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Quinta do Mocho: PSP e Vida Justa com versões opostas sobre confrontos que levaram a disparos com balas de borracha

Vida Justa denuncia atuação "desproporcionada e violenta" da polícia. PSP confirma disparos, mas diz ter reagido a pedradas. Um morador foi hospitalizado.

Agência Lusa
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O movimento Vida Justa acusa a polícia de ter realizado “uma atuação desproporcionada e violenta” no bairro da Quinta do Mocho, no concelho de Loures, no sábado, mas a Polícia de Segurança Pública (PSP) diz que apenas se defendeu.

Num esclarecimento divulgado há dias sobre acontecimentos na Quinta do Mocho, na madrugada do último sábado, divulgados por alguns órgãos de comunicação social, o Vida Justa denunciou “uma atuação desproporcionada e violenta por parte dos agentes da PSP” naquele bairro.

“Ao contrário do que foi amplamente noticiado, os agentes policiais não foram recebidos com pedras nem garrafas por parte dos moradores”, afirmou o movimento.

Questionada pela Lusa, a PSP esclareceu, esta quarta-feira, que se dirigiu a uma morada na Quinta do Mocho “na sequência de uma chamada telefónica por violência doméstica entre um casal”. Segundo a polícia, um dos intervenientes recusou ser identificado “e tornou-se agressivo para com os polícias, o que viria a culminar na sua detenção”.

De seguida, “perante o aparato e o ruído provocado, vários moradores/vizinhos aproximaram-se, insurgiram-se contra os polícias e tentaram dificultar a sua atuação, com o arremesso de pedras e garrafas de vidro”, relata.

Nesse contexto de “escalada da agressividade dos moradores, manifesta superioridade numérica comparativamente com os polícias ali presentes e clara necessidade de reposição da ordem pública, foram efetuados alguns disparos pelos polícias”, justifica a PSP, detalhando que foi usada “arma tipo ‘shotgun’, com munições de baixa potencialidade letal”, o que permitiu dispersar quem estava no local e proceder “ao transporte do detido” relacionado com o caso para o qual fora chamada.

Segundo o Vida Justa, dois moradores foram atingidos por balas de borracha, tendo um deles necessitado de assistência hospitalar.

Em resposta à Lusa, a PSP, citando fonte dos Bombeiros de Sacavém, Moscavide e Portela, confirma o transporte de um cidadão para o Hospital de S. José, com “ferimentos com bagos de borracha, sem gravidade”.

Em declarações à Lusa, esse cidadão disse que estava a conversar com um polícia quando outro disparou “balas de borracha” contra a sua cabeça (uma vez) e costas (duas vezes). “A mim pareceu-me intencional, porque eu estava longe dele, a uns cinco passos, estava apenas a falar com o colega dele”, afirmou.

O Vida Justa assevera que “não houve qualquer agente policial agredido, contrariamente ao que foi divulgado” pela comunicação social.

Na resposta à Lusa, a PSP não menciona agressões a agentes e informa que “nenhum polícia ficou ferido”, dando apenas conta de que foi partido um espelho retrovisor de uma viatura policial.

Porém, a PSP aponta “algumas imprecisões” à “versão dos acontecimentos apresentada pelo Movimento Vida Justa”, assegurando “que se verificou efetivamente o arremesso de pedras e garrafas de vidro, por alguns indivíduos que não foi possível identificar, contra os polícias e viatura policial”.

Questionada sobre um eventual reforço de meios, a polícia respondeu: “Até este momento e por se ter tratado de um caso isolado, a PSP não sente necessidade de reforço de meios ou operações policiais no Bairro da Quinta do Mocho.”

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