Apesar de oficialmente “legalizado” em 25 de janeiro de 1975, o dia 6 de maio de 1974 assinala a fundação do Partido Social Democrata, há precisamente 52 anos.
Mais do que uma efeméride muito justamente celebrada todos os anos, trata-se, cada vez mais,de um oportuníssimo momento de reflexão coletiva sobre olegado ímpar do PSD na construção da democracia portuguesa e, sobretudo, sobre a responsabilidade acrescida que esse legado nos impõe no presente e no futuro, agora com um compromisso de governação local e nacional.
Do sonho dos proeminentes fundadores da “Ala Liberal” da Assembleia Nacional, ainda durante a ditadura, nomeadamente de Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota, nasceu o PSD. Vivia-se nessora um turbilhão revolucionário e, desse afã de recuperação de um país atrasado, decadente e profundamente agastado por demasiados anos de guerra e opressão político-social,o PSD afirmou-se,desde a primeira hora, como um partido de matriz profundamente humanista.
Inspirado na dignidade da pessoa humana, na liberdade individual e na justiça social, soube construir um caminho próprio, longe dos radicalismos, alicerçado numa visão reformista, moderada e verdadeiramente popular. Os nossos fundadores tiveram sempre a lucidez e a coragem de perceber que Portugal precisava de um projeto político que conjugasse liberdade com solidariedade, crescimento económico com coesão social, progresso com identidade.
Ao longo de mais de cinco décadas, o PSD foi protagonista de momentos decisivos da nossa história democrática. Contribuiu para a consolidação das instituições (da justiça à saúde, da educação à cultura), para a modernização do Estado, para a afirmação europeia de Portugal e para a melhoria concreta das condições de vida dos portugueses. Foi, em múltiplos momentos, um partido de governo com sentido de Estado, capaz de tomar decisões exigentes em nome do interesse nacional. Assim foi entre 1985 e 1995, anos decisivos de modernização de Portugal, com os governos do Professor Cavaco Silva, ou entre 2011 e 2015, altura em que os portugueses, mergulhados em falida situação socioeconómica, chamaram o PSD.
Mas o PSD não é apenas um partido de governação nacional. É também — e talvez sobretudo — um partido de forte implantação autárquica. Nas freguesias, nos municípios e nas comunidades intermunicipais, os seus autarcas têm sido agentes de proximidade, de desenvolvimento e de coesão territorial.
Em Vila Nova de Gaia, essa tradição é particularmente evidente. Ao longo de décadas, figuras marcantes do PSD local contribuíram decisivamente para o progresso do concelho, deixando uma marca de competência, visão e serviço público. Se Gaia era em 2013 um concelho de referência e se pretende voltar a sê-lo no futuro próximo, tal se deve, quase em exclusivo, ao PSD e aos seus dirigentes partidários de exceção que, nas últimas eleições, escolheram e contribuíram para eleger os que entendiam tratar-se dos melhores autarcas para recuperar a liderança da Câmara Municipal, da Assembleia Municipal e de dois terços das juntas de freguesia.
É nesta dimensão local que o humanismo social-democrata ganha expressão mais concreta: na capacidade de resolver problemas reais, de ouvir as pessoas, de construir soluções pragmáticas e de promover uma sociedade mais justa e equilibrada. E tal só é possível quando os líderes se abeiram dos melhores, sem taticismos, sem interesses, sem narcisismos.
Simultaneamente, o PSD sempre se afirmou como um partido profundamente europeísta. Acreditamos numa Europa unida, assente em valores comuns, promotora da paz, da prosperidade e da cooperação entre os povos. Uma Europa que não abdique das suas raízes civilizacionais, nem dos princípios que a tornaram um espaço único de liberdade e desenvolvimento.
Hoje, porém, vivemos tempos de crescente instabilidade global. A guerra, o extremismo, a fragmentação social e a erosão de valores fundamentais colocam desafios sérios às democracias. Assistimos, com preocupação, a uma progressiva desvalorização do humanismo que moldou a identidade europeia —um humanismo que coloca a pessoa no centro da ação política e que rejeita tanto o autoritarismo como o individualismo desregulado.E é preocupante assistirmos a esta deterioração dos valores europeus de fora para dentro, isto é, com origem em continentes e países outrora fiáveis, mas agora desaprendidos da história, dos desvarios dos nacionalismos e dos interesses económicos em detrimento da dimensão humanista da vida e da pessoa humana.
Neste contexto, o papel de partidos como o PSD torna-se ainda mais relevante. Precisamos de lideranças responsáveis, no concelho, no país e na Europa, de diplomacia firme e inteligente, de capacidade de diálogo e de compromisso. Precisamos de políticas que reforcem a coesão interna, que protejam os mais vulneráveis, que promovam o crescimento sustentável e que defendam os valores essenciais da nossa civilização.
Celebrar 52 anos do PSD é, por isso, mais do que recordar o passado! É reafirmar uma identidade, renovar um compromisso e projetar uma visão para o futuro. Um futuro que exige coragem, lucidez e fidelidade aos princípios fundadores.
Em Gaia, como em todo o país, continuaremos a honrar este legado de humanismo e de compromisso com as pessoas! Fá-lo-emos com sentido de missão, rodeados pelos melhores, distantes do oportunismo de circunstância (que empobrece a missão pública e enfraquece os líderes), com a devida proximidade às pessoas e com a convicção de que a política, quando guiada pelos valores do humanismo, da liberdade, da solidariedade e pelo bem comum, continua a ser a mais nobre forma de servir Portugal e de servir Gaia.