não poderia acontecer, respondeu-lhe Leão XIV, lembrando que já tinha respondido a todas as perguntas de segurança e questionando se isso não seria o suficiente. Nem assim. Como último esforço, arriscou perguntar: “Mudaria alguma coisa se eu dissesse que sou o Papa Leão?”. A funcionária não acreditou e desligou o telefone na cara do chefe da Igreja Católica. “Conseguem imaginar serem conhecidos como a mulher que desligou o telemóvel ao Papa?”, perguntou McCarthy, fazendo rir o grupo todo.

O Papa acabou por conseguir resolver o problema, mas pedindo ajuda a outro amigo de Chicago, também padre, e perguntando se ele conhecia alguém no mundo da banca. O assunto acabou por chegar ao presidente do seu banco, que ainda assim respondeu que essa é, de facto, a política da instituição. E os intermediários do Papa lá terão respondido com a ameaça que deu resultado: “Bem, então o Papa vai mudar a sua conta de banco!”.

“E eles disseram: bem, nós não queremos perder a conta do Papa! Então mudem o número de telefone dele. E eles mudaram”, rematou McCarthy, amigo de Prevost desde que se conheceram na década de 1980, em Chicago — recentemente já foi visitá-lo ao Vaticano. O episódio, pelo insólito da história, está a fazer sucesso nas redes sociais. Até porque prova, como escreve o New York Times, que “até o Papa pode ser contrariado pelo apoio ao cliente”.

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