O líder do Chega recusou, esta quarta-feira, que a proposta de redução da idade da reforma seja absurda ou irrealista, como considerou o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, e voltou a colocar esta medida como condição para aprovar as alterações laborais.
Em declarações aos jornalistas no parlamento, André Ventura defendeu que as pessoas não estão contentes com a idade da reforma e afirmou que “as coisas mais saudáveis da história foram feitas por pessoas que acreditavam que aquilo que não parecia possível, se torna possível”.
Questionado se a redução da idade da reforma é uma condição para aprovar as alterações à lei laboral e se votará contra caso não seja aceite, respondeu: “É evidente, senão não estava aqui agora a falar-vos sobre isto”, depois de ter dito também que “não é questão de votar contra ou a favor”.
“É evidente que isto é um ponto importante e é evidente que isto é uma questão relevante, porque ninguém quer discutir, porque é tabu, todos acham, todos estão sempre preocupados se vão ganhar votos ou perder votos. Vocês já se habituaram a perceber que eu não quero saber, eu acredito que isto tem de ser levado até ao fim”, indicou também.
Sobre as críticas de Pedro Passos Coelho, que classificou como absurda e irrealista a proposta do Chega de baixar a idade da reforma, o presidente do Chega começou por desvalorizá-las, afirmando que o antigo primeiro-ministro “tem todo o direito de defender que não se deve baixar a idade da reforma”.
“É legítimo. Já discordámos no passado, certamente discordaremos no futuro em muitas matérias”, afirmou, acrescentando: “O que eu acho absurdo e irrealista é as pessoas pagarem os impostos que pagam hoje em Portugal, terem uma carga de impostos indiretos das mais elevadas, pagarem 23% de IVA, pagarem 11% de Segurança Social, as empresas pagarem TSU e termos que trabalhar cada vez mais antes e sabendo que vamos receber cada vez menos“.
André Ventura considerou que “os portugueses trabalham tempo demais” e que “é preciso começar gradualmente a inverter este ciclo”.
O líder do Chega defendeu a sustentabilidade da sua proposta, mas não adiantou o impacto que poderá ter.
Na véspera da apresentação da proposta do partido para alterar a Constituição, André Ventura voltou a manifestar esperança que os outros partidos vão a jogo, mesmo depois de o PSD ter remetido “para uma segunda fase da legislatura”.
“Pelo que ouço dos outros líderes partidários vamos ter mesmo pelo menos um processo de revisão constitucional, depois vamos ver se o processo vai avante, se não vai avante, se conseguimos concretizar algumas mudanças. Mas acho que é legítimo dizer que neste momento, seja agora em 2026, seja no prolongar dos trabalhos para 2027, temos condições mesmo de mudar a Constituição ao longo desta legislatura”, afirmou.
Ventura disse esperar uma revisão feita “pelo menos à direita e ao centro-direita”, mas considerou também que o PS “não poderá dar-se à luz de ficar fora e terá que se juntar também ao processo” que vai ser desencadeado pelo seu partido.
Quanto às propostas que vão o partido vai entregar, o presidente do Chega indicou que serão aquelas que o partido tem defendido e que fizeram parte do programa com que se apresentou a votos, como a redução do número de deputados e titulares de cargos públicos, ou a prisão perpétua, apesar de admitir ter “pouca esperança” de que algumas propostas sejam aprovadas.
André Ventura indicou também que o seu partido quer fazer alterações no âmbito da Justiça, na “despartidarização do Estado”, e quer a criminalização do enriquecimento ilícito dos titulares de cargos públicos, “o plasmar da estrutura económica na Constituição” ou introduzir os direitos dos animais na Lei Fundamental.
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